Humaniza-te: entra no universo Humana Taranja – a resenha do concerto no Maus Hábitos

Humana Taranja com a participação de Evaya | mais fotos clicar aqui

O ambiente começava a ter mais agitação, com mais gente a chegar, já depois da abertura de portas registada por volta das 21h. A fria noite portuense, da última sexta-feira 13, não consistiu em empecilho nem redundou em azar para algumas boas dezenas de pessoas que se arriscaram numa calorosa sexta-feira, dentro de portas, na sala de concertos do Maus Hábitos. Motivo: uma performance dos Humana Taranja. Certo é que a sala não registou lotação esgotada, no entanto, quem esteve presente fê-lo com a mentalidade 100% focada, atentiva e até ligeiramente apaixonada. Amigos e fãs da banda marcaram presença de forma bem notória.

Enquanto os membros da banda não subiam ao palco, a instalação sonora confortava-nos com temas como More Big Birds dos Dry Cleaning, Group Disease dos N0V3L ou Pain Without a Touch dos Sweeping Promises. Escolhas muito particulares e que, definitivamente, ajudaram a criar a vibe correta para o que aí viria…

Humana Taranja puxando pelos fãs | mais fotos clicar aqui

Estes Humana Taranja são uma jovem  banda, da margem sul, especificamente do Barreiro. Guilherme Firmino (guitarra e voz) David Yala (guitarra), Filipa da Silva Pina (teclado e voz), Marta Inverno (baixo e coros) e Afonso Ferreira na bateria são os cinco destemidos e surpreenderam-me imenso Não contava por ser tão impactado pela sua atuação, é uma sensação incrível quanto isto acontece. Tão bom ver jovens portugueses talentosos a fazerem um trabalho com muita qualidade e a trilharem o seu caminho humildemente.

Esta atuação a norte foi a segunda, depois de uma aparição na Galeria Zé dos Bois, como as oficiais de apresentação do álbum novo ‘Eudaemonia’. Este é o segundo longa duração da discografia destes Humana Taranja. O álbum anterior, de 2023, apelidado de ‘Zafira’ teve igualmente algum foco.

Visão geral dos Humana Taranja em palco | mais fotos clicar aqui

Ao vivo todos estes temas ganham uma vitalidade bem pujante condizente com a personalidade artística dos elementos da banda. Tem rock, tem indie pop, tem outros traços sonoros e dizer que é somente indie rock soa-me demasiado parco. Pelo menos, por esta curta tentativa de descrição, acredito que já têm uma noção da sonoridade dos Humana Taranja. Não conhecem a banda? Oiçam os temas na sua versão álbum e imaginem a sua intensidade ao vivo x 100.

João Bernardo Valente conhecido nas lides musicais como polivalente participou no concerto, logo na música de abertura, em “LONGE”. Ele que utilizou sintetizador e fez uso da sua voz. Curiosamente é com este tema que o álbum tem a sua abertura. “DIGO TUDO” e “Zafira” foram a seguintes, permitindo levar a atuação alcançar o ponto de vivacidade pretendido pela banda.

Marta no baixo dos Humana Taranja | mais fotos clicar aqui

Ao quarto tema tivemos Beatriz Bronze, artisticamente conhecida como Evaya, como a segunda convidada e, tal como no álbum, deu voz ao tema “CASA”. Participação calorosa num dos belos momentos da noite, ela que também tem disco novo, lançado em abril deste ano. Vi o concerto dela no passado sábado em Braga é mais um talento emergente que merece ser seguido.

Os Humana Taranja vivem, alicerçados de forma imponente, de duas vozes: de Filipa e de Guilherme. Uma voz feminina e outra masculina: tendo ambos ficado nas pontas do palco, Guilherme à esquerda e Filipa à direita. Vozes com direito a um bocadinho de reverb maroto. Duas atuações incríveis e muito concentradas, lideraram a banda rumo a uma performance muito positiva.

Marta no baixo demonstrou-se irrequieta e interventiva, David na segunda guitarra fez um contraponto muito competente e Afonso na bateria sempre certinho e compenetrado. Um quinteto muito espontâneo em palco. Efetivamente merecem props extra pela forma solta e alegre como que se apresentaram.

Guilherme, guitarrista e uma das vozes dos Humana Taranja | mais fotos clicar aqui

“DE PÓ A NADA”, “Estrela Polar” e “GUERRA” soaram muito bem ao vivo com muito boa onda mesmo. Surgiram depois de um momento muito bonito de Guilherme a solo na guitarra em que os restantes elementos da banda ficaram a ver, espalhados pelo palco, a performance do companheiro.

Depois de interpretada “DEIXA ARDER” num momento já de êxtase, eis que a agitação foi bem amplificada em “PODEM ENTRAR” com jarda total. Comunhão total entre banda e público, as pessoas não se fizeram rogadas e participaram no tema.

Filipa, a destemida teclista e vocalista dos Humana Taranja | mais fotos clicar aqui

A pedido do público lá surgiu um encore marcante: Filipa Pina deambulou pelo palco e plateia com um “demoníaco” poder vocal e uma cativante presença física em que deu tudo. Esta interpretação de “Tum Tum” ficou-me na memória.

Fiquei fã dos Humana Taranja e vou, definitivamente, seguir a carreira deles. Uma das coisas maravilhosas de seguir mais atentamente o universo musical é este: o de encontrar incríveis bandas com imenso talento.

Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

Marta no baixo, Afonso na bateria e David na guitarra, o trio central em palco | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Aitor Amorim @ torstudio (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.