A 6ª edição do Festival Emergente vai acontecer próximos nos dias 26, 27 e 28 de Dezembro no espaço BOTA (Base Organizada da Toca das Artes), um espaço bem conhecido da cidade de Lisboa e que garante todas as condições para um evento de muita qualidade, tal como nas edições anteriores.
Ao longo de 3 dias teremos um alinhamento repleto de bandas e artistas a solo emergentes de enorme valia. São oito Super Emergentes, selecionados por via do Open Call, vão batalhar pelas premiações: Bea Bandeirinha, Catarina Carvalho Gomes, Francisco Fontes, Hal Still Echoes, Ibsxjaur, Líquen, Pato Bernardo e Ya Sin.
Um cartaz cheio de talento, em resultado de um Open Call Super Emergentes fortíssimo em que, mais uma vez, esta nova geração de músicos superou todas as expectativas e tornou a seleção extremamente difícil. Neste 2024 a organização recebeu 94 candidaturas, atingido um record no historial do evento.

A banda vencedora do Prémio Melhor Concerto Super Emergente percorrerá o país de Norte a Sul entre Março e Maio de 2025, numa tournée por diversos espaços e eventos do país que para já conta com os seguintes parceiros: Bota (Lisboa); Bang Venue (Torres Vedras), Salão Brazil (Coimbra); Carmo’81 (Viseu); GrETUA (Aveiro); Saliva Diva (Porto); gig Rocks/Rum by Mavy (Braga); Capote Música (Évora); Café Concerto Quina das Beatas/CAE (Portalegre) e Republica 14 (Olhão).
Também o Prémio Melhor Projecto Super Emergente, da responsabilidade exclusiva do júri, apresenta novidades. Este ano, no valor de 1500€, resultará na gravação do master de um álbum ou EP, com a direção da produtora musical Suse Ribeiro.
O bilhete para cada um dos dias 26 e 27 de Dezembro custa 12€, assim como cada uma das séries de concertos (tarde e noite) do dia 28. O bilhete completo do dia 28 (6 concertos) tem o preço de 18€, e o passe geral para os 3 dias de festival 30€.
O Festival Emergente faz assim jus à sua principal missão de apoiar a nova geração da música portuguesa, dando-lhe o maior número de oportunidades possível, fazendo-a subir a um palco com excelentes condições técnicas, espaciais e audiovisuais, para que o seu talento possa brilhar em grandes concertos com grandes performances, já uma imagem de marca do festival.
Haverão igualmente atuações de artistas convidados: Agressive Girls, Surma, Maria Reis e os Baleia Baleia Baleia. Eis então o alinhamento:
Quinta-feira 26 de Dezembro
21h00-22h00 – AGRESSIVE GIRLS
22h15-22h45 – LÍQUEN
23h00-23h30 – IBSXJAUR
Sexta-feira 27 de Dezembro
21h00-22h00 – SURMA
22h15-22h45 – BEA BANDEIRINHA
23h00-23h30 – PATO BERNARDO
Sábado 28 de Dezembro (TARDE)
17h00-18h00 – MARIA REIS
18h15-18h45 – FRANCISCO FONTES
19h00-19h30 – CATARINA CARVALHO GOMES
Sábado 28 de Dezembro (NOITE)
21h00-21h30 – HAL STILL ECHOES
21h45-22h15 – YA SIN
22h30-23h30 – BALEIA BALEIA BALEIA

Carlos Gomes, é um dos principais rostos e responsáveis por este festival. Ele respondeu-nos a algumas perguntas que lhe colocamos e as respostas que deu-nos são elucidativas e dão-nos uma melhor perspetiva sobre o Festival Emergente
~ Entrevista a Carlos Gomes do Festival Emergente
headLiner: Qual o teu estado anímico para esta 6a edição? O frenesim deve ser imenso, estamos a poucos dias de mais uma edição do Festival Emergente, já a ansiedade como está? A experiência que já tens é o fio condutor para teres essa parte devidamente controlada?
Carlos Gomes: O meu estado anímico é ótimo! O cartaz do Emergente este ano é incrivelmente diverso, com uma altíssima qualidade musical, o que me deixa muito feliz, porque acredito e confio mesmo no poder da arte e, neste caso, da música.
A ansiedade, curiosamente, está mais presente no arranque da preparação de cada edição. Uma vez sabendo onde o festival vai acontecer e estando aberto o Open Call, a ansiedade de alguma forma desaparece e é substituída pela expectativa, até à abertura de portas…nunca sei bem o que vai acontecer e até nesse sentido o festival é mesmo emergente. A sua atmosfera e o seu carácter, emergem na hora.
Quanto ao controlo em função da experiência, sim e não. Sim porque essa experiência diz-me que no final as coisas correm sempre bem. Por outro lado, essa experiência também me diz que até à abertura de portas, fazer previsões, não vale a pena. O carácter do festival é mesmo esse: imprevisível. Há que aceitá-lo assim, porque é isso que o diferencia e faz dele um festival único.
headLiner: O que acontece, em termos organizativos, nas últimas duas semanas antes do evento? Explica-nos um pouco para termos melhor noção do que tudo acarreta… Este ano o festival realiza-se no BOTA não é?
Carlos Gomes: Nas duas últimas semanas intensificamos sobretudo a comunicação e a promoção do festival, através dos nossos parceiros media e não só, também noutros órgãos de comunicação e nas nossas redes sociais. Para além disso, definimos os detalhes da logística, com os artistas e os seus agentes (quando os há) assim como o plano de trabalho de cada dia, chegadas, montagens, soundchecks, changeovers, jantares, etc.
Este ano o festival realiza-se em parceria especial com o espaço Bota, que abre extraordinariamente após o Natal para a realização do Festival Emergente. Um espaço com uma bela dinâmica em dois pisos: zona de entrada, bar e uma sala de concertos bem equipada, muito confortável e com uma boa acústica, a que no segundo piso se juntam outras salas e uma varanda muito acolhedoras. Para além disso, a equipa do espaço BOTA é gente muito bonita, muito amigável e muito competente, o que alivia bastante os stresses de última hora e influência de forma determinante o estado anímico. Uma coisa é certa, a felicidade de nos sentirmos em casa, na BOTA, já ninguém nos tira.
headLiner: Quais as expetativas para esta 6ª edição? Há algo diferenciador para anos anteriores?
Carlos Gomes: Bom, a equipa do Festival Emergente trabalha sempre para cada edição que se segue ser melhor do que a anterior. Não é tanto a questão de ser a melhor de sempre, porque todas as edições do Festival Emergente foram especiais e todas elas bastante diferentes umas das outras e únicas. Este ano voltámos a mudar de espaço, depois de dois anos no Musicbox, 2023 e 2022 (e também num deles, em 2022, no B.Leza), dois anos no Capitólio, 2021 e 2020, depois da 1ª edição, em 2019, no antigo LAV, em Marvila.
Também perdemos o nosso principal parceiro media ao longo dos últimos 4 anos, a SBSR.fm, com a qual tínhamos estabilizado uma relação muito interessante e muito dinâmica, mas em contrapartida reiniciamos a relação de parceria com a Antena 3, que curiosamente foi nossa parceira na primeira edição. Para além disso gostamos muito da relação de parceria convosco, Headliner, mas também com a Música Sem Capa (primeira vez este ano), bem como com o Gerador e o Canal 180, que já vêm de edições anteriores. Com todos os nossos parceiros media queremos desenvolver as parcerias e parece-me que esse é o grande desafio dos próximos anos, desenvolvimento e crescimento do festival, em conjunto com os seus parceiros. O que procuramos, edição após edição, é sempre fazer melhor.
Depois da celebração do 5º aniversário o ano passado, e que foi a primeira edição do festival com três dias, a minha perceção é que em 2023 fechámos um ciclo e este ano estamos a abrir outro. De certa forma, a 1ª Tour Emergente vem também reforçar essa ideia e é grande novidade do festival e dos prémios deste ano. Na esteira daquilo que é a nossa principal missão, abrir portas e dar visibilidade ao talento Emergente, a Tour Emergente, para além de dar a possibilidade à banda vencedora do prémio Melhor Concerto Super Emergente, de percorrer o país, de Norte a Sul, tocando em pelo menos 10 salas e eventos, vem também dar maior visibilidade ao próprio Emergente, cumprindo um desejo que tínhamos há muito de dar continuidade à experiência do festival, fazendo ecoar a edição anterior ao longo do 1º semestre do ano que se inicia logo depois e estabelecendo a continuidade com a preparação da edição seguinte. Acreditamos que a Tour Emergente vai ter um forte impacto na carreira da banda vencedora do prémio, bem como no crescimento e visibilidade do festival.
headLiner: Sentes que o Festival Emergente tem ganho uma relevância maior depois da pandemia e que divulgar projetos mais underground é mesmo uma necessidade?
Carlos Gomes: Sem dúvida. Um bom sintoma disso é o aumento do número de candidaturas, de ano para ano, independentemente do espaço onde o festival se realize. Isso é muito significativo e de facto é uma grande motivação para dar continuidade ao trabalho feito até aqui. E depois não temos dúvidas da importância da nossa missão, porque para além do talento dos músicos, a verdade é que o Festival Emergente marcou o percurso de alguns artistas emergentes que são já uma certeza da música nacional, como são os casos mais evidentes de Lana Gasparøtti, Falso Nove, Humana Taranja, Javisol, O Marta, Marquise e Malva, todos eles premiados pelo festival em momentos muito iniciais dos seus percursos artísticos. Num momento do mundo em que nunca houve tanta produção musical, mas em que também o mainstream absorve cada vez mais a atenção do público, procurar dar espaço à música mais underground e aos artistas emergentes, em salas de pequena e média dimensão, é extremamente importante para a riqueza e diversidade musical de um dado contexto, neste caso a música portuguesa, como para a própria qualidade da programação dos espaços existentes com estas características. Essa também é uma missão do Emergente, acelerar o tempo de chegada das bandas e artistas portugueses a outras salas e a outros palcos, inclusive outros festivais de maior dimensão que o Emergente. E parece-me claramente, que isso tem acontecido. Ao Open Call do Festival Emergente já se candidataram ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 300 bandas portuguesas, o que é para nós um número incrível e uma demonstração clara da relevância do festival.
headLiner: De entre cerca de 94 projetos, como é feita uma seleção tão limitada a somente 8?
Carlos Gomes: A seleção é feita por um júri de profissionais e conhecedores do meio musical, oriundos por sua vez de vários campos do conhecimento, de vários campos profissionais e tendo em conta a paridade mulheres/homens como forma de à partida diversificar as perspetivas sobre a audição das propostas. No final, cada elemento do júri faz a sua escolha confidencial e a seleção corresponde à seleção dos mais votados. Para terem uma ideia, o júri este ano votou em 30 bandas diferentes, apesar de ter havido algumas escolhas consensuais e uma que recebeu mesmo os votos de todos os elementos do júri. A escolha de somente 8 bandas é lixado, para os elementos do júri. Por isso é que eu me retirei, he,he. Eu sofria horrores e tinha sempre a tentação de inventar mais duas ou três slots para repescar, pelo menos alguns daqueles que me doía mesmo deixar de fora. Ainda assim, faço sempre a minha shortlist, que este ano incluía 28 nomes. Claramente, por exemplo este ano, pelo menos umas 20 bandas, tinham muita qualidade e isso é uma mensagem que fazemos questão de passar, que não é por falta de qualidade que muitas das bandas não são selecionadas. São muitas vezes pequenos detalhes que fazem a diferença. E claramente, se pudéssemos, faríamos muito mais, daríamos ainda mais oportunidades. Em 2021, no Capitólio, foram 11 bandas selecionadas por Open Call, mas nunca descemos de oito. Temos ideias para fazer mais. Vamos ver se em 2025, conseguimos concretizar algumas dessas ideias.
Este ano o júri foi constituído por 8 pessoas:
Catarina Valadas – Música e Coordenadora de Comunicação do Festival Emergente
Vitor Belanciano – Jornalista free-lancer e melómano
Joana Rodrigues – Música Sem Capa
Rui Galveias – Programador do espaço BOTA
Débora Umbelino aka Surma – Música
Catarina Palma – Radialista da Antena 3
João Aráujo – Managere booker na agência gig.ROCKS
Tiago Castro – Músico e Radialista
Infelizmente, por motivos de agenda profissional da Surma, não vamos poder contar com ela como júri durante o festival.
headLiner: Imaginavas ter tantas bandas a concurso? Se te dissessem em 2019 aquando da 1ª edição que 5 anos depois irias quase 100 candidaturas acreditarias?
Carlos Gomes: Não, não, de todo. Aliás, na 1ª edição nem houve Open Call. Depois, na pandemia, com tanto tempo para pensar, tive a ideia do Open Call, também como forma de chegar aos Super Emergentes, porque de facto não é fácil conhecer toda a malta que anda por aí a fazer música, he,he. E muitos, logo em 2020 e em 2021, saltaram literalmente dos seus quartos ou de espaços nas localidades da sua residência para o palco do Capitólio. Foi brutal! Aliás, é sempre brutal. Não me lembro nunca, de ter visto um mau concerto no Emergente. Houve concertos que me deixaram mais electrizado e entusiasmado que outros, mas um mau concerto, não me lembro, a sério. Nós damos tudo o que temos e podemos, e o pessoal retribui dando tudo o que tem para dar, sob a forma de música e energia. É uma troca de energias muito bonita e não é só entre festival e músicos e entre músicos e público; é também entre os próprios músicos, porque muitas amizades começam ou fortalecem-se no Emergente, com a partilha de palco, camarins e sabe-se lá mais o quê!
headLiner: Podem falar um pouco da Tour Emergente? Quando vai acontecer, em que moldes se vai desenrolar?
Carlos Gomes: Não podemos falar muito ainda. A maioria das datas já estão fechadas mas há ainda alguns acordos para definir melhor com alguns dos espaços e eventos. A ideia é dar alguma liberdade a cada espaço ou evento parceiro (para já 10), para programar uma noite da Tour Emergente em função do seu público, sempre com o nosso acordo, claro. Mas queremos, evidentemente que as coisas corram bem para todos os envolvidos, para a banda ou bandas, para o espaço ou evento de acolhimento e para nós festival, confiando nos parceiros e dignificando e prestigiando o nome de todos. A banda principal de cada noite será a banda vencedora do Prémio Melhor Concerto, por votação do público. Mas poderá haver uma segunda banda, que pode ser uma banda sugerida pelos programadores parceiros com o nosso acordo, ou a banda vencedora do Prémio Melhor Projeto Musical, se programá-las juntas fizer sentido, ou ainda uma banda que já tenha passado pelo festival num outro ano. Um dos parceiros pediu-nos mesmo 3 bandas! Estamos abertos a diferentes moldes de cada uma das noites, com a banda vencedora do Melhor Concerto em destaque e inserida numa programação que faça sentido.
Paralelamente estamos à procura de apoios e patrocínios que queiram fazer-se à estrada connosco, de forma a garantir as melhores condições possíveis para os músicos. Posso ainda adiantar que a Tour começa em Lisboa, vai ao Minho e acaba no Algarve, percorrendo várias regiões do país.
Os espaços e eventos parceiros, à partida, já foram anunciados e são:
Bota (Lisboa); Bang Venue (Torres Vedras), Salão Brazil (Coimbra); Carmo’81 (Viseu); GrETUA (Aveiro); Saliva Diva (Porto); gig Rocks/Rum by Mavy (Braga); Capote Música (Évora); Café Concerto Quina das Beatas/CAE (Portalegre) e República 14 (Olhão). Mas é possível que ainda se venham a juntar mais espaços e salas do país.
Agradecemos a disponibilidade e o tempo disponibilizado pelo Carlos Gomes para responder-nos às nossas perguntas.
Entrevista elaborada por Edgar e Luís, membros fundadores do HeadLiner.
