O fruto da terra é a inspiração musical de Catarina Carvalho Gomes

Catarina Carvalho Gomes com Clara Lacerda e Gonçalo Cravinho Lopes | mais fotos clicar aqui

A artista Catarina Carvalho Gomes já tinha entrado no meu “radar musical” pois ela fez parte do Ensemble Caleidoscópio. Um projeto que teve a direção de Bruno Pernadas, formado por 8 músicos minhotos provenientes das cidades de Braga, Barcelos, Fafe e Guimarães. O repertório original criado em residência artística foi apresentado ao vivo em quatro ocasiões. Tive a oportunidade de assistir a duas atuações: no Westway LAB em Guimarães e no gnration open day em Braga, ambas ocorridas no decurso de em 2022. Na altura a voz de Catarina Carvalho Gomes destacou-se e isso veio-me à memória nas últimas semanas.

A Tour Emergente, organizada pelo Festival Emergente, tem o apoio do headLiner como media partner e isso foi um motivo extra para a deslocação ao Ponto C em Penafiel pela primeira vez este passado domingo, dia 23 de janeiro.

No âmbito dessa tournée Catarina Carvalho Gomes atuou numa das salas daquela nova referência cultural penafidelense inaugurada em agosto de 2024. Ela faz parte da Tour Emergente pois foi a vencedora do melhor concerto no Festival emergente na sua edição de 2024.

Dois momentos distintos de Catarina durante a performance | mais fotos clicar aqui

Os 50 lugares da Sala Caturra foram preenchidos ao som de uma das minhas vozes preferidas: a da canadiana Feist. A temperatura estava extremamente agradável e este fim de tarde/início de noite iria tornar-se ainda mais prazeroso. Uma sala com uma acústica no ponto certo.

Seis minutos depois das 18h entraram Gonçalo Cravinho Lopes (ele é baixista dos OCENPSIEA) para o contrabaixo e Clara Lacerda para o piano. Poucos segundos depois surgiu também Catarina Carvalho Gomes, todos eles presenteados com salvas de palmas. A vibe certa ficou ajustada posteriormente com duas ou três músicas apresentadas. Percebeu-se a onda musical que iria ser mostrada e que a belíssima voz da cantora oriunda de Braga teria um impacto significativo, de forma bastante positiva.

Catarina demonstrou-se comunicativa, foi dando contexto às suas músicas com histórias bem curiosas. O seu álbum ‘Novas Canções da Terra’, editado em 2023, foi a sua estreia como cantautora no universo musical e apresentado neste concerto. Ela explora temáticas do cancioneiro tradicional com uma proximidade profunda à língua portuguesa. Este disco surge na sequência das suas vivências numa quinta de família em Braga. Lá ganhou o gosto pela natureza, percebeu melhor o que nasce da terra e os proveitos que daí advêm. As suas letras são bem curiosas e percetíveis dessa intensa experiência.

Como a própria explicou a sua obra é uma mistura de música e poesia cuja finalidade é espantar a solidão. Efetivamente foi bem mais caloroso espantar a solidão em catarse coletiva. As suas incursões poéticas foram mescladas nas canções e revelaram-se bem intensas e profundas, apreciei bastante.

Gonçalo e Clara demonstraram-se concentrados e vibrantes, quiseram ser meticulosos no dedilhar dos seus instrumentos e proporcionaram um contributo excelente a Catarina. A cantora ofereceu também uma performance de alta qualidade, a sua voz tem um timbre extremamente caloroso. Além das suas canções em português teve dois momentos extra, um em inglês com “Imagination”, uma versão de um clássico do jazz e em espanhol com “Gracias a la vida”. Esta última um original de cantautora chilena Violeta Parra.

Clara e Gonçalo, os parceiros de Catarina nesta tarde | mais fotos clicar aqui

Do seu repertório pudemos ouvir temas como “Novos Velhos”, “Romã do Alentejo”, “Só mais um pouquinho” ou “Não Pensar”. O trio tocou também temas novos e ainda em processo de finalização, um deles foi “Crocodilos”. Tem este título “até ver”. A outra novidade surgiu no final, no encore, tão nova que Catarina teve necessidade de pegar no caderninho para não desacertar na letra.

Nota para o público, de diversas idades, sempre bastante atento e que se manifestou de forma positiva. Foi percetível que as pessoas desfrutaram desta atuação que teve um pouquinho mais de 1 hora de duração.

Esta formação em trio explorou sonoridades diversas entre o folk e o jazz, este último estilo bem percetível. O indie é outro dos estilos desta boa miscelânea aonde o fado também tem o seu cantinho reservado.

Clara, Catarina e Gonçalo no final da atuação | mais fotos clicar aqui

Fica aqui registado um agradecimento à equipa do Ponto C por ter-nos recebido tão bem, fomos bem acolhidos e foram muito simpáticos connosco.

Nesta minha estreia no “pontão verde” ainda não tive vislumbre do auditório. Gostei bastante do edifício, quer da sua parte exterior bem como a parte interior a que tive acesso. Estou curioso por conhecer a sala principal, algo que acredito que ocorrerá em breve, com toda a certeza.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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