Post Punk Strikes Back Again 6: O Azul e Branco da Invicta deu lugar ao Negro, em três noites frias de dezembro

Post Punk Strikes Back Again 6: O Azul e Branco da Invicta deu lugar ao Negro, em três noites frias de dezembro | Reportagem Completa

É verdade que já foi no ano passado que o Post Punk Strikes Back Again (PPSBA) se realizou, mas também é verdade que o dia de aquecimento para o evento aconteceu no dia 7 de dezembro, ou seja, há pouco mais de um mês. A correria que vivemos nos dias de hoje, acentuada pelas festas que precederam o PPSBA, fazem parecer que passou um ano já, mas não. Basta respirar fundo, acalmar um pouco e as belíssimas memórias daqueles três dias regressam ao nosso corpo.

Dia 7 de dezembro de 2024, dia 01 (espécie de warm-up)

O primeiro dia do PPSBA foi uma espécie de aquecimento, aconteceu na sexta-feira dia 7 de dezembro, sendo que o festival propriamente dito, realizou-se no fim-de-semana seguinte, nos dias 13 e 14 de dezembro. Este primeiro dia teve lugar na sala 2 do Hard Club e contou com três atuações de três bandas oriundas de três países diferentes.

A abertura deste dia, e do festival, esteve a cargo dos portugueses Rival Clubs. Este é um projeto relativamente recente, deu-se a conhecer em finais de 2023, sendo 2024 o ano em que foram apresentando-se ao vivo pelo país, bem como o ano de lançamento do primeiro trabalho, o EP ‘Past Is Low’. A atuação no PPSBA foi fechar o ano com chave de ouro e, por isso mesmo, deram um concerto a condizer com a ocasião. Um concerto intenso, com melodias negras e sedutoras que deambularam por toda a sala. Estava dado o mote para a edição número seis do PPSBA.

À segunda atuação, uma enorme surpresa, as Deep Tan. Muito pouco sabia deste projeto, apenas que vinham de Londres e que tinham estado em digressão com os Queens Of The Stone Age recentemente.

Deep Tan em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Era um bom pronúncio, mas não estava preparado para aquela incrível atuação. Percebe-se que são um projeto no início da carreira, mas aquelas ideias, aquele som minimalista que perfura a nossa pele, aquelas linhas de baixo estonteantes, bem, é algo que nos faz parar o coração e ficar deliciosamente espantados. Para mim, a surpresa de todo o festival e um projeto a acompanhar bem de perto. Deviam de fazer o mesmo, porque certamente será uma bela história de amor.

A fechar esta primeira noite estiveram os italianos Soviet Soviet, talvez o nome mais sonante deste primeiro dia. Eles que regressaram ao norte, depois da passagem por Guimarães em 2018.

A energia que trouxeram ao palco elevou este aquecimento a níveis elevados de preparação para o fim-de-semana seguinte. A intensidade que este trio coloca em cada canção, em cada riff, em cada melodia é de enorme qualidade, o à-vontade que demonstram, a certeza de cada nota, a paixão pela música que criam, deixa cada um de nós de coração cheio.

Soviet Soviet em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

O aquecimento estava concluído e estávamos todos prontos para o próximo round!

Dia 13 de dezembro de 2024, dia 02

Uma semana depois e cá estamos para o festival propriamente dito. Esta foi a sexta edição deste festival e, incompreensivelmente, a minha primeira vez no PPSBA. É como se costuma dizer: “mais vale tarde do que nunca”.

A primeira banda a subir ao palco da sala 1 do Hard Club nesta noite, foram os britânicos Martial Arts. É um projeto emergente de Manchester que veio a Portugal apresentar o seu trabalho. No Spotify da banda apenas conseguimos ouvir três singles editados pela banda durante 2024, mas há muito mais para além desses temas, como ficou provado nessa noite. Apesar de ser ainda um nome desconhecido do público português o quinteto britânico conseguir arrancar as primeiras palmas e gritos de êxtase de quem por ali se encontrava. Uma atuação coesa, com a melodia e encantamento post-punk, mas a atitude, essa é totalmente punk!

Martial Arts em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

No alinhamento programado estava previsto que os próximos senhores a atuar seriam os Errorr, mas devido a um pequeno problema na viagem para o Porto dos Errorr e MДQUIИД. (que andavam juntos em digressão pela Europa), obrigou a alterações no alinhamento previsto. Assim, chegaram-se à frente os Raskolnikov e seguimos com o rock, que é para isso que cá estamos!

Os Raskolnikov são um trio suíço-espanhol-francês com uma sonoridade assente no post-punk, daquele bom, daquele inspirado em nomes sólidos desse movimento, tais como os Joy Division ou The Mission, mas com a pitada essencial de autenticidade. Mostraram nessa noite a magia que produzem enquanto banda de rock, enternecendo os corações maduros que se encontravam na plateia e que ouviam com emoção e devoção este projeto.

Errorr em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Problema resolvido, eis que os Errorr entram em ação. Como referi, este projeto berlinense andou em digressão com os MДQUIИД. pela Europa fora, digressão que passou pelo PPSBA, para nossa felicidade. Os Errorr apresentaram-se em formato quarteto, trouxeram consigo a energia que os carateriza e levaram-nos a viajar entre o rock mais puro, o post-punk e o noise, sempre com uma mestria ímpar que fez desta atuação uma daquelas que deixa marca gravada bem funda.

Pelas minhas contas, este foi o quinto concerto que vi dos MДQUIИД. este ano. Vi-os em diferentes palcos, em festivais de sonoridades diversas e é incrível como as suas músicas e a sonoridade que os carateriza se enquadra em tantos estilos musicais diferentes, eles comprovam que a música é uma linguagem universal e cada concerto que vi deles, foi sempre melhor que seu antecessor. Como homem das matemáticas, tento encontrar uma lógica para o fenómeno MДQUIИД., mas a verdade é que não tem de existir uma lógica, a música é pura magia, acontece simplesmente e quando é feita com paixão e de forma descomprometida acontecem sempre coisas bonitas!

MДQUIИД. em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Mais um daqueles concertos onde contagiaram toda a gente e onde criaram mais alguns fãs, isto foi dito por algumas das pessoas que os viram e com quem falei. É um privilégio poder assistir, bem de perto, ao desenrolar desta história magnífica de nome MДQUIИД..

A noite estava a ser perfeita, mas ficaria extraordinária com a atuação seguinte. Senhoras e senhores, os Ditz chegaram e, recorrendo a um velho chavão, partiram tudo! Ainda não tinha visto um concerto dos Ditz, mas diga-se de passagem que é daquelas bandas a ver, pelo menos uma vez na vida. É uma experiência surpreendente, onde a loucura é o ingrediente principal, usado com abundância pelo Cal Francis, vocalista da banda. Não estive a contabilizar, mas acho que Cal passou mais tempo entre o público do que propriamente em cima do palco, a interatividade com o público foi contagiante e não deixou ninguém indiferente.

Ditz em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Que grande concerto! Estava encontrado o concerto maior desta sexta edição do PPSBA.

Como nota, os Ditz vão estar no próximo mês em Portugal, mais concretamente no Musicbox, em Lisboa, para promover o novo álbum ‘Never Exhale’ que sairá no próximo dia 24 de janeiro.

Dia 14 de dezembro de 2024, dia 03

Inicialmente estavam previstas seis atuações para o último dia do festival, no entanto, durante a semana houve dois cancelamentos, por motivos de força maior, da parte dos projetos Night In Athens e Library Card. Nada que fizesse abalar os corações da gente madura que se atreveu a ir ao PPSBA.

A iniciar a noite, estivemos com uma banda do país vizinho os espanhóis Belgrado. Melhor forma de iniciar esta noite, seria uma tarefa difícil de encontrar, os Belgrado são possuidores de um som que se enquadra perfeitamente na temática do festival mas com ritmos mais dançáveis, que obriga a arrastar os pés de um lado para o outro com rapidez e a torcer o esqueleto, salvo seja. Se houvesse ali alguém que não soubesse como isso se fazia, bastava olhar para o palco e seguir os passos de Pat, enérgica vocalista da banda espanhola, que dançava e saltava como se o amanhã não existisse. A noite começava da melhor forma, a energia estava no ponto máximo!

Belgrado em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Os próximos vieram de terras britânicas e são já um nome conhecido da praça. Contam com mais de uma década de existência e cinco álbuns nos escaparates, o último ‘No Hero’ editado em setembro de 2024. Muitos fãs no público, muitos a cantarem as suas canções, intensas e negras. O nome da banda, Desperate Journalism, deriva de uma canção dos The Cure e é notória a influência desta banda e dos anos 80 neste projeto. E isso é bom, eles sabem usar essa inspiração para criarem algo próprio e muito interessante. Foi um belo momento, com o destaque especial para a energia vocal de Jo Bevan, vocalista da banda.

Quase a chegar ao fim, mais uma interessante descoberta, o projeto Heartworms. Este é na realidade o projeto a solo da cantautora britânica Jojo Orme, uma artista emergente que tem suscitado curiosidade dos mais atentos, tais como, Dan Carey, produtor de bandas como os Wet Leg ou Fontaines D.C. e que produziu, em conjunto com Jojo, o álbum da artista que verá a luz do dia durante 2025. Estou ansioso por ouvir o disco, depois da atuação impressionante que nos proporcionou no PPBSA em formato banda. As suas músicas são histórias pessoais e de pessoas que conhece, traumas que a vida dá a cada um de nós, cada tema tocado naquela noite era um crescendo de intensidade, como se Jojo estivesse a viver aquela história novamente. Mais do que um concerto, é uma partilha de emoções, conflitos, desejos negros e obscuros que querem ver a luz do dia. Um dos momentos altos de todo o evento.

Heartworms em palco no Hard Club | mais fotos clicar aqui

Para terminar o dia e a edição número seis do PPBSA, estiveram os Electric Litany, um projeto também ele oriundo do Reino Unido. O quarteto editou já quatro álbuns, bem como outros tantos EPs, não sendo uns meros desconhecidos. Alguns fãs na plateia comprovavam isso mesmo. As suas composições entre o experimentalismo e o post-punk, visitando o rock e o synthpop pelo meio, foram se alojando em todos os pontos da sala 2 do Hard Club e aconchegaram a boa gente que ele assistia com devoção. Um concerto digno deste evento, a corroborar a espantosa qualidade musical deste certame.

Como disse no início, é incompreensível como ainda não tinha vindo a este festival, mas ainda bem o fiz agora. Para o ano, podem contar comigo novamente. Gostei e recomendo!

Reportagem Fotográfica completa:

Dia 1 – Clicar Aqui

Deep Tan em palco no Hard Club

Dia 2- Clicar Aqui

Errorr em palco no Hard Club

Dia 3- Clicar Aqui

Heartworms em palco no Hard Club

Texto: Jorge Resende @ arroba75 (Instagram)
Fotografia: Jorge Resende @ arroba75 (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.