Fomos ao jantar da família: Fat White Family | Reportagem

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Chegamos
ligeiramente atrasados ao jantar. O aperitivo já estava a ser servido.

A banda
portuguesa Cancro, um nome controverso assim como o próprio som da banda, já
tocava na sala de jantar. Anunciados no próprio dia e surpresa para muitos, a
superbanda formada por Tiago Lopes, José Penacho (Marvel Lima e
Riding Pânico
) e Fábio Jevelim (Riding Pânico e Paus) subiram
à sala principal do Hard Club às 21h00.

Na bagagem
trouxeram o álbum de estreia ‘+(mais)’ – os lucros da compra deste no bandcamp,
serão revertidos para o Instituto Português de Oncologia. Ao vivo a banda
transparece a agressividade e irreverência tal com o som do seu álbum.
Interventivo, contra-cultura, o vocalista já sem t-shirt, fez-se voar palco e
plateia fora, trazendo um grito de revolta cá para fora, acabado em lágrimas em
pleno palco. Um concerto punk e ao mesmo tempo emotivo (levando o vocalista às lágrimas), que continuará a percorrer essa estrada fora.

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A plateia cada vez com mais lugares ocupados na mesa de jantar, onde o prato
principal ia fazendo aquecer os muitos presentes, que encheram por metade a
maior sala do espaço portuense.

As colunas
começaram a explodir um som, que mais parecia ter saído de um filme sci-fi,
e aí começou o frenesim. A banda de 6 elementos, encheu o palco por completo debaixo
de muito êxtase em forma de aplausos e gritos.

A banda
apesar de ter um álbum praticamente acabado de sair, um dos melhores de 2019, ‘Serfs
Up’, a turma do sul de Londres, percorreu toda a sua discografia. Aliás, as
três primeiras músicas com que a banda abriu, foram todas de trabalhos discográficos
anteriores: “Autoneutron” (‘Champagne Holocaust’ de 2014); “I Am Mark
e Smith
” (single de 2014); “Tinfoil Deathstar” (‘Songs For Our
Mother’ de 2016).

Com a batida
bem marcante e aquele baixo a rasgar sala adentro, veio a primeira música do seu
mais recente trabalho. Falamos de “Fringe Runner”, 4ª música da longa setlist
que nos apresentaram.

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A atitude punk
da banda, parecia ter sido retirada dos já longínquos anos 70. O vocalista Lias Saoudi de fato bem largo, (nem a
meio do concerto íamos, e já o tinha rasgado), a longa mullet de um dos
teclistas e responsável pelos sopros (flauta transversal, saxofone tenor), os óculos
bem escuros e retangulares do baterista, guitarrista e do outro teclista (sim,
são muitos), davam uma identidade forte e arrojada à banda. Mas nada dava aquele
poder e desvaneio punk que o líder da banda. Enquanto escrevia umas notas no
concerto, sinto algo a cair-me ao lado. No chão, e sem parar de cantar estava ele
tresloucado como de nada se tratasse. Esta aquela atitude irreverente que ia
contagiando alguns que se encontravam na linha frente, incluído eu.

Este jantar estava de loucos, bem picante
fazendo muitos de nós dançar sem qualquer tipo de noção. Estava bem temperado
com sopros desvairados, mas que souberam muito bem e com aquele toque de chef,
dado pelos muitos coros em uníssono que os 6 integrantes da banda faziam
soar sala adentro.

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No entanto faltava algo, faltava a bebida.
Alguns de nós tinham copos de cerveja na mão. Lias, vocalista da banda, esse
sim estava bem servido com uma garrafa de whiskey que de lés a lés bebia largos
goles, alternando com a Guinness de meio litro.

As mais aclamadas do concerto cuja duração rondou a 1h15, vieram quase de seguida, “I Believe In Something Better” e “Feet”,
ambas do último trabalho ‘Serfs Up’, seguindo de um dos maiores singles da
banda, “Whitest Boy on The Beach” que fizeram soltar muitas vozes acompanhando
o incansável vocalista que fazia maratonas entre o palco e o público.

O concerto terminou com duas do 1º álbum
da banda ‘Champagne Holocaust’, “Is It Raining In Your Mouth?” e “Bomb
Disney
”, e nesta, fez realmente fez explodir uma bomba dentro de nós
detonando uma moche à volta de Lias que iam vagueando sem medos, por dentro das
dezenas de pessoas que fervilhavam.

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Isto era o que nós achávamos… A banda deixou
a sala de jantar para se recolher aos seus aposentos, e no meio disto, os resistentes
e verdadeiros fãs (do punk, da música e da banda) ficaram nas linhas da frente
a aplaudir, a gritar, e a pedir por mais. Ainda não estávamos de barriga cheia.
A banda que se encontrava de lado, dizia que não que já tinham terminado… mas as
poucas centenas que ainda lá se encontravam não desistiam.

……

Esperamos

Esperamos

……

Até que, quando já ninguém dava por ela, o
sexteto britânico volta ao palco para nos servir a sobremesa dizendo: “Nós não
tocamos encores, mas vocês merecem
” – acredito bem que seja verdade, pois o
manager da banda já estava pronto para levantar a loiça.

O pessoal ficou louco quando ouvimos cada
elemento a fazer soar a sua voz mais imponente, como se estivemos num convento
de monges. Nós acompanhamos também numa só voz, dando uma linda moldura musical
à sala. Era a “Tastes Good With The Money” !!!, o grande single do seu
mais recente disco que tinha ficado de fora da setlist, mostrando que os
Fat White Family não estão aqui para agradar às massas.

Saí de barriga cheia deste manjar dos
deuses. Muito provavelmente um dos melhores jantares musicais que assisti na
minha vida.

Foi o jantar da família: Fat White
Family  

Vejam toda a foto-reportagem pelo Diogo Meira: clicar aqui

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Texto: Luís Silva

Fotografia: Diogo Meira

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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