
Luís Severo na primeira noite no Passos Manuel
Na passada
quarta-feira (dia 29 de maio) Luís Severo apresentou
no Porto o seu mais recente trabalho ‘O Sol Voltou’ editado a 17 de
Maio, com a assinatura da Cuca Monga em parceria com a Sony Music Portugal.
Numa noite que se fazia
prometer quente, eram 21 horas e já alguns dos fãs esperavam às
portas de um Passos Manuel
completamente esgotado para a primeira das duas noites de espetáculo agendadas.
Às
22h, Severo descia as escadas do
auditório principal do Passos
Manuel, uma entrada um tanto ou quanto atípica, recebido por entre
calorosas palmas de quem aguardava ser envolvido em doces baladas. Sozinho em
palco e sentado ao piano presenteia-nos com 3 músicas do seu mais recente
trabalho, não fosse este o seu espetáculo de apresentação.

Mais uma performance
marcante de Luís Severo
“Quem me espera” e “A última canção” seriam a segunda vez
que estariam a ser tocadas ao vivo, diz-nos Severo nas primeiras palavras que dirige à plateia. Em “Domingo”
podia ouvir-se que “(…)o tédio trouxe a paz também” o que a julgar pelos
sorrisos que brotavam de grande parte de quem assistia, tédio não era certamente
o que se fazia sentir. Foi na altura da passagem para “Cara d’Anjo” que se ouviram os primeiros tímidos
trauteares.
Já na guitarra “Cheguei Bem” deu o mote para nos
confessar que esta é a terceira ou quarta vez que aqui toca e que o Passos Manuel é uma sala onde se sente
mesmo bem, convidando a cantar quem soubesse a letra da próxima
música. Aos primeiros acordes de “Planície (Tudo Igual)” abanam
as cabeças e não fossemos estar sentados mostraríamos
também
os nossos melhores passos de dança.
“Toquei aqui há 6 anos e deviam estar para aí 5 pessoas. Como está tudo
escuro e não se vê nada daqui parece que está exatamente igual”. O público sorriu e Severo avançou para mais um dos
temas do novo álbum – “Joãozinho”.

Luís Severo no Passos Manuel a tocar novas músicas
Ouvimos ainda “Amor
e Verdade”, “Boa Companhia” que fez novamente
o público trautear, “Primavera”
e “Acácia”, tocadas todas elas
à guitarra.
É com a música que dá
título ao novo álbum que se despede para imediatamente voltar. “Isto no fundo é tudo uma peta. É só uma forma mais
elegante para eu voltar e me sentar ao piano” afirma.
A promessa de mais 4 músicas
e um convidado especial iniciam assim o que já todos convencionamos como o
obrigatório encore. “Meu Amor”
faz-se ouvir nas teclas do piano, enquanto o público tenta beber ao máximo todos
os versos proferidos por Severo, numa forma de prolongar o fim inevitável do
concerto.
João Sarnadas, responsável pela capa do novo álbum, sobe a
palco e pegando na guitarra canta com Severo “Cabanas do Bonfim”,
uma canção original dos Flamingos,
projeto partilhado por Severo e Sarnadas. A pedido do público, meio
que à desgarrada
e sem ensaio, acompanhados apenas por uma guitarra, presenteiam-nos com “Souvenir”, música que pertence
também
ao projeto Flamingos.

Luís Severo em dueto com João Sarnadas
Já em modo discos
pedidos, é desta
vez Luís Severo que carinhosamente
pede para cantar uma música da autoria de João
Sarnadas, para logo de seguida pedir desculpa por não a podermos ouvir em
casa, uma vez que não está gravada nem sequer
existe online. É esperar então que alguém tenha gravado este momento. Descem do palco
para cantar, a cappella, “Lábios de Vinho” tema que pertence ao
primeiro trabalho de Luís Severo.
E não,
não foi desta que Severo se despediu, porque voltou ainda, em jeito de
agradecimento, para cantar “Escola”,
música que faz parte do seu segundo trabalho, editado em 2017.
As inevitáveis palmas
começam para logo terminar, a pedido de Severo, porque isto de cantar
acompanhado só de guitarra e com palmas à mistura
torna as coisas mais complicadas. E assim foi, um Passos Manuel a juntar-se em coro a Severo, celebrando o regresso aos discos, na esperança de nos
cruzarmos em tantas outras salas e ouvi-lo de novo a fazer o que de melhor
sabe.
Texto e Fotografia: Cláudia Bandeira
