
Contadas as incidências dos 2 primeiros dias, eis que agora
nesta segunda e última parte nos debruçamos sobre os concertos de sexta-feira
(dia 30 de março) e de sábado (31 de março).
Dia 2 – Sexta-feira, 30 de março
Dia de feriado religioso e
mais um em que o tempo deu algumas tréguas, lá rumamos mais uma vez a Freamunde.
Os concertos desta noite começaram com um atraso considerável, ao contrário da
noite anterior, o que provocou um rearranjo na programação no que diz respeito
aos horários. As pessoas começaram a chegar mais e existiu essa necessidade por
parte da organização. A noite foi um sucesso e a provar isso foi a casa cheia
que pudemos constatar, tanto no Teatro
como depois do Espaço A, local onde
realizou-se o concerto dos 800 Gondomar e
o DJ set de Nuno Rabino.
Moon Preachers
Faltavam 11 minutos para as
23h quando finalmente os Moon Preachers
começaram o seu set. A banda veio ao norte apresentar o álbum ‘A Free Spirit Death’ editado
recentemente pela O Cão da Garagem. O duo composto por Rafael Santos (voz e guitarra) e João Paulo Ferreira (bateria e voz) abriu as “hostilidades” da
noite com o seu rock frenético e impulsivo. Quase como se tivessem pressa antes
que chegasse o amanhã. Uma mixórdia de punk rock, com garage e psicadélico ao
qual o público foi reagindo aos poucos, entrando na onda do som da banda da “margem sul”, usando a expressão
utlizada pelos próprios. Após cerca de 40 minutos de actuação terminaram dando
uma boa imagem.
The Poppers
A banda lisboeta apresentou-se
no palco do Teatro da Associação Mútuos
Socorros Freamundense de forma destemida logo de início. O vocalista Rai (Luís Raimundo) na voz e na
guitarra aventurou-se cedo fora do palco vindo cantar até à plateia. Em todo o
concerto a irreverência de toda a banda (de 4 elementos) transpirou Rock & Roll, pode-se dizer que o
estilo musical esteve à solta no seu estado completamente puro.
Foi uma actuação totalmente
interactiva, mais era mesmo de todo impossível. Rai a certa altura pergunta ao público quem é que sabe tocar
guitarra e baixo. Um pouco mais à frente convidou um jovem da assistência para
tocar a sua guitarra e subiu a uma das colunas a pedir palmas. Depois chamou
outro jovem para o baixo. Convidou igualmente membros do staff (cremos que da
sua equipa) e de repetente estávamos numa espécie de jam à solta. Acabou por
ser um momento bonito de interacção.
“Lucifer” o
último registo discográfico da banda lançado o ano passado foi abordado com
temas como “Peyote”, “Do You Remember” e pelo single “In The Morning” a primeira canção
lançada desse disco. A bem conseguida performance dos The Poppers terminou com “Drynamill”,
uma das mais fortes canções da discografia deste quarteto.
Killimanjaro
O trio proveniente de Barcelos
fez a sua estreia em Freamunde e logo com um excelente cartão-de-visita.
Liderados por Zé Gomes e contando
igualmente com Masquete e Joni, entraram em palco já passava da 1
hora da manhã. A casa cheia que já se registava desde os The Poppers ficou um pouco reforçada para Killimanjaro. Com o seu heavy rock e os seus riffs bem delineados
tomaram totalmente conta do teatro. Pela primeira vez na noite o público vive o
concerto de forma compenetrada, notou-se pela plateia acima que tínhamos vários
fãs da formação barcelense. As filas da frente ficam reservadas como uma
espécie de fosso do mosh.

Tratou-se de uma actuação muito
bem conseguida, dentro da nossa expectativa pelo que pelas reações de quem esteve
presente, podemos afirmar que também ficaram bem satisfeitos.
Para encerramento a banda fez
uma cover de “Ace Of Spades” dos Motorhead.
800 Gondomar
Tínhamos visto os 800 Gondomar no final de 2017 sendo que
agora repetimos a experiência, noutro local com outro enquadramento. A sua
formação é composta por Rui Fonseca
(bateria e voz), Alô Farooq (baixo e
voz) e Frederico Ferreira (guitarra
e voz).
A banda originária da área
metropolitana do Porto mostrou-se completamente fiel ao seu estilo. De fileiras
cerradas com 2 guitarras e uma bateria, sempre a 3 vozes a actuação de 30
minutos foi, como esperado, bem intensa. A atitude punk é imagem de marca, sendo-lhes
algo totalmente inato e natural.
“Linhas de Baixo” é o álbum de
estreia inspirado no universo portuense e respectivas vivências. Vem a ser
mostrado ao vivo em Portugal e também no estrangeiro. Chegou a Freamunde e ao Walk & Dance 2018 já com a devida
rotação.
O final da noite aconteceu com
DJ Set de Nuno Rabino.
https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265
Dia 4 – Sábado, 31 de março
Ao último dia tivemos o dia
mais preenchido do Walk &Dance 2018
com o primeiro concerto a começar de tarde. Apesar de ter sido o dia de clima
mais estável no qual pouco choveu, o concerto e DJ set da tarde tiveram o seu
local alterado.
Jonny Abbey
Devido a um imprevisto de
última hora, não pudemos estar presentes para ver a performance do duo Jonny Abbey. São formados por Jonny Abbey e Cecília Costa e são uma das bandas que estão no nosso “radar”. Por
isso mesmo queríamos ter visto o concerto. Infelizmente não aconteceu e
chegou-nos aos ouvidos que foi uma bonita performance. Fica, sem dúvida, para
uma próxima oportunidade.
A tarde encerrou com DJ set de
João Moura.
Jerónimo
O palco Ibérium Cafés situado Teatro
da Associação Mútuos Socorros Freamundense foi aberto pelos Jerónimo no arranque da 4ª e última
noite de Walk & Dance 2018.
A banda de Leiria formada por
3 irmãos (Gil, Nuno e Luís) apresentou
o seu som baseado num registo indie com uma forte componente electrónica
apoiada em 2 teclados, em uma 1 guitarra e nas vozes de todos os elementos. A
sua atuação foi interessante e um bom começo de noite.
Flying Cages
O quarteto de Coimbra
apresentou-se pela segunda vez na terra dos capões para apresentarem o seu
segundo álbum ‘Woolgather’ lançado
em 2017.
Com uma formação típica de
banda rock, Zé Costa (voz), Rui Martins (bateria) Francisco Frutuoso (guitarra) e
Bernardo Franco (baixo) mostraram
um som cativante de forma animada.
Som esse que divaga entre o rock, o pop e o indie numa fusão competente, uma
sonoridade agradável aos ouvidos e que nos põe predispostos a ouvir as canções
desta banda mais vezes.
“La
Folie” foi um dos temas apresentados (eventualmente um dos mais
conhecidos) e bem acolhido pelo público, assim como aconteceu na maior parte
dos temas tocados ao longo os 50 minutos que estiveram em palco.
Moullinex
Luís
Gomes (DJ e multi-instrumentalista) apresentou-se em Freamunde para um concerto com a sua banda para
apresentar ‘Hypersex’ (lançado via Discotexas) e pegando nas palavras do
próprio artista para mostrar “uma carta
de amor colectiva para a comunidade da música de dança” como
disse numa entrevista ao site da Red Bull. Realmente foi isso que vimos e
vivenciamos.
Foi o concerto de maior
afluência tendo o Teatro registado
casa cheia, foi mesmo um concerto incrível com uma vibe altamente positiva.
Já é uma espécie de imagem de
marca do artista a presença de ananás e estavam 2 em cima de cada uma das
colunas quer do lado direito e do esquerdo, do palco. Colunas multiusos, de
“cabides” de roupa a palco para Luís
Gomes interagir com o público.

“Bem
vindos ao Hypersex (…) nós estamos aqui para vos fazer dançar” deu o
mote para um concerto incrível, sem dúvida, o ponto alto do Walk & Dance 2018. Um espectáculo no verdadeiro sentido da palavra no qual a
componente visual foi primordial. Foi um único concerto com direito um ecrã
como “pano de fundo” em que foram sempre passando imagens/vídeos, sempre híper
coloridos.
Luís
Gomes não se coibiu de
elogiar Freamunde e a sua maior festa, as Sebastianas. Desde que lá tocou ficou
impressionado com as pessoas e o modo como vivem essas festividades incluído a
tradicional Vacas de Fogo.
‘Parti
uma corda no baixo, já não acontecia há anos. Só em Freamunde’
exclama Luís Gomes desculpando-se se
a música anterior não soou como deveria… Tal revela a intensidade como o
próprio viveu o concerto assim como todos os parceiros de banda que estiveram
em palco. Todos os elementos em palco são fundamentais, porém é imprescindível
de referir a presença teatral e totalmente cénica do “mestre-de-cerimónias” com
o seu estilo excêntrico e radical.
“Love
Love Love”, “Work It Out”
e “Painting By Numbers” foram alguns
dos temas tocados do último registo discográfico e muito bem recebidos pela
numerosa assistência presente.
Intensidade vivida de igual
modo por todo o público mergulhado e quase como que em êxtase no processo de
interiorizar as letras, a sonoridade e a forte energia contagiante. Audiência
sempre de sorriso aberto a mover os corpos ao som do groove e a agarrar cada momento. Existiu uma simbiose bonita de ver
e vivenciar.
O final deste concerto
aconteceu com os refrões orelhudos de “Take
My Pain Away” entoados em uníssono (já durante o encore) e com o crowdsurf de Moullinex. Uma performance para
recordar e que marca definitivamente o Walk
& Dance 2018.
Pista
Fim de Moullinex, foi tempo de descermos a rua até ao Espaço A para outra sessão dançante desta vez com Pista. Concerto iniciado já passava das
3 horas da manhã. Estes 3 simpáticos rapazes do Barreiro ofereceram-nos o que
achamos ter sido o concerto épico do Walk
& Dance 2018 dada a impressionante e continua energia com que nos
ofereceram as suas canções. Com o bar lotado e as pessoas a juntarem-se em
frente do palco tivemos um concerto divertido e que não permitiu que ficássemos
encostados inertes a uma parede qualquer.
“Bamboleio”, provavelmente o tema
mais conhecido foi um dos momentos altos da actuação deste trio. Cantam todos a
determinados momentos, sendo o som maioritariamente instrumental e mais que super
ritmado. Banda composta pelo Bruno
que toca bateria e nas guitarras o Cláudio
e o Ernesto.
Foi bonito ver elementos dos Jerónimo, dos Flying Cages e de Luís Gomes
(Moullinex) juntarem-se à festa e a curtirem o som. A parte dos concertos
não poderia mesmo ter terminado de melhor maneira.
O final da noite aconteceu com
DJ Set de Mojo Hannah.
https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265
Notas finais
Tal como no ano passado, em
que o HeadLiner foi pela 1ª vez
Media Partner do Walk & Dance,
tratou-se mais uma vez de uma excelente vivência num festival de pequenas
dimensões (digamos assim). Público de várias idades predominantemente na casa
dos vintes e dos trintas, e de ambos os géneros e com muita gente bonita. A The New Party Makers a organizadora do
evento fez este ano uma aposta mais ambiciosa e a verdade é que deu frutos.
Esta entidade é composta por gente simpática que adora música, que trabalha
nesta organização com afinco e gosto. Podem achar que estamos a bajular mas tal
não corresponde à verdade. Quem conhece sabe que estamos a ser correctos nas
nossas afirmações. Por isso a nossa ainda maior satisfação por ter corrido tudo
muito bem e ter dito uma óptima adesão de público. O mau tempo não foi
felizmente um entrave, afinal não foi nada que não se tivesse conseguido
contornar.
Dito isto, até para o ano Walk & Dance!
Texto: Edgar Silva
