Vilar de Mouros: o festival caminha com passos sólidos para ser uma referência! (parte 2)

Recinto do Festival EDP Vilar de Mouros

Dia 25 de agosto – Dia 3 do festival

Ao último dia de festival, voltamos de regresso ao festival. Ficamos instalados em Viana do Castelo e repetimos o percurso. Os concertos começaram ligeiramente mais tarde e aproveitamos, como umas quantas dezenas de pessoas, para ir até ao café da aldeia espreitar o derby lisboeta em futebol. Por lá as coisas estavam animadas e o realizar deste jogo acabou por ter impacto na adesão das pessoas ao primeiro concerto deste sábado.

Coube a Luís Severo as honras do primeiro concerto do dia de encerramento. Não estavam muitas pessoas a assistir ao seu concerto. Ainda assim o empenhamento do artista com a sua banda não foi menor. O artista agora vai alternando entre concertos a solo (como tinha sucedido no dia anterior) e com a sua banda de mais 3 elementos, tal foi este o caso no Festival EDP Vilar de Mouros. Esteve em palco com uma T-shirt amarela da banda portuense 800 Gondomar e apresentou as suas canções a um público muito na expectativa e não muito reativo, tirando no final de algumas canções e no final do concerto. Canções como “Boa Companhia” ou “Meu Amor” formaram um belo postal naquele que foi um bonito e bem agradável final de tarde.

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Luis Severo em palco

John Cale
tem a sua vida musical intimamente ligada aos The Velvet Underground banda da qual fez parte porém uma longa carreira a solo pontificada nos longínquos anos 70 do século passado são o motivo evidente para esta presença. Com algum atraso relativamente à hora estipulada entrou em palco para ter diante si uma audiência já em número bem razoável. O seu concerto assentou numa forte componente visual, em todos os ecrãs passaram vídeos com imagens abstratas. Os seus temas de rock experimental são noctívagos e numa onda mais soturna.

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John Cale em palco

A seguir tivemos os Los Lobos em estreia em solo português. Literalmente o “disco virou” para um tom musical festivo e alegre. A banda norte-americana claramente influenciada pela música mexicana e espanhola e com guias mestras nos estilos country e folk trouxeram a boa disposição aos milhares já presentes no recinto. O ponto alto da sua
performance foi no fecho com “La Bamba”, canção original do cantor Ritchie
Valens
e cuja versão de Los Lobos, eternizada num bem conhecido filme, deu-lhes o reconhecimento mundial. Êxito tocado para êxtase de todos os presentes.

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Los Lobos em palco

Quase a atingir o pico máximo de assistência nesta última noite tivemos a banda belga
dEUS. A banda de Tom Barman conta já com uma falange de fãs fiéis seguidores em Portugal, algo que constatamos muito facilmente. Esta presença nesta edição do Festival EDP Vilar de Mouros antecede a preparação de um novo trabalho discográfico pelo que não tivemos direito a novas canções. Barman expressou-se num português perfeitamente percetível por entre o seu evidente sotaque proporcionando desse modo uma ligação mais quente entre a banda e o público. Canções como “The Architect” e “Bad Timing” foram tocadas e interiorizadas principalmente pelos fãs mais acérrimos. Foi, sem dúvida, uma performance muito bem conseguida com as suas canções assentes num rock de muita classe.

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Tom Barman dos dEUS

Tim Booth
para gáudio dos milhares de fãs dos James presentes não regateou esforços nesta que foi a 31ª aparição da banda britânica em Portugal. Concertos dos James são sempre memoráveis e este acabou por não fugir à regra numa belíssima noite de verão. Sendo fiel a si mesmo Tim Booth esteve sempre em conexão com os seus fãs acabando por fazer crowdsurf em várias ocasiões. Foi numa essas ocasiões e já em cima do público que faz uma chamada de atenção para não lhe “espetarem” com os telemóveis na cara. Afirmou se vai ter com as pessoas é para “brincar” com elas. Elogiou o público por estar a “reagir muito bem às novas canções” como foram os casos de “Many Faces” , “Hank” ou “Leviathan” que fazem parte do álbum ‘Living in Extraordinary Times’. Foram muitos os momentos de comunhão entre a banda e o público. Os seus êxitos já são reconhecidos por diversas gerações e canções tais como “Getting Away With It”; “Sit Down” ; “Come Home” ; “Laid” e “Sometimes” (tema com que brilhantemente encerraram o concerto no
encore) são já verdadeiros hinos! No final a sensação é de que soube a pouco…
Ainda assim as pessoas estavam satisfeitas.

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Tim Booth dos James

A noite encerrou com a atuação dos Crystal Fighters. Obviamente parte significativa dos festivaleiros deu por encerrada a noite com os James, ainda assim, o concerto teve a adesão de muita juventude como já era expectável. A banda (já acostumada a vir tocar a Portugal) que deambula nas suas origens entre Inglaterra e Espanha trouxe consigo uma enorme boa disposição e os ingredientes certos para um final de noite em verdadeira
“fiesta”! O vocalista (com o seu “fato de emergência” laranja) instou todos os presentes a viverem o momento, algo devidamente aceite, tornando o espaço numa verdadeira pista de dança. Canções como “I Love London” ; “ LA Calling” ; “Boomin’ In Your Jeep” e “You + I” foram devidamente festejadas e acompanhadas para gáudio da jovem audiência. A
“fiesta” terminou com “Plage” e imensos balões gigantes com o nome da banda por entre o público para diversão de todos.

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Um dos elementos dos Crystal Fighters em palco

Notas finais

O Festival EDP Vilar de Mouros tem agora todos os ingredientes para progredir e ficar definitivamente assente no calendário dos festivais nacionais. Após anos de interregno devido a divergências parece que as entidades atualmente envolvidas na realização do
evento estão em concordância e com planos futuros sólidos, assim o revelaram numa conferência de imprensa minutos antes dos James entrarem em palco.

Em boa hora diremos nós pois, pela nossa vivência em Vilar de Mouros, ficamos com a clara sensação que há condições para o festival acontecer com “qualidade de vida” e que há um público particular sedento de ser servido pelas linhas mestras a que se propõe este festival no Alto Minho.

Estão prometidas melhores condições para os próximos anos e um crescimento sustentado. Este ano a média diária rondou as cerca de 10 mil pessoas/dia e a organização não quer passar de um máximo de 15 mil pessoas/dia, algo que parece-nos perfeitamente exequível.

Durante as horas que estivemos na bonita aldeia minhota de Vilar de Mouros passamos
horas bem agradáveis num ambiente festivaleiro ligeiramente diferente do que podemos verificar noutros eventos musicais do género. Realmente, devido às opções musicais, é frequentado por pessoas de faixas etárias mais velhas ainda assim o entusiamo não é menor, até pelo contrário. A boa onda e o respeito máximo foram premissas observadas. As condições são boas para os campistas e o espírito de toda a gente é guiado pela amizade e por viver bons momentos.

Álbum de fotos exclusivas do primeiro dia do festival : clicar aqui
 Luis Severo | John Cale | Los Lobos | dEUS | James | Crystal Fighters

Álbum de fotos exclusivas do ambiente do festival, dentro e fora do recinto : clicar aqui

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Luísa Rodrigues – https://ieyephoto.com/

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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