Yee-haw! – Há um novo cowboyy na pradaria musical

Stan Powell, o vocalista dos cowboyy | mais fotos clicar aqui

Em 2022 emergiu o Sonus Art Fest numa empreitada ousada por Pedro Carvalho, Filipe Carvalho e João Lemos. Estes três jovens empreendedores são os responsáveis pela Revista Sound e igualmente os fundadores deste festival artístico. Um evento que vai além da música, embora este seja o seu foco principal. Proporciona também espaço físico a jovens criadores. Estes ganham assim, deste modo, uma plataforma para exporem a sua criatividade em áreas diversas que vão da fotografia, ao design ou pintura, só para citar alguns exemplos. Este ano houve mais um acrescento na programação, a novidade foi um “Independent Market”

O sucesso foi a nota dominante das primeiras edições e para tal contribuiu imenso a estreia em território nacional dos Deadletter em 2023 e a presença dos Maruja em 2024. Vale a pena relembrar a passagem dos Maruja por Portugal neste 2026 com quatro concertos: três em nome próprio todos esgotados (marcamos presença numa das noites portuenses, a reportagem pode ler lida aqui) e uma memorável passagem pelo Vodafone Paredes de Coura aonde também marcamos presença, a reportagem pode ser lida aqui.

Efetivamente o filão britânico dos talentos emergentes tem sido extremamente bem explorado pelo Sonus Art Fest e por isso não é de admirar que nesta quinta edição as bandas oriundas do Reino Unido formaram o maior contingente.

A estreia de Dana Margolin a solo em Portugal | mais fotos clicar aqui

Depois do “salto de fé” com a passagem a dois dias este ano a situação repetiu-se. O evento iniciou-se na noite da passada sexta-feira, dia 9 de outubro, com o regresso de Dana Margolin a Guimarães. Desta vez a solo. Já tinha visitado a Cidade Berço integrada nos Porridge Radio, banda da qual foi vocalista. A reportagem deste concerto pode ser lida aqui. A sua memória estava bem fresca e durante o concerto relembrou essa visita feita há 4 anos.

A britânica lançou “Big Beautiful Sound”, single de estreia do seu projeto a solo. Esta é única faixa editada oficialmente, ocorreu no passado dia 16 de setembro, foi o 4º tema que a artista tocou. Apresentou-se sozinha somente com a sua guitarra. Logo na entrada às 21:30h arriscou um “boa noite” que saiu-lhe um pouco arranhado no entanto perfeitamente percetível.

Perspetivas de Dana Margolin | mais fotos clicar aqui

As pessoas foram entrando com o decorrer da performance e a cantora britânica teve perante si uma audiência em bom número, Dana fez mesmo questão de agradecer às pessoas por terem vindo mais cedo. Ela demonstrou-se sorridente e muito feliz pelo seu regresso, elogiando o tratamento muito simpático que teve.

A voz de Margolin tem um je ne sais quoi muito particular e que me faz ser muito fã da sua voz. Ao contrário daquela noite de novembro de 2022, o seu desempenho vocal esteve limitado, desta vez a sua voz esteve impecável e pude desfruta-la no seu máximo durante cerca de 50 minutos.

Com um outfit descontraído, de camisa num tom branco sujo e umas calças num tom encarnado, deu-nos excelentes pistas para o seu álbum de estreia a solo. Desta sua performance vimaranense gostei muito de escutar os temas “Easy To Me” e “The Mountain”, esta última foi mesmo a faixa de encerramento do seu concerto e soou fabulosa.

Uma estreia a solo de Dana Margolin bem auspiciosa | mais fotos clicar aqui

Não há muita informação sobre os Hank, banda de Londres. Tive de esburacar um bocadinho do Google para obter umas preciosas dicas. Na guitarra esteve Lola Stephen, no baixo Claryn Chong, noutra guitarra George Coggan e na bateria tivemos Ash Cooper. Os desempenhos vocais foram partilhados a três por Lola, Claryn e George.

O maior momento deste projeto, até ao momento, foi a participação no Primavera Sound de Barcelona, no passado mês de junho, numa atuação ocorrida na programação do Primavera a la Ciutat.

Hank em palco com destaque para o baterista | mais fotos clicar aqui

Na primeira vez em Guimarães deixaram um gostinho bom do seu projeto. “Bop It” foi o segundo tema que tocaram e este foi um pronuncio bem positivo para o resto da atuação. Realmente foi uma estreia bem agradável, nem as dificuldades que houve com a bateria em diversas ocasiões retiram minimamente o brilho da boa vibe que deixaram com o seu som, tem fortíssimo travo melancólico em que o shoegaze mistura-se com indie rock.

Os Hank são alicerçados pela presença visualmente bonita e imponente de Lola Stephen, o seu membro mais proeminente. Este jovem quarteto londrino tem muito potencial e desperta-me algum interesse. Vou procurar acompanhar os seus próximos tempos.

Em destaque Lola Stephen dos Hank | mais fotos clicar aqui

‘Twisted Grip’ é o único registo que têm editado até ao momento, datado de setembro de 2024. Tocaram desse disco “Pull It Off”, uma faixa a reter da discografia que têm até ao momento. Já “Claryn’s Song”, o single mais recente, foi tocado e também merece ser destacado proeminente.

Esta performance dos Hank foi o segundo concerto do Sonus Art Fest em 2026 e provavelmente o que teve mais público da primeira noite do evento, o átrio das salas de ensaio no Teatro Jordão estava bem composto.

Em destaque Claryn Chong dos Hank | mais fotos clicar aqui

Na voz e guitarra esteve o Stan Powell, no baixo o Kai Smith e na bateria o Dan Hayson. Eles são os cowboyy e fizeram a sua estreia em Portugal com o seu disruptivo math rock. A minha expetativa estava algo elevada e confirmaram-se as boas expetativas. Este trio deu efetivamente muita boa conta de si de uma maneira extremamente descontraída.

Para memória futura fica o registo para Stan, um vocalista a ter vibes e um visual a fazer lembrar uma das maiores personalidades da música mundial, falo pois de Kurt Cobain dos Nirvana. Ele revelou-se um talentoso guitarrista, virtuoso a dedilhar as cordas, uma das suas curiosidades foi a de gravar riffs na fase inicial dos temas, a fazer lembrar um Noiserv ou uma Surma. Fez uso permanente dos seus pedais numa tarefa deveras exigente.

cowboyy em palco com destaque para o baterista | mais fotos clicar aqui

Falei no visual de Stan porém devo realçar que os três têm visuais muito distintos e que de certa forma se complementam entre si.

O vocalista revelou estarem bastante nervosos por estarem a tocar as novas malhas. Na bagagem veio ‘revocder’, o álbum de estreia, acabadinho de ser editado. Deste disco, para meu contentamento, tocaram a minha faixa preferida “melancholy (chain)” logo na fase inicial.

O vocalista Stan dos cowboyy | mais fotos clicar aqui

Já tocada na fase final “incomplete” soou simplesmente incrível. Eles que até repetiram a performance de um dos temas por terem asneirado da primeira vez. Tiveram essa frescura de exigência e de pensamento.

A performance dos cowboyy foi mesmo o meu concerto preferido da noite, fica como registo complementar outros dois temas tocados: “Gmaps” e “drawbridge, castle”. Apreciei bastante estes rapazes e pretendo continuar bem atento à sua carreira. Mais uma estreia nacional proporcionada pelo Sonus Art Fest que continua a ter uma curadoria de excelência.

Kai e Stan dos cowboyy | mais fotos clicar aqui

Joachim Baumerder no violino e Simon Lacouture na bateria formam o duo francês marta. Formados em 2022 deram nas vistas com as suas performances bastante enérgicas do seu estilo live techno. Tiveram direito a um palco específico, no meio do recinto ao estilo de 360°, o que permitiu ao público escolher um ângulo para ver a sua atuação. A catapultar a atuação do duo parisiense esteve com uma instalação cruzada de luzes brancas e vermelhas.

‘Push’, editado em abril deste ano, é a razão para andarem em tournée e trouxeram-nos as suas novas composições. Têm uma identidade muito própria em que os seus temas têm um traço muito específico, é deveras repetitivo e pensado para as pistas de dança… Tocaram em cima de batidas pré gravadas e tanto a bateria como o violino passaram pelo crivo dos efeitos. De início a fim foi uma sequência pujante e ininterrupta num tom algo redundante.

Simon e Joachim dos marta | mais fotos clicar aqui

Joachim esteve sempre de pé, com energia para dar e vender, puxou sempre pelo público. Já Simon, por força do instrumento que toca, catapultou as suas energias sentado porém isso não foi impeditivo de se ter mostrado pujante.

Foi um show techno com boa adesão do público, se bem que teve também muita gente a circular entre o interior e exterior. Efetivamente não é bem a “minha praia” e não fiquei fã do seu repertório. Falei com outras pessoas, mais viradas para o universo eletrónico, confessaram-me que apreciaram bastante o concerto.

A dupla francesa marta | mais fotos clicar aqui

A casa não esteve lotada porém devo registar que se registou uma cifra de público num excelente número. Com muita gente a marcar presença de propósito a Guimarães vindas de cidades como o Porto, Penafiel ou Viana do Castelo. Este é um claro sinal do sucesso do Sonus Art Fest e do seu poder de alcançar públicos de todo o norte do país.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Público bem atento durante os Hank | mais fotos clicar aqui

Texto:
–  Edgar Silva

Fotografia:
– Maria Vilaça @ mgvertex_ (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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