Dentro da nossa nave espacial, viajamos para o Ecos do Lima | Reportagem

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Há um ano zarpámos da nossa casa,
a uns bons 50 kms, para onde habitavam sereias e marinheiros ao longo do bonito
rio Lima. Este ano, apesar de ser o mesmo destino, descolámos para um planeta
numa galáxia distante onde habitam seres que foram criados para grandes feitos,
um desses feitos tem nome de Festival Ecos do Lima.

Mais um ano em que o HeadLiner
foi Media Partner deste festival organizado por jovens da terra que não se
contentam com pouco, e que por isso pensam em grande. A grande prova disso foi
o cartaz que este ano a organização conseguiu trazer para o Alto Minho, longe
de metrópoles, de grandes civilizações.

Após a viagem na nossa nave
espacial (e especial) sobre o asfalto da autoestrada A27, aterrámos em Ponte da
Barca
. Seria um fim-de-semana rodeado de criaturas doutro mundo, criaturas que
dão muito a quem vem de fora, dão principalmente amor e sorrisos. Embora já
tenhamos percorrido muitos concertos e festivais por esse país fora, o cartaz
que habitava naquele fim de semana na vila minhota, oferecia-nos algumas
bandas de excelência ainda não vistas por nós, por isso a nossa expectativa estava bem alta para essas tais estreias.

Ao entrar pelo pequeno pórtico
coberto por um manto azul que nos levaria para dentro do palco de todos os
acontecimentos, hipnotizados, lá fomos conduzidos pelo caminho traçado pelos
feixes de luz de ‘Silverlines’. Exposição que deambulava entre as árvores
vestidas e que mostrava a arte de vários artistas em todas as suas vertentes,
desde a fotografia analógica e a pintura ao design gráfico, entre outros.

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Passava das 22h, ainda com o
recinto um pouco despido quando começámos a ouvir o primeiro rosnar das
guitarras dos Elephant Maze, banda lisboeta que trouxe na bagagem o seu garage
noise psicadélico e o seu primeiro trabalho discográfico ‘Tidas Waves’.
A banda veio substituir os Moon Preachers, mas em nada faltou. Com a voz
a transbordar de reverb, o duo era escondido pelos seus longos cabelos,
e apenas o fuzz soltou as feras de forma a conseguirmos perceber quem
eram as criaturas daquele planeta que rasgavam o ar com a distorção ao máximo.

Muito do público teve o privilégio de ter
assistido a algumas das bandas do primeiro dia em estreia, deve-se muito
provavelmente pelo facto de todas serem oriundas de uma metrópole mui distante,
Lisboa. Os Grand Sun vieram com a jarda toda. Muito provavelmente mais
para lá do que para cá, trouxeram com eles uma das maiores enchentes que vimos
nas margens daquele rio. Com o recinto já bem composto e com o calor a fazer-se
sentir, foi impossível não dançar ao som do quarteto. ‘The Plastic People of
The Universe’
é o seu mais recente trabalho e tocado no festival. Por muito que
algumas músicas até pudessem ser mais jazzy e calmas, o teclista da
banda era claramente o frontman, pondo toda a sua irreverência e
desvairo em palco, fazendo com que fez muita gente o acompanhasse no headbaging
sem fim. Por vezes, fez lembrar Marc Rebillet, aquela figura bem
marcante por detrás dos teclados e que se destacava de entre todos. A certo
momento, António (teclista), distribui 1,5L de vinho que um velhote da vila
lhes tinha dado, oferecendo um brinde a todos os que os assistiam naquela
noite.

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

A terceira banda da noite começou
já bem tarde e longe da hora que estava previamente agendada, era mais uma
vinda diretamente da capital, os Reis da República, a primeira da
família Cuca Monga, discográfica que tinha viajado todo o país para
passar aquele fim de semana de férias naquele planeta encantado. Não só tinha a
maior comitiva, como era também a banda composta por mais elementos. Foram 6 em
cima do palco do Ecos do Lima com Madalena Tamen a cantar e a encantar em bom
português. Vieram apresentar a sua primeiro longa duração ‘Fábulas’, depois do
seu EP de estreia com o single “Samurai” que também fez parte da setlist.
À nossa frente estava toda a família Cuca Monga, que fazia a festa toda e que
contagiava as centenas de pessoas que enchiam a proa daquele grande recinto.

Para fechar a noite, vieram do
outro lado da galáxia os Naked Giants. A banda, que já andou em
digressão com os grandes Car Seat Headrest, estreou-se assim em terras
lusas, pousando naquela vila Minhota, trazida por uns miúdos que de pouco fazem
muito.

O trio de Seatle veio com a corda
toda, mostrando agrado por tocar para aquele público lindo, junto a um rio
ainda mais bonito, segundo as suas palavras. O baterista Henry LaValee,
que entrou pela primeira em palco, mostrou sempre uma vontade enorme de tocar
com um constante sorriso na cara e, por detrás da bateria, revelou-se um animal
de palco que libertara toda a sua energia. Aliás, o trio não estava lá para
brincadeiras, foi pouco mais de uma hora sempre a jardar e a mostrar o seu surf
rock. Foi bem cedo que a pujança do baterista fez com que se rebentasse com a
tarola, e foi a pedido deste que o baterista dos Grand Sun disponibilizaram
a sua. Entre esta troca, fomos presentados com uma jam session entre o
baixista e a guitarrista de Grant Mullen. Em cena esteve o seu disco
‘SLUFF’, um disco cheio de malhas que não faltaram, como “TV”, “Everybody
Thinks They Know (But No One Really Knows)”
ou “Dead/Alien”. O surf rock foi
uma constante tal que “transbordou o rio” e fez com que houvesse a primeira
moche da noite. O pó não chegou a levantar, mas a moche parecia sem fim. A
estreia de uma banda que ainda irá dar que falar. Um dos melhores concertos que
vimos este ano e que não sairá das nossas cabeças tão cedo.

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Dia 2, a chuva abençoada apareceu naquela
terra encantada, mas nada que fizesse demover os festivaleiros de fazerem uma
festa tribal com Os Camelos. A banda vinda de um planeta quente onde o
samba é rei, com apenas um saxofone tenor, um djembe e um contrabaixo, foi o quanto
bastou para pôr dezenas de corajosos a fazer a dança da chuva e afugentar esta
para bem longe. Não é que resultou mesmo?!

Às 22h marcou então o início
desta última viagem intergaláctica até ao palco Ecos, e muito à imagem
do dia anterior, começou com a distorção ligada ao máximo com o happy stoner
dos Cosmic Mass. A banda de Aveiro, que muito gosta de falar a língua do
nosso país vizinho, veio apresentar o seu único trabalho discográfico até ao
momento, ‘Vice Blossoms’. Miguel Menano, vocalista da banda, fez-nos
confundir por vezes com o vocalista da banda Titus Andronicus. António
Ventura
, guitarrista, apesar da sua postura tímida em palco era o quem
rasgava música adentro com solos muito bem estudados. Mas foi pelo endiabrado
baixista André Guimarães, que o publico se deu mais após este ter pedido
ao publico para perder a vergonha e se aproximar mais do palco.

A segunda banda veio para aquecer
a noite que se fazia sentir fria. Os Quadra vieram com os seus sabores
tropicais de ‘Chili’, o seu álbum mais recente, e o ‘Cacau’ e deram-nos a
provar às centenas de pessoas que já iam preenchendo o palco principal. Os
elogios das bandas ao pessoal da organização vieram também do baterista da
banda de Braga, Hugo Couto, por valorizar e dinamizar as suas terras e
que para eles era um enorme prazer em tocar num sítio tão bonito como aquele.
Apesar de uns pequenos contratempos que houve com a bateria, todos os cinco
elementos mostraram que estavam ali para fazer a festa e transformar aquelas
margens do rio numa pista de dança a céu aberto.

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Das margens do Sul, chega-nos mais
uma banda da família Cuca Monga, editora discográfica de bandas como Reis
da República, Luís Severo, Ganso
ou estes Zarco, 5 descobridores que
partiram não para o Atlântico, mas para um planeta numa galáxia distante de
nome Ecos do Lima. A banda de Lisboa bebe de várias influências, e isso está
bem audível no seu primeiro EP ‘Zarcotráfico’, indo à música popular portuguesa
ou até à música popular brasileira, oferecendo a todos que os ouvem viagens
sobre marés altas e salgadas. À nossa frente estava mais uma vez toda a equipa
da sua discográfica a fazer a festa, a cantar e a fazer cantar quem pouco
conhecia o trabalho do quinteto. Ainda fomos presenteados por duas músicas
novas que irão embarcar no seu novo álbum a ser lançado em Outubro, com
“Vitamina Z” e “Sombra”, música que irá abrir o seu novo trabalho.

Para fechar esta viagem pelo
mundo do Ecos do Lima construído com muito amor, estiveram os Cave Story.

Das Caldas da Rainha trouxeram ao
norte o seu mais recente ‘Punk Academics’ onde malhas como uma das nossas
favoritas “Special Diners” ou “Available Markets” não faltaram. Músicas mais
radiofónicas como “Body of Work” ou “Southern Hype” também entraram no
reportório da banda que começou já bem noite dentro, fazendo com que alguns
festivaleiros fossem abandonando o palco principal.

A noite não acabava sem antes o
habitual After Party por Francis Bacon e os da casa Wind &
Wurm
.

Foi mais uma viagem espacial
pelas lindas terras de Ponte da Barca, banhadas pelo rio Lima e com a
inigualável ponte romana que dava como pano de fundo a todo aquele cenário
idílico. Uma palavra para todo o pessoal que organiza este pequeno grande
festival e que ano após ano tem mostrado cada vez mais a vontade de fazer
crescer o Festival Ecos do Lima e pôr na rota dos festivaleiros mais um
festival de enorme qualidade no Alto Minho.

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Foto pelo Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Texto: Luís Silva 

Fotografia:

Octávio Carneiro @ Festival Ecos do Lima

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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