
Este mês de novembro foi selecionado por Valter Lobo para uma mini digressão por três das principais cidades lusitanas para uma série de concertos especiais. O pontapé de saída ocorreu a 2 de novembro no Salão Brazil em Coimbra. A 16 de novembro seguiu-se o Auditório da biblioteca Orlando Ribeiro em Lisboa tendo terminado na Cidade Invicta no Auditório CCOP (Círculo Católico de Operários do Porto) na passada noite de 23 de novembro. Foi neste último concerto que marquei presença. Pela terceira vez assisti a uma performance do cantautor fafense a que se soma uma outra como “Lobos
de Barro”.
Ambos os seus trabalhos discográficos a solo: ‘Inverno’ lançado em 2012 e o seu mais conhecido ‘Mediterrâneo’ de 2016 foram abordados neste concerto portuense e quase em ritmo best of, passe o exagero. Na verdade, esta série de concertos foi um fechar de ciclo
sobre a sua discografia até ao presente momento. Em breve Valter Lobo trará a público novos temas, algo a acontecer muito provavelmente no decurso de 2020.
Pela primeira vez entrei na acolhedora sala do Auditório CCOP. Com os predicados indicados ideais para uma noite musical muito bem passada. Felizmente assim o foi!
A música dos brilhantes Cigarretes After Sex ecoou na instalação sonora antes do início da performance e embalados pela sensualidade do som destes norte-americanos tivemos uma preparação auditiva que nos deixou no ponto de rebuçado.
Pouco minutos depois das 22 horas e já com todas as cadeiras devidamente preenchidas Valter Lobo entrou em palco acompanhado por Jorge Moura, músico que acompanhou-o
na guitarra elétrica e na caixa de ritmos. Estava uma noite triste de inverno como disse o artista, uma das muitas que nos têm acompanhado nestas últimas semanas, porém isso não era significado que a noite assim tivesse de ser. Mesmo com a força melancólica e triste das suas canções. “Eu não tenho quem me abrace neste inverno” cantava Valter à passagem da segunda canção. A sensação é que toda a gente no auditório fez por apreciar ao máximo o momento. Tornou-se numa espécie de abraço coletivo de amizade pois a
tristeza e profunda melancolia que as canções transmitem são sentimentos com os
quais todos conseguem relacionar-se.

Depois de “Olha por mim” e “Eu não tenho Quem Me Abrace Neste Inverno” foi a vez para o primeiro salto a ‘Mediterrâneo’ com a faixa que dá nome ao álbum. Seguiram-se “Tenho Saudades” e “O Governo Não Sabe Nada do Nosso Amor” num mergulho mais profundo em ‘Mediterrâneo’
Ao sexto tema aconteceu o primeiro momento alto da noite com a interpretação de um dos temas mais emblemáticos de Valter Lobo. “Quem Me Dera” foi um dos vários
momentos bonitos da noite no qual o público cantou afinadamente ao ritmo da
guitarra clássica tocada por Valter.
No final de “Guarda-me esta noite” o petiz do cantautor, que via o concerto na primeira fila, vocalizou de forma bem audível “já puseste pessoas a chorar”. De facto algumas pessoas emocionaram-se no decorrer das canções incluído o próprio filho do artista que viveu o momento intensamente. Não foi o único diga-se em
abono da verdade.

Deu também para relembrar o projeto “Lobos de Barro” no qual Valter fez parceria com André Barros. Cantou um tema desse trabalho “à capella” pelo auditório adentro em
mais um momento de fino retoque.
Apesar de reconhecer que não consegue articular bem os acordes à guitarra de “Cinema francês”, o cantor entoou um pouco da canção e foi acompanhado pela audiência fazendo assim cumprir um pedido recebido pelas redes sociais. Numa passagem extra setlist.
Sem direito a encore e ao fim de quase 2 horas, “Oeste” foi a escolha para remate de performance num final com coro de pé.
Valter Lobo cumpriu em pleno com a promessa de um concerto especial e muito deveu-se ao seu jeito informal: sempre muito dialogante e bem-disposto algo que é seu apanágio e que bem o caracteriza.
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Jorge Nicolau
