
Jesus the Snake são um quarteto de Vizela, com uma veia vianense nas teclas. A sua formação é composta pelo Jorge Lopes (guitarra), Gonçalo Palmas (teclas), Rui Silva (baixo) e João Costa (bateria). Nasceram em Maio de 2016 e a sua sonoridade assenta no stoner psicadélico dos anos 70 do século passado. A própria banda descreve o seu som
como sendo “um rock instrumental, psicadélico e progressivo”.
Mesmo na ponta final de 2017 lançaram o seu EP de estreia intitulado de ‘Jesus The Snake’. A continuação discográfica aconteceu no passado ano , 11 de Julho, com o lançamento de ‘Black Acid, Pink Rain’, o primeiro longa duração. Este trabalho discográfico teve direito a destaque no HeadLiner como sendo um dos melhores álbuns nacionais do ano que há pouco findou. A lista completa pode ser apreciada aqui.

No decurso do ano passado a equipa do HeadLiner teve a oportunidade de vê-los ao vivo em duas ocasiões distintas ajuizando desse modo a sua valia. A primeira aconteceu em
maio no Oub’Lá em Guimarães, cuja reportagem completa pode ser lida aqui e a segunda ocasião no Porto, a abrir para os The Black Wizards. A reportagem da Cidade Invicta pode ser lida aqui.
Os Jesus the Snake já pisaram alguns palcos e festivais míticos em Portugal como são os casos do Hard Club, no Porto, ou o Sabotage e RCA Club em Lisboa. O festival mais relevante onde estiveram foi o incrível SonicBlast Moledo no ano passado. A nível nacional também já tocaram no Festival Ecos do Lima e no Douro Jam. Internacionalmente já tocaram em Espanha, como por exemplo, no Festival Territorio Lunar e também em França.
A entrevista que poderão ler a seguir, foi realizada num dos últimos concertos da banda nomeadamente na Missa do Galo em Guimarães, um evento que tem vindo a ganhar espaço e relevância organizado por uma promotora/editora
daquela cidade minhota, a Elephante MUSIK.
Entrevista aos Jesus The Snake
HeadLiner: A banda nasceu em 2016, na altura o vosso teclista era o João Alves, com ele gravaram o vosso álbum homónimo ‘Jesus The Snake’. Agora com este ‘Black Acid, Pink Rain’, fizeram quase um remastered das “Floyds”s e da “Karma”, certo? A entrada do Gonçalo Palmas conseguiu dar o seu toque e influenciar esses remastered?
Jorge: Bastante, até porque foi por isso que as voltamos a gravar as 3 músicas. O outro teclista era mais de presença e ele do nada desapareceu, não disse mais nada. Nós fomos abrir para The Atomic Bitchwax no Porto, e não tínhamos teclista. Falamos com o Palmas, que na altura já era nosso amigo. Ele veio desenrascar e acabou por gostar da cena. Nos ensaios fomos trabalhando mais as músicas, fomos vendo que dava para encaixar mais
alguma coisa ali, um solo de teclado acolá. Antes dele não dava. Depois vimos que tivemos que regravar as músicas porque acabaram por estar completamente diferentes.
Rui: Não foi só isso, na altura em que gravamos o EP, o Jorge estava a morar na Suíça, então gravamos aquilo tudo à pressão. O Jorge chegava na sexta, sábado íamos para estúdio e domingo o Jorge tinha de apanhar o avião de volta. Ou seja, o EP acabou por não
sair como nós queríamos. Ficou tudo muito atrapalhado, muito à pressa. Não tivemos a oportunidade de ficar no estúdio, a ouvir e ver o que é que poderíamos melhorar.
Jorge: Deu para termos uma primeira amostra daquilo que nós queríamos chegar. Mas sempre foi a nossa ideia ter um teclista muito mais presente, e com o Palmas conseguimos isso.

HeadLiner: Dando seguimento à pergunta anterior, nas “novas” músicas, “Duna” e “Black Acid, Pink Rain”, o teclado é transportado muitas vezes para primeiro plano. Foi uma exigência do Gonçalo? (risos)
Jorge: Se calhar foi uma exigência mais nossa. Eu gosto bastante de fazer acordes, e estar a dar uns acordes e estar só o piano a dar as notas por baixo, ficaria sempre a faltar alguma coisa, uma voz… E ele como tem a escola de jazz, tem tudo para ter partes só dele e poder javardar à vontade.
HeadLiner: “I haven’t smoked in nearly 17 years but this would have been a Hell of a soundtrack to have back then.”; “This is some Wednesday Night music”; “sounds like 1973” isto são alguns comentários ao vosso disco retirado do youtube que já vai com mais de 30 000 views (!!). Como é que reagem a tantos elogios?
Rui: Ficamos super contentes (risos). Um gajo fica sempre sem jeito quando ouve essas cenas.
Jorge: Nem estamos habituados (risos). Houve pessoal que disse: “Ei pessoal, venham à América tocar e o caralho” e eu até cheguei a responder: “nós somos uma banda mesmo pequena, estamos fodidos para ir a Espanha, pelo menos tão cedo não vamos poder ir”. Eu estava no trabalho quando o álbum saiu, estava sempre a atualizar o Youtube e só via aquilo, 1000, 2000, 3000 (views)
HeadLiner: Como é que vocês descrevem o som do vosso álbum para totós?
Rui: Eish… Boa pergunta. Sei lá, é uma viagem sem fim. Vamos buscar o psicadelismo dos anos 70, e misturamos com riffs pesados, stoner.
Jorge: Misturamos um bocadinho também de jazz. Hoje no concerto (Missa do Galo 2019), tocamos 4 músicas sem parar. A nossa ideia até era chegar, tocar 1h10, sempre sem parar. Hoje decidimos dividir a “Black Acid, Pink Rain” em dois. Começamos, depois tocamos duas músicas no meio, metemos metade de uma música nova e depois voltamos novamente à “Black Acid, Pink Rain”. Gostamos de fazer assim umas brincadeiras.
João: Também é para dar dinâmicas diferentes, para não estarmos a tocar sempre o mesmo. Também é um bocado isso que se nota do 1º EP para o álbum. Foi fazer as cenas melhor.
Rui: O género que tocamos dá para essas coisas, improvisar um bocado, javardar por aí fora.

HeadLiner: Seguindo as vossas redes sociais, não é difícil de perceber que grande parte dos vossos fãs não são de Portugal. Têm alguma explicação para isso? Será que lá fora gostam mais dos 60/70 psychadelic stoner?
Rui: Já nos disseram que se nós fossemos uma banda Alemã ou Holandesa, estávamos mais lá em cima. E mesmo aqui em Portugal temos mercado.
Jorge: De 2016 até agora fomos crescendo devagar, mas tentamos dar passos sólidos e não entrar em grandes filmes. Mas nós tocamos para agradar a nós próprios, não tocamos para agradar a ninguém, por isso estamos bem. Se fosse para agradar alguém, não estávamos a tocar o que tocamos. Por isso estamos bem.
HeadLiner: Vocês dão bastantes concertos lá por fora, já andaram por Espanha, França. Qual foi o público que mais vos surpreendeu pela receção?
Rui: França. Quando nós fomos a França, aquilo foi completamente surreal. O concerto era às 7h30 (PM), o promotor disse-nos para começarmos a tocar e a sala estava vazia. E nós dissemos-lhe “Ei pá, a sala está vazia, não dá para atrasar um bocado?” e ele disse “Pá, já está uma fila enorme lá fora!”. Nós fomos verificar e ya, estava uma fila enorme. No final da 1ª música já estavam umas 150 pessoas lá dentro, e tudo ali à frente a ouvir, caladinhos. E eu até comentei com eles “Eh pá, vocês são um publico espetacular, não falam, estão tão calados a ouvir”, enquanto cá em Portugal, o pessoal está sempre a falar.
HeadLiner: E qual foi a cidade?
Rui: Bordéus.
HeadLiner: De que países compraram o vosso álbum?
João: Eish…. Bastantes, a maior parte foi para a América. Ásia acho que também já enviamos.
Jorge: Já enviamos também para a Grécia, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido… mas a maior parte mesmo é para os Estados Unidos.
Rui: Acho que só não mandamos mesmo para África e para a Austrália.
HeadLiner: Estamos agora a começar um ano novo, 2020, o que é que vocês nos vão trazer? Novas datas? Começar um novo trabalho discográfico?
Jorge: Vamos fazer uma pausa nos concertos. Vamos agora no dia 10 (de janeiro) fazer um encerramento na nossa terra (Vizela), e depois só em Fevereiro para a Porta 253, para ficarmos com um registo filmográfico. Depois estamos a pensar parar e não marcar mais, até porque queremos trabalhar para o novo álbum. Temos já quatro ou cinco músicas. Duas delas já estão bem definidas e falta concluir as outras. Queríamos ver se lançavamos o álbum já para 2020.
Ouçam: Black Acid, Pink Rain
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Bandcamp: jesusthesnake.bandcamp.com
