Na edição de 2019 da Noite de Reis da Bazuuca, saí do Lustre, local onde o evento se voltou a realizar este ano, com suor a escorregar pela face abaixo depois de uma noite frenética com muita dança, “moshes” e claro, excelente música de artistas bracarenses. As
expetativas para esta noite eram elevadas e felizmente posso afirmar que foram
superadas.
A tarefa de abrir a noite ficou nas mãos do Homem Em Catarse, que com apenas guitarra e o seu conjunto de pedais, preencheu a sala, ainda com um público pequeno, com sons espaçosos que acompanhavam a sua voz. Anunciou que a duração do seu concerto, e todos outros, seria de 25 minutos e atempadamente deslizamos para o segundo palco da noite, onde assistimos a Mr. Mojo dar um concerto energético e pesado de stoner rock para um público tímido e ainda a compor-se.
Fazíamos um jogo entre os dois palcos para poder observar todas as bandas, vimos Ivy a encantar a sala ao estilo de dream pop e Clang com musica ambiente e eletrónica.

Rita Sampaio dos Grandfather’s House como IVY, o seu projeto a solo [mais fotos aqui]
Já antes do concerto de Ângela Policia começar, a sala já se encontrava cheia para receber Fernando Fernandes, nome do artista que nos iria dar uma dose dupla esta noite, para além de Ângela Polícia, é o vocalista da banda principal da noite, Bed Legs. A sala mal iluminada conferiu uma excelente atmosfera para o concerto onde Fernando demonstrou as suas habilidades como rapper. Sozinho em palco, celebrou a noite dos Reis (da
Bazuuca), porém o verdadeiro Rei era ele e durante esta noite o seu reino era o
Lustre. A sua presença em palco é inigualável e captou a atenção imparcial de
uma sala cheia onde se encontravam alguns fãs que acompanhavam as letras das
músicas. 25 minutos revelou ser tempo demasiado curto para este concerto.
Já no outro palco presenciamos ao excelenteconcerto, e um dos meus favoritos da noite, da banda Quadra, com uma atuação eletrizante que pôs todos a mexer com ritmos
contagiantes. Previamente ao grande concerto final da noite, NO!ON trouxeram uma mistura de sons experimentais, industriais e eletrónicos para encerrar o palco Letra do Lustre.

Quadra a dar tudo como de costume [mais fotos aqui]
Numa noite com poucos atrasos, os Bed Legs deixaram a sala encher
antes de iniciar o que era o concerto mais aguardado da noite. Iniciaram com um
dos temas mais calmos da sua discografia, “Dreams on Fire”, mas a partir daí foi
sempre a abrir. “Spilling Blood”, “Thief of Myself” e “Dance!” foram alguns dos
temas que tocaram e foram todos estes acompanhados por um público com as letras
ensaiadas enquanto saltavam, dançavam e se empurravam em “moshes”.
O vocalista espalhou a sua magia novamente, iniciou o concerto com uma peruca, perdeu o telemóvel que lhe caíra do bolso enquanto saltava em palco, misturou-se e dançou com o publico até mesmo começar moshes, sem faltar um típico crowdsurf e acabou o concerto sem t-shirt. Irrequieto e energético demonstrou a importância de um excelente
frontman para espetáculos ao vivo, não excluindo também a excelência dos
restantes membros da banda.

Ferna dos Bed Legs com a sua energia contagiante [mais fotos aqui]
Numa nota final, a banda fez uma cover de um tema dos Mão Morta, que encerrou este curto concerto e deixou o público a augar por mais. Demonstraram com mais um concerto que são uma das melhores bandas ao vivo em Portugal e uma banda que ninguém devia perder.
Espero assim um novo encontro no próximo ano com selo da Bazuuca e que se faça desta noite uma tradição.
Vejam toda a foto-reportagem pelo João Machado: clicar aqui
~ aftermovie pela Sofia Vieira:
Texto: Luís Freitas
Fotografia: João Machado
Vídeo: Sofia Vieira
