A noite em que os Big Thief “roubaram” o meu coração

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Adrianne Lenker, a vocalista dos Big Thief [mais fotos aqui]

Algures entre o final de 2017 e o início de 2018, deu-se a minha descoberta deste
incrível projeto musical chamado Big Thief. Graças a um dos Tiny Desk Concerts (pode ser visto aqui) da NPR Music, uma das delícias mais apaixonantes do universo musical que podemos encontrar no YouTube. Aquele concerto que os Big Thief deram nos estúdios daquela rádio pública norte-americano, foi um miminho cujo impacto me abriu portas para o resto da discografia.

A sonoridade das canções dos Big Thief, ganham ao vivo uma vida visceral transcendendo-se para um patamar superior, a força penetrante das letras poderosas e complexas. Oriundos de Nova Iorque, Adrianne Lenker (guitarra, voz), Buck Meek (guitarra, apoio vocal), Max Oleartchik (baixo) e James Krivcheni (bateria) são os membros desta banda à qual designo de uma das mais excitantes dos últimos 5 anos.

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Big Thief em palco no Hard Club [mais fotos aqui]

Prolífica, é a palavra correcta para designar a inspiração musical destes norte-americanos
relativamente ao seu trabalho em 2019, altura em que lançaram dois LP’s num curto
espaço, em apenas meia dúzia de meses de intervalo. Esses trabalhos discográficos
tiveram uma carga categórica já que ambos fizeram parte de diversas listas de
melhores do ano. ‘U.F.O.F.’ foi o primeiro lançado em fevereiro tendo-se seguido ‘Two Hands’, em outubro.

A estreia ao vivo em Portugal deu-se em agosto de 2018 no Vodafone Paredes de Coura num concerto incrível, ainda que sem a presença de um dos elementos, o guitarrista Buck Meek. O meu reencontro deu-se no NOS Primavera Sound do ano passado naquela que foi uma performance festiva e colorida já que tinha sido o último concerto da tournée europeia.

Finalmente à terceira consegui vê-los num concerto em nome próprio e em sala fechada, algo que já ansiava há algum tempo. Aconteceu na passada terça-feira, 18 de
fevereiro, na Sala 1 do Hard Club no Porto num concerto com a chancela da Ritmos.

Nessa noite as portas abriram-se às 21 horas, sendo que, ao mesmo tempo a banda Pays P, um trio francês composto por Laura Boullic (voz), Lucas Valero (guitarra) e Pablo Valero (bateria) começou a debitar os primeiros acordes. Uma apresentação de 30 minutos, bem conseguida e bem recebida pelo público que ia enchendo o recinto. O seu som indie rock “à la française” vale a pena ser conferido.

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Trio francês Pays P no Hard Club [mais fotos aqui]

Quatro minutos depois das 22 horas entraram os Big Thief em palco para contentamento geral. Adrianne Lenker começou o concerto virada de costas para o público (algo que repetiu por alguns instantes em diversos momentos) e logo aí apresentou-se com uma enorme novidade assim que ficou defronte do público. Apresentou-se com um microfone ao estilo headset.

Nos primeiros temas a banda norte-americana decidiu “testar as águas” tocando 3 novas composições, todas muito bem recebidas. Bastante bonitas diga-se em abono da verdade, fico com expetativa para ouvir as versões finais. Os títulos temporários (?) são “2 Rivers”, “Time Escaping” e “Someone 2”.

A quarta canção interpretada foi “Forgotten Eyes”, começando assim os Big Thief a “partir pedra” no que diz na apresentação das canções lançadas em 2019. Seguiu-se uma notável interpretação de “Masterpiece”, um dos seus  temas âncora e um dos responsáveis pelo sucesso inicial da banda. “Shark Smile” e “Mythological Beauty” não faltaram à chamada.

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Guitarrista Buck Meek dos Big Thief [mais fotos aqui]

Antes de “The Toy”, Adrianne revelou sentir-se nada confortável com o headset, dizendo
que, provavelmente, seria o único concerto a utilizar aquela ferramenta. Disse
ainda que não sabia como é que a Britney Spears conseguia, provocando riso geral, referindo-se ao facto dessa sua conterrânea ter usado durante a sua carreira esse
ferramental musical com regularidade.

Antes do encore uma sequência brutal de canções. A bonita “Shoulders”. A notável, poderosa e intrínseca “Not”. A fofinha “Cattails” interpretada na sua totalidade, ao contrário do que tinha acontecido na noite anterior, em Lisboa, já que na capital Adrienne não conseguiu atinar com os acordes. Por fim uma interpretação impecável de “Mary”.
Um deleite para os ouvidos!

Na plateia uma forte presença feminina com pendor jovem numa noite de casa cheia,
algo que os Big Thief realmente merecem.

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Adrianne Lenker, a vocalista dos Big Thief [mais fotos aqui]

Realce para a postura dos quatro elementos da banda, estiveram sempre muito bem-dispostos. Uma palavra especial para Adrianne, sempre comunicativa de uma forma extremamente delicada.

O concerto terminou com “Contact” com a vocalista a utilizar um microfone normal. Apesar do intenso pedido do público a banda não retornou. Foi um set praticamente em estilo ‘best of’ faltando apenas, a meu ver, a interpretação de “Paul”. Um concerto memorável, uma noite em que os Big Thief “roubaram” o meu coração.

Vejam toda a foto-reportagem pela Cláudia Bandeira: clicar aqui

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Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Cláudia Bandeira

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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