
Sexta-feira, 12 de junho, segunda jornada da 12ª edição do Primavera Sound Porto no Parque da Cidade.
Em tudo idêntico o escalonamento dos concertos em termos horários relativamente ao dia de abertura. Teve tem dois emparelhados, tal obrigou sempre a uma escolha preferencial. Pude “picar” um bocadinho ali e acolá, para efeitos de perceção das diferentes realidades musicais, aferição de recinto e escolhas do público. Já se sabia que esta segunda jornada teria lotação esgotada com 40 mil pessoas.

A primeira jornada foi tórrida com bastante calor na expetativa para esta segunda jornada era a de estar ainda mais. Tive conhecimento de umas quantas assistências medicas, algumas vi, por parte dos bombeiros e a perspetiva era de uma sexta-feira a ter bastante cuidado. Por acaso não vi nenhuma. Já o clima continuava muito quente só que felizmente a brisa que passeava pelo recinto ajudou a mitigar efeitos.
Comecei a minha jornada às 16:45h no Palco Estrella Damm com Rita Vian. Com ‘Liga Dura’, álbum acabadinho de lançar no final deste passado mês de maio, Rita Vian surgiu no Primavera com uma apresentação bem polida em formato trio. Teve o com o auxílio de um DJ e também teve um músico na guitarra clássica em dois temas.

Tal como é seu apanágio deambulou pela parte frontal do palco enquanto debitava as suas Letras cantadas em português bem perceptível. O seu som de universo eletro-pop com batidas eletrónicas bem expressivas tem evidentes traços de inspiração no Fado
Rita Vian tal como é seu apanágio deambulou pela parte frontal do palco. Não esteve demasiado conversadora, disse o essencial, maximizando assim o tempo que teve ao seu dispor.

Dos muitos temas novos tocados fica o destaque para “BRAVA”, “AMANHEÇA” e “GAIVOTAS” numa atuação bem refrescante, tão necessária para “cortar o efeito” para o extremo calor. Talves por isso o registo de menos público a esta mesma hora relativamente ao primeiro dia.
Alguns clássicos como “Purga” ou “Podes Ficar” não faltaram no alinhamento. Um desempenho positivo demonstrando assim um sólido cartão-de-visita deste novo registo discográfico.

A voz de Annahstasia revela-se numa dualidade apaixonante: é ao mesmo bastante aprazível e penetrante. A artista merece totalmente o destaque e o epíteto de refrescante surpresa. Trouxe-nos o seu folk e mostrou-nos alguns temas do seu álbum ‘Tether’, editado em 2025.
Quarteto de mulheres em instrumentos de cordas: Mia Garcia na guitarra clássica mais uma parceira contrabaixo e outra violoncelo.

O contrabaixo deu uma profundidade tão intensa quanto um tsunami a chegar à costa. Submerge-nos nas canções e ajuda-nos a intuir melhor o alcance da voz de Annahstasia.
“Garden” foi a primeira canção interpretada, ainda não foi editada. Já das mais recentes foram escolhidas “Overflow”, “Villian” e “Believer” para mostrar neste Primavera Sound Porto.

Público compenetrado durante as canções com palmas bem efusivas no término. Reações mais enérgicas durante os temas aconteceram aqui e ali quando a artista norte-americana puxou um bocadinho mais pela voz.
Incrível surpresa, realmente refrescante, daquelas que gosto de descobrir nos festivais. Ficarei agora bem atento à carreira de Annahstasia, artista oriunda de Los Angeles.

A irreverência do britânico Baxter Dury nunca passa despercebida e assim foi no palco principal rubricando uma atuação que permitiu animar as hostes com a sua performance bastante expressiva. Algo parecido ao que assisti no Vodafone Paredes de Coura em 2024.
Tivemos alguns corpos dançantes ao longo do recinto em frente ao Palco Estrella Damm aproveitando o espaço ainda livre e o final de tarde bem agradável.

Dos diversos temas interpretados a destacar “Almond Milk” no qual a enérgica presença física e vocal demonstrou-se de maneira bastante extrovertida.
‘Allbarone’ é o mais recente registo discográfico e foi apresentado por vários temas, nomeadamente, por “Alpha Dog” e “Kubla Khan”.
Temas da sua discografia mais antiga como “Pleasure” ou “Miami” foram devidamente interpretados, dois dos que são fundamentais da longa carreira do artista britânico que já tem 25 anos de presença nas lides musicais.

Panda Bear surgiu em formato banda com mais 4 elementos: na bateria, no baixo e nos sintetizadores. Uma artistas foi a lusitana Maria Reis. O próprio Noah Lennox além de cantar também fez uso da sua guitarra.
Já com uma menor intensidade de temperatura e um belíssimo pôr do som a boa vibe da música de Panda Bear fez apetecer praia e descontração.
O artista norte-americano, passa muitas temporadas em Lisboa, rubricou com os seus companheiros uma performance imensamente descontraída. A relação com Portugal é fortíssima: já foi casado com uma portuguesa, tem uma filha portuguesa e inclusive já fez uma dedicatória ao seu bairro e clube, Benfica, incluída no seu álbum ‘Tomboy’.

A banda britânica Slowdive não tem tido uma agenda sobrecarregada de concertos por isso chegou fresquinha à Cidade Invicta. A atuação anterior ocorreu a 5 de junho em Barcelona.
Rachel, Neil, Simon, Christian e Nick regressaram ao festival depois da aparição na edição de 2022. A banda transitou do palco da encosta para o palco da Anémona e perante uma maior audiência… Já com imensos fãs dos Gorillaz, equipados a rigor, em modo de espera…
Veteranos do indie-rock/shoegaze tocaram num final de tarde alaranjado e altamente confortável, quer musicalmente quer pela temperatura ambiente.
Nota particular para Rachel Goswell decorada a preceito, releva-se sempre encantadora e a sua presença em palco eleva a aura dos Slowdive.

O uso do ecrã gigante por parte da banda foi eficaz com visuais arrojados e imensamente coloridos, alguns até meio psicadélicos
Tal como em 2022 voltei a guardar uma sensação melancólica ao ouvir os temas deste fantástico quinteto, tais como “Sugar for the Pill”, “Kisses” ou “Alison”.
O público foi reverente sem ser muito expansivo tendo dado carinho quanto baste a esta formação
Rachel Goswell, Nick Chaplin, Neil Halstead, Christian Savill e Simon Scott demonstraram pura classe e é notório que os seus temas não passam de moda e continuarão a ser relevantes por muitos e longos anos.

Os Viagra Boys chegaram frescos ao Porto, o concerto anterior teve lugar a 6 deste mês na Dinamarca. Regressaram ao festival depois da aparição na edição de 2019. A visita anterior ao nosso país ocorreu no SonicBlast em 2024.
Sebastian Murphy é um figurão e mais uma vez o demonstrou em nível elevado. Entrou logo em tronco nu, algo que o caracteriza. Se calhar até esteve um bocadinho mais comedido de inicio comparando aparições anteriores em solo luso. Ele que fez jus à sua irreverência tendo palavras menos agradáveis para Elon Musk.

O sexteto em plena rotação e com muchas ganas de dar um showzão foi o que senti durante a minha estadia perante o Palco Vodafone. Temas “Slow Learner” e “Punk Rock Loser“ aqueceram as hostes na fase inicial.
Em “Pyramid of Health” o público aderiu à coreografia e as condições ficaram perfeitas para a poeira começar a levantar de forma definitiva e permanente. Não falha num concerto destes suecos.
Loucura no começo do concerto com gritos de satisfação. Muitos fãs a fazerem ouvir. A encosta estava bem repleta. Durante o tempo que lá estive o ambiente esteve algo morno, esperava mais emoção e ação. Já tive conhecimento, até ao fecho desta reportagem, que a atuação acelerou de intensidade até ao seu fecho.
Por isso foi mais um “dia de escritório” de sucesso para os fãs e para os Viagra Boys que continuam a cultivar o seu estilo e a colher fãs em Portugal de passagem para passagem.

Criada em 1998 pelo músico Damon Albarn e pelo artista Jamie Hewlett os Gorillaz destacaram-se desde logo pelo epíteto de banda virtual.
A banda fictícia é composta por quatro personagens animados: 2-D (vocalista e teclista), Murdoc Niccals (baixista), Noodle (guitarrista) e
Russel Hobbs (baterista). As imensas t-shirts com imagens destes “artistas” eram passeadas pelo recinto desde cedo e já se sabia que Gorillaz era o “prato principal” desta segunda jornada.
Damon Albarn é o principal músico e compositor da banda, enquanto Jamie Hewlett é responsável pela criação e animação das personagens.

Nos primeiros anos dos 2000 faixas como “Clint Eastwood” ou “Feel Good Inc.” entraram para o nosso imaginário colorido e a banda foi somando sucesso. Ambas fecharam o concerto para agrado imenso dos milhares de pessoas que foram de propósito para ver este projeto.
Damon Albarn é o dínamo tem conseguido reunir à sua volta, para as performances ao vivo, alguns dos músicos mais competentes que encontra pelo mundo. O músico que faz também parte dos Blur não resistiu e fez as delicias dos fãs na frontline.

Foram milhares a vibrar com a atuação dos Gorillaz. Andei pelo meio da multidão e tentei usufruir da atuação num ponto mais recuado em que pudesse ter uma boa linha de visão para o palco. Foi missão muito difícil e fiquei com pena de muitos fãs, entre miúdos e graúdos, pelo facto de não terem podido desfrutar devidamente da experiência entre o enorme magote de pessoas atulhadas.
Sou fã de alguns dos temas, confesso. Apesar disso não entendo todo o hype em redor deste projeto. O conceito é giro e algumas das músicas bem fixes contudo não acho que seja para tanta magnitude. Já sei que serão milhares a discordar.
A catalã Alba Farelo Solé mais conhecida publicamente como Bad Gyal é a rainha catalã do dancehall e do trap espanhol. Entrou com 3 minutos de atraso, algo que até foi bom pois a plateia ia-se compondo aos poucos depois do final dos Gorillaz.

Depois das atuações neste mesmo festival em 2018 e 2022 o regresso foi bem animado com muitas mulheres a aderirem e a replicarem as danças da artista espanhola em temas como “Gatitas” ou “Te Daré ”.
Bad Gyal foi acompanhada por bailarinas e bailarinos que deram outro “corpo” a toda a performance, num cenário bastante peculiar com sofá e até um candelabro pendurado à medida.
Toda uma performance bastante sensual, mais de dança do que de música cantada, serviu para colocar o público em modo descontração numa noite bem prazerosa com muitos corpinhos calientes…

Agora é hora para um ligeiro retempero de forças antes de seguir para fazer a reportagem sobre a terceira jornada do Primavera Sound Porto em 2026. Para mim será mesmo a última pois este domingo já não marcarei presença do dia dedicado à música eletrónica.
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva
Fotografia:
– Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)
