‘Orgônio’ de Turquesa com um indelével toque feminino | Reportagem

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Apenas duas semanas depois do
concerto de André Henriques, [ver reportagem aqui] regressamos a Fafe e ao seu Teatro Cinema para mais um capítulo da 6ª edição do 48/20
Ciclo de Cantautores.
Apesar das
conhecidas contrariedades, felizmente os concertos têm vindo a realizar-se neste
atípico ano de 2020 e a proporcionar bonitos momentos musicais a quem os tem
vindo a assistir.

Nesta
última sexta-feira, 23 de outubro, o motivo foi a performance de André Júlio
Teixeira.
Atualmente tem vindo a apresentar o seu novo alter-ego musical André
Júlio Turquesa
. Além de actor poliglota também é um versátil cantor,
compositor e músico multi-instrumentista. Anteriormente o artista
apresentava-se como De Turquoise.

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André Júlio Turquesa, Catarina Valadas e Sara Yasmine [Mais fotos aqui]

Em
tempos tão estranhos em que as pessoas estão novamente mais receosas devido à
situação pandémica em mutação negativa e às novas as medidas governamentais a
apertarem os movimentos, a adesão de público ao belíssimo Teatro Cinema de
Fafe
foi mais tímida. Ainda assim com uma audiência atenta e participante.

A
estreia do artista nesta sala começou com cerca de 20 minutos de atraso sobre a
hora proposta. André Júlio Turquesa fez-se acompanhar em formato
banda com Catarina
Valadas
(voz, flauta e ukelele), Laura Felício (voz e teclados) e Sara Yasmine (voz e percussões).

“Release
the Fire”
, cantado em inglês, foi o tema
de abertura do concerto sendo também a composição que abre o álbum ‘Orgônio’.
Este álbum, editado a 16 de fevereiro de 2020, foi apresentado na íntegra e
pela ordem que figura no disco.

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A banda completa em palco [Mais fotos aqui]

André Júlio Turquesa esteve predominantemente sentado ao centro do
palco e rodeado pelas artistas femininas que lhe deram um apoio notável. A sua
pose com a guitarra clássica fez lembrar um guitarrista de flamenco. O músico fez
algumas intervenções entre as interpretações revelando-se feliz por estar a
atuar ao vivo por entre este ”novo desafio
que a vida propõe”
.

O
seu registo sonoro segue uma tendência folk com um pendor pelo folk americano sendo
que pelo meio há influências lusitanas percetíveis.

À
sexta canção interpreta “O pescador” a solo, um poema de Valter Hugo Mãe e musicado pelo próprio sobre “gente sofrida no mar". Com som gravado de ondas
a proporcionarem a necessária imaginação gráfica teve uma performance marcante
e emocional.

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Sara Yasmine

[Mais fotos aqui]

Ao
nono tema, cantado em francês, apresenta “Tout cher, petit être”, um
delicioso momento parisiense sobre o universo de Simone de Beauvoir e a
sua relação com Jean-Paul Sartre.

A
sequência de ‘Orgônio’ foi aqui interrompida para André dar um salto ao
seu EP ‘Camomila’ (ainda editado como De Turquoise) para tocar a
composição “Printemps”. Este foi o segundo momento a solo do músico.

Antes
de “Se Battre”, André disponibilizou-se para vender os seus CDs, um “objeto simbólico e físico” e que as
mais novas gerações não têm a noção do sentimento e do significado da sua pose.
Deu para travo forte de nostalgia ao relembrar tempos pré-spotify.

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André Júlio Turquesa [Mais fotos aqui]

Numa
espécie de encore improvisado, registou-se o final desta belíssima performance
na qual André Júlio Turquesa foi muito bem acompanhado por Catarina
Valadas
, Laura Felício e Sara Yasmine. De realçar o fantástico
apoio musical, especialmente pelo desempenho vocal deste trio feminino. O final
aconteceu com um tema feito durante a quarentena e que dedicou
ao seu pai, presente na plateia e que festejava mais um aniversário neste mesmo
dia.

Setlist completa:

  1. Release the Fire
  2. Ninguém
  3. Super-herói
  4. It’s fine the end
  5. Liquid state
  6. O pescador
  7. Grandpa’s love story
  8. Dança da espiral
  9. Tout cher, petit être
  10. Printemps
  11. Se battre
  12. (tema escrito durante a quarentena)

Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: clicar aqui

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Texto: Edgar Silva

Fotografia: Jorge Nicolau

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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