
Mallu Magalhães em destaque // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
A 14ª edição do Festival Manta realizou-se na passada sexta-feira e sábado, respetivamente dias 10 e 11 de setembro. Inicialmente o convite era o de fazer uso da tradicional manta e sentarmo-nos no relvado dos jardins do Vila Flor porém a previsão climatológica obrigou a organização a uma mudança de planos. Passagem de 2 concertos para o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor.
Dos 3 concertos do programa, apenas o concerto “Mais Alto” destinado a uma audiência infanto-juvenil realizou-se fora de portas e no local habitual do evento na tarde de sábado. Tratou-se de um projeto inédito realizado por Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Inês Sousa e Sérgio Nascimento, músicos bem conhecidos da nossa praça musical.
O evento teve entrada gratuita e para os dois concertos principais foi necessário o levantamento de um ingresso a partir das 18:30 horas do próprio dia. Em ambas
as ocasiões a adesão foi massiva pelo que chegou-se a lotação esgotada de forma
fácil. A fila no sábado começou-se a formar pouco depois das 17:30 horas e com
o passar dos minutos foi engrossando a olhos vistos. Nem todos conseguiram o
almejado bilhete… A lotação foi cerca de 570 pessoas, a permitida pelas regras
vigentes para um auditório que tem a capacidade máxima de 800 lugares. De
realçar ter sido um festival bem organizado, seguindo as normas vigentes ao
pormenor: em ambos os dias as pessoas tiveram de mostrar certificados digitais
ou teste negativo à Covid19 e ainda foi medida a temperatura corporal.

Bori, Sílvia e Carlos // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
A abertura do Manta de 2021 aconteceu na sexta-feira e esteve a cargo de Sílvia Pérez Cruz (voz e guitarra) em formato trio na qual teve a companhia de Bori Albero (contrabaixo) e Carlos Monfort (violino).
Sílvia Pérez Cruz de 38 anos é uma artista espanhola oriunda da Catalunha. Tem uma forte ligação a Portugal já que vem ao nosso país regularmente nos últimos 20 anos. Além da amizade que a une a vários músicos lusos, a sua irmã é casada com um português e tem sobrinhos lusitanos. Daí não ter-se estranhado o facto de a artista ter comunicado em português na maior parte do concerto. Também o fez em espanhol por ter vários conterrâneos na plateia.
Entrou em palco a solo e logo após a sua primeira canção foi imensamente aplaudida. Sílvia Pérez Cruz dotada de uma simplicidade, doçura e uma graciosidade perfeitamente naturais conquistaram, reconquistaram no caso dos fãs que já a acompanham, logo nas primeiras canções. Teve uma presença segura, serena e encantadora tal e qual a sua incrível voz tendo conseguido cativar muito bem a audiência. Esteve sempre comunicativa, o público foi reagindo, fazendo até pedidos de canções e fez igualmente coros. Houve um constante intercâmbio entre ambas as partes.

Sílvia Pérez Cruz encantou a plateia vimaranense // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
Não regateou cumprimentos aos músicos que a acompanhando dizendo que “são muito bons”. Realmente foram um apoio essencial tendo o som do contrabaixo e do violino acrescentado uma pitada sensual a boa parte dos temas.
‘Farsa (género imposible)’ álbum lançado em 2020 teve uma atenção especial com a
interpretação de vários temas como “Estimat”, “Tango De La Via Láctea”
ou “Mañana”. Outros trabalhos discográficos também foram abordados, uma das canções mais antigas que tocou foi “Pare Meu”. Houve também espaço para canções compostas para teatro e cinema, como foi o caso de um tema da banda sonora do filme ‘La
noche de doce anos’.

Final do espetáculo com o trio a deixar o público deliciado // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
Muitas pessoas pediram para que Sílvia interpretasse “No Hay Tanto Pan” porém não acedeu e disse que teria de voltar noutra altura.
O público foi acompanhando encantado e no final, antes do encore o trio teve um merecido aplauso de pé. No regresso a cantora lá acedeu a um pedido e tocou “Verde” a solo. Para o final em trio e na borda do palco, mais próximos do público, interpretaram em modo acústico “Siga El Baile” num final apoteótico depois de quase 2 horas de performance.

Mallu Magalhães com a sua banda // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
Já sábado à noite foi a vez de Mallu Magalhães apresentar-se com banda da qual fizeram parte o português Fred Ferreira na bateria (músico que também a acompanhou na Banda do Mar), Carlos no piano, Vasco Moura no baixo e Zé Vito na guitarra.
Com 30 minutos de atraso aconteceu o debute do espetáculo, algo que sucedeu igualmente no dia anterior. Tal terá acontecido devido aos controlos já referidos atrás neste artigo. Desde modo em ambas as noites os concertos iniciaram-se por volta das 22h.
Mallu entrou vestida de branco e deu o pontapé de saída com “Fases Da Lua”. Seguiu-se mais um tema novo, no caso foi “Barcelona” sendo ambos do mais recente registo discográfico. ‘Esperança’ foi o foco principal da sua setlist. “Cena de Cinema” e
“Deixa Menina” foram outras novas tocadas, por exemplo.
Deu para a brasileira interpretar a primeira música que lançou curiosamente cantada
em inglês e no pólo oposto fez a estreia de uma canção cantada em espanhol que
a artista fez questão de frisar que “não está na internet”. Ambas interpretadas a solo. Já com banda completa mostrou “As Coisas”, uma nova canção que Mallu disse ser uma das suas preferidas.

Mallu Magalhães sorridente e bem disposta // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
Algumas canções de Mallu Magalhães têm um cheirinho a Samba e MPB enquanto outras são completamente pop. Sempre com aquele indelével registo da voz da artista com um bonito sotaque de português do Brasil.
“Velha e Louca”, “Sambinha Bom” ou “Olha, Só Moreno” do álbum ‘Pitanga’ de 2011, algumas das mais conhecidas não faltaram à chamada. “América Latina” foi o
tema tocado antes da primeira saída de palco.
Após um encore mal ensaiado, ficaram para o final, segundo Mallu, uma canção emocionante e uma para dançar. Referia-se a “Navegador” do álbum ‘Vem’ e “Mais Ninguém”, música editada pela Banda do Mar, projeto do qual faz parte. Assim finalizaram o espetáculo que teve cerca de 1 hora e 15 minutos. Foi uma apresentação agradável pese embora o estado morno durante todo o espetáculo. Creio que se a artista tivesse puxado um pouco pela audiência teria tido um impacto maior.
Este foi o primeiro concerto de Mallu em Portugal em 2021. A artista brasileira tem uma longa ligação a Portugal tendo inclusive residência no nosso pais na qual vai fazendo temporadas. Daí não ser de estranhar que, nos próximos meses, já tocar mais vezes no nosso pais. Já há algumas performances confirmadas: para Setúbal a 8/10, ílhavo a 19/11 e Castelo Branco a 20/11. Outras datas deverão ser conhecidas em breve.

Mallu Magalhães de olhos fechados e concentrada // Foto de Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Alexandra Fernandes @ Que Amor é Este (a quem agradecemos a disponibilização das fotos)
