No Largo da Música: a resenha do 2º dia de Suave Fest | Reportagem

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A expetativa para o segundo e último dia de Suave Fest aumentou um bocadinho após um primeiro dia muito bem passado por entre bons concertos e um clima de verão (sem termos uma noite muito quente) a puxar por um programa ao ar livre.

A reportagem sobre o 1º dia pode ser lida e vista aqui

sábado, dia 4 de setembro – Segundo dia

Afonso Dorido foi o primeiro a pisar o palco do Suave Fest no sábado pouco depois das 19h. O artista, que também faz parte da banda Indignu, apresentou-se a solo com o seu projeto Homem Em Catarse. O tema escolhido para abertura foi “Marie Bonheur”, faixa que faz parte do seu disco de 2020 ‘sem palavras | cem palavras’.

Durante a sua atuação fez questão de fazer algumas intervenções, na primeira falou da sua ligação muito próxima e longa, já desde 2013, com o Convívio, a organizadora do festival. Saudou também a realização do evento e das coisas boas que a associação tem feito acontecer. Afonso Dorido ao longo dos anos tem participado em vários projetos na Cidade-Berço por isso um conhecedor profundo do que vem acontecendo nesta cidade minhota.

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Afonso Dorido a solo como Homem Em Catarse  // Foto de Nuno Coelho @ Noizze

‘Viagem Interior’, álbum de 2017, foi apresentado com vários temas. Um deles
“Alqueva” inspirada na localidade alentejana onde está situada a famosa barragem e segundo o Afonso Dorido uma das zonas mais bonitas de Portugal.

Explicou ao público o contexto da edição do seu mais recente trabalho discográfico ‘Sete Fontes’ em abril deste ano. O artista confessou que não tinha formação em piano dizendo “tinha este teclado em casa e foi o que me salvou da pandemia”. Deste modo foi autodidata e resolveu então fazer álbum fora da sua zona de conforto no qual o piano foi o instrumento de eleição.

‘Sete Fontes’ surgiu com o apoio do gnration de Braga e do seu projeto “Trabalho de Casa” o promove a criação e apresentação de novos trabalhos por artistas locais. Desse surpreendente álbum apresentou-nos o tema “Rua do Souto Deserta”.

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Afonso Dorido a solo como Homem Em Catarse  // Foto de´Nuno Coelho @ Noizze

“Danças Marcianas”, “Teremos sempre Paris” e “Guarda” foram últimos 3 temas tocados para encerramento de um concerto bonito e bem conseguido pelo artista natural de Barcelos. O público presente neste final de tarde bem agradável também terá saído para jantar naturalmente satisfeito.

Para as 21:30h estava reservada a atuação, quiçá a mais esperada, de todo o festival. Falamos pois dos José Pinhal Post-Mortem Experience. Antes de mais palavras sobre o concerto, eis um pouco de contexto…

José Pinhal foi um cantor de baile, oriundo de Matosinhos, animou as noites portuenses na década de 1980. Faleceu em 1993 num acidente de viação quando voltava a casa de um concerto. As canções do artista nortenho foram redescobertas em 2000 e a partir daí foi-se formando um fenómeno de culto que acabou por explodir na era da internet via youtube.

Em 2016 surgiu o tributo a este artista pelas mãos de membros da editora portuense Favela Discos e da banda Equations e foi apelidado de José Pinhal Post-Mortem
Experience
.

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Nuno Oliveira José Pinha Post-Mortem Experience  // Foto de Nuno Coelho @ Noizze 

Foi, sem dúvida, o ponto alto do Suave Fest em 2021 e fiquei surpreendido pelo hype que existe de volta deste projeto.

Numa noite perfeita para um programa ao ar livre foi normal uma forte adesão de conhecedores e curiosos à atuação que teve início às 21:45h e que decorreu em jeito de baile com bastantes
corpos dançantes.

Bruno Martins (voz), David Machado (saxofone), João Sarnadas (guitarra), José Cordeiro (baixo), José Pedro Santos (bateria), Nuno Oliveira (percussão) e Tito Santos (teclado e Trompete) são os 7 elementos que compõem os José Pinhal Post-Mortem Experience.

Depois de “Ciganos”, “Perdoa-me” e “Segredos” já há 4ª canção “Tua Mulher” o público mostrava-se devidamente rendido a este sui generis
projeto.

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Bruno Martins, o vocalista dos José Pinhal Post-Mortem Experience  // Foto de
Nuno Coelho @ Noizze

O vocalista Bruno Martins é um espetáculo dentro do próprio espetáculo, tanto pela sua pose em palco como pelas suas tiradas entre as canções. Numa delas pediu e o público fez a vontade em que todos gritaram “José Pinhal Imortal”.

Em “Magia” foi um momento incrível pois muitas pessoas tinham a letra debaixo da língua. No seguimento a banda interpretou “Porém Não Posso”, “Covarde”, “Baby Meu Amorzinho” e “Tu Não Prendas o Cabelo”.

Regressando para o encore Bruno Martins disse “Vocês podem, pedem e não podemos negar” e interpretaram nem a propósito “Eu Não o Posso Negar”. A banda terminou com “A Vida Dura Muito Pouco” e “Volverei Volverei” num final de baile devidamente triunfante.

António Bandeiras aqueceu as hostes já ansiosas pelo concerto final do Suave Fest 2021. Com o Largo da Misericórdia ao rubro, depois de uma tremenda atuação dos José Pinhal Post-Mortem Experience foi ao som dos Stardust com “Music Sounds Better with You”  que o pessoal finalmente reteve o olhar no palco por debaixo do néon
“Suave”.

Primeiro surgiu Marco Duarte conhecido como Marquito e depois David Bruno, a estrela da companhia, deram início à atuação do trio com “Praliné”.

Direi que este trio proporcionou uma performance de variedades durante a qual a parte da discografia de David Bruno foi sendo apresentada. O artista, orgulhosamente apresentando-se como vindo de Gaia esteve sempre bem-disposto e com o humor em alta. Super interventivo conseguiu manter o público ligado e altamente participativo com a sua performance até aos momentos finais.

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David Bruno em apresentação no Suave Fest //  Foto de Nuno Coelho @ Noizze

David Bruno e António Bandeiras demonstraram-se sempre irreverentes, ao ponto que Bandeiras, numa das vezes que veio junto do público levou consigo uma garrafa de vinho. Marco Duarte com um ar levemente tímido esteve sempre mais compenetrado em tocar a sua guitarra.

Pode-se dizer que a música esteve sempre ligada ao entretenimento e ao show-off. Não faltaram os temas chave do artista gaiense como “Doucement”, “Mesa para dois no Carpa”, “Salamanca by night”, “Lamborghini na Roulote” ou “Interveniente Acidental”.

Num regresso para o muito solicitado encore o alto nível teátrico manteve-se, tal como o restante performance, e num final épico foram interpretadas “Flan Chino Mandarim” e “#150mL”.

Esta foi a 7ª edição do Suave Fest e foi coroada de êxito. Todos os 6 concertos, divididos 3 por cada dia, tiveram uma elevada adesão e foram belas performances. Não há como contornar, o Suave Fest está bem vivo e sedimentado no panorama cultural da Associação Convívio e de Guimarães.

A edição de 2022 já foi lançada com o primeiro anúncio, está confirmada a
presença dos Sensible Soccers. A história do evento começou em 2014 e no próximo ano vai celebrar a sua 8ª edição.

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David Bruno e Marquito, sempre a darem o seu máximo //  Foto de Nuno Coelho @ Noizze

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Nuno Coelho @ Noizze (a quem agradecemos a disponibilização das fotos)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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