Femme Falafel: Livrai-nos desta desgostosa depressão!

Raquel Pimpão com o seu alter ego Femme Falafel | foto de Ivo Rainha

No passado sábado a sede do Convívio, uma associação de cariz cultural e recreativa, em Guimarães recebeu a terceira edição do ciclo “Casa Aberta” em que o espaço teve 12 horas consecutivas de momentos culturais e lúdicos. Houve música, performance, artes visuais e cenografia em que foram ocupados espaços dentro do edifício, alguns dos quais só acessíveis nestas ocasiões.

Num dos capítulos musicais o concerto de Raquel Pimpão com a sua banda a interpretar temas do seu projeto a solo Femme Falafel foi mesmo uma irresistível proposta. Este último sábado à tarde esteve mesmo propício para nos livrarmos desta desgostosa depressão acumulada ao longo das últimas semanas devido às tempestades atrás de tempestades. Vivenciamos uma belíssima tarde de sol solarenga como um fenómeno raro.

Efetivamente foi mesmo sem dói-dói, até bem pelo seu oposto, que escutamos temas de ‘Dói-Dói Proibido’, o primeiro álbum de estúdio de Femme Falafel. Foi mesmo uma matiné bem gostosa com gosto a pastel de nata.

O quarteto em acção: Lana, Raquel, Pedro e Tiago | foto de Ivo Rainha

Editado pela vimaranenseRevolve, o álbum ‘Dói-Dói Proibido’ foi um trabalho discográfico demorado, muito trabalhado com cuidado e afinco no decurso de vários anos . Finalmente viu a “luz do dia” no ano passado, mais especificamente a 17 de outubro. Teve a produção de Luís Montenegro, conhecido pelo seu projeto Rapaz Ego e por fazer parte dos Salto. Trata-se de um álbum bem eclético, sem espaço para guitarras, contudo tem muita “eletricidade” navegando entre universos particularmente distintos: há hip-hop e jazz, pode-se dizer “estilos de raiz” de Femme Falafel. Há também disco, house e MPB com letras em português, canções cantadas com um jeitinho muito suave em estilo “rolo compressor”. Efetivamente esta expressão soa áspera, oiçam os temas desta caldense de 27 anos e irão perceber o que quero dizer. Trata-se apenas de um modo descritivo, sem significado negativo.

Após dar uma voltinha pelo incrível centro histórico foi então altura para subir ao primeiro andar do Convívio para o concerto. A vista era bonita para o Largo João Franco, a sala com o soalho literalmente flutuante (entenda-se: com algumas falhas) e uns candelabros clássicos (entenda-se bem antigos) que contrastavam completamente com as sonoridades modernas que íamos escutar.

Com o salão repleto eis que os três elementos da banda emergiram na sala nos seus devidos lugares: Tiago Martins no baixo, Lana Gasparøtti no teclado e Pedro Serralheiro na bateria. Já Raquel Pimpão surge de forma surpreendente num recanto ao piano por entre o público, um bocadinho mais tarde dirigiu-se para o seu devido lugar pertinho do seu sintetizador e do microfone que permitiu transmitir a sua incrível voz.

Inicio do concerto com surpresa proporcionada por Femme Falafel | foto de Ivo Rainha

Nota curiosa de rodapé para Lana Gasparøtti, um regresso à Cidade Berço após uma generosa performance em 2025 no Westway LAB Live com o seu projeto a solo.

A primeira canção foi “Romance Feudal” e revelou-se como uma escolha certeira, à qual seguiu-se “Camada do Ozone” para um debute bem animado. Pimpão estava completamente a preceito com um outfit moderno e veraneante: óculos de sol e um lenço pela cabeça. Um vestido de veludo verdejante e uns sapatos altos de prata. A piada faz-se por si mesma: estava toda pimpona.

Femme Falafel revelou-se comunicativa de forma particularmente informal e divertida. Disse estar muito contente por estar a tocar com banda referindo-se especificamente aos seus parceiros “em palco”. Entre aspas pois efetivamente todos os instrumentos estavam instalados no chão sem recurso a estrados, só a bateria beneficiou de um tapete.

A terceira foi “Parabólica”, faixa ainda não editada, soou muito cool tal como o tema “Mitra Indie” à moda do norte na sua versão “guna”. A vibe estava descontraída e entretida, o público desfrutava e cantarolava. Letras devoradas especialmente por algumas fãs femininas da primeira fila.

‘Dói-Dói Proibido’ foi totalmente explorado nesta atuação e a bonita atuação continuou com “Envenenados por Mercúrio”, “Electrocardiodrama” e “Floresta da Amazónia”. Antes do quarteto interpretar esta última, a artista teve o cuidado de perguntar se podia cantar a versão original utilizando o calão presente na letra pois haviam várias crianças na plateia. O feedback foi positivo.

Antes da interpretação de “Rio”, com toda a certeza, Raquel Pimpão terá ficado terá ficado com melhores conhecimentos geográficos. Antes do encore a faixa “Depressão” foi indispensável, trata-se da primeira canção que lançou.

Femme Falafel teve direito a um público bem atento | Foto de Ivo Rainha

Atuação segura e descontraída do quarteto em que a mais-valia do álbum de estreia de Femme Falafel ficou devidamente demonstrada. Este trabalho discográfico soa bastante bem ao vivo pelo que recomendo-o vivamente. Revela-se como uma extensão natural, adiciona uma pitada extra às versões originais de estúdio.

Fica aqui um agradecimento ao Convívio, especialmente à Mafalda Torrinha, pela simpatia e cedência das fotos oficiais de autoria de Ivo Rainha.

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Ivo Rainha @ ivoafr (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

Ainda sem comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.