
Ty Segall, um rockeiro do tipo old school [mais fotosclicar aqui]
Nesta sexta-feira, dia 19 de agosto, o penúltimo dia do Vodafone Paredes de Coura em 2022, ficou já marcado com um pouco de nostalgia. O regresso a este sítio especial, atrasado dada a impossibilidade provocada pela pandemia, fez com que a experiência destes dias seja vivida ainda com mais intensidade e emoção.
Ainda falta o sábado, dia 20, e já criei memória duradouras dos concertos e de amizade com o meu companheiro de viagem Márcio Ribeiro. Estamos a fazer diariamente o trajeto Guimarães – Paredes de Coura – Guimarães numa espécie do que muitos acham uma mini loucura. Não somos os maiores fãs de campismo e esta solução tem sido impecável. Já tivemos todos os dias no campismo do Vodafone Paredes de Coura numa edição anterior, por isso, essa experiência do tipo bucket list já levou com o visto.
Este foi o dia em que cheguei mais tarde à vila minhota, devido a imperativos pessoais, e o chegar a Coura em horas diferentes dá sempre uma perspetiva diferente. Nos últimos quilómetros de estrada, a ouvir a Antena 3, escutamos e cantarolamos “A Contenção” de Samuel Úria. A experiência curiosa foi o facto de termos dado de caras com o artista tondelense alguns metros depois a caminho do recinto. Aproveitamos claro para o cumprimentar e partilhar a história.
Já não chegamos a tempo de Márcia, porém deu ainda tempo para ouvir um pouco da belga Sylvie Kreusch que atuava no palco principal. Ficou o nome apontado para uma oportunidade futura.

Manuel Molarinho sempre exuberante [mais fotos clicar aqui]
A aventura do dia 4 começou verdadeiramente às 19:15h com os Baleia Baleia Baleia, eles que tocaram pela segunda vez em poucos dias em Coura. Primeiro no Sobe à Vila no passado sábado (dia 13) e depois integrados na programação principal na sequência de alterações de programação.
Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria), eles também concretizaram um sonho, tal como outros tantos artistas nacionais nesta edição bem particular do festival em que foi dada uma força extra à música feita em Portugal. Foram iguais a si próprios. Quem já os viu, é o meu caso, já sabe o que pode esperar do seu pop-rock aliado ao punk. Em especial da personalidade castiça de Molarinho, tal como as suas letras mordazes, e pela sua forma divertida de comunicar. O público foi chegando com o decorrer do concerto e a atmosfera esteve com uma vibe muito boa. A atuação não foi, de todo, um Suicídio Comercial.
Em seguida foi tempo para uma das maiores curiosidades da jornada. A primeira
vez de Arlo Parks no nosso país foi coroada de sucesso. Teve o primeiro banho de público do dia em frente ao palco principal e a sua atuação satisfez todos os curiosos, direi eu, analisando as reações das muitas das pessoas presente e percebendo das suas reações.

Arlo Parks feliz em Portugal [mais fotos clicar aqui]
Anaïs Oluwatoyin Estelle Marinho esteve acompanhada por 3 músicos, a sua banda ao vivo, e o seu concerto foi em crescendo no qual não faltou “Hurt”, um dos seus temas mais conhecidos. Nota final para a falha do microfone durante longos segundos nos quais deixamos de ouvir a doçura da sua voz, sem que a artista se tivesse apercebido. O público teve a gentileza de a substituir num momento bem peculiar.
Em tempo pré-jantar deu para dar um check ao concerto da dupla norte-americana Boy
Harsher composto por Jae Matthews (vocalista) e Augustus Muller (eletrónica). Na tenda do cenário secundário foram eles que deram inicio a uma jornada dedicada aos projetos eletrónicos com o seu eletro-pop. A performance seguida com entusiasmo, teve boas reações por parte do público, especialmente pelo empenho de Jae Matthews. Ela que deambulou e dançou de um lado para o outro. Pode-se dizer que foi um cartão-de-visita bem positivo deste projeto.

Kelly Lee Owens de regresso ao Minho [mais fotos clicar aqui]
Kelly Lee Owens, com as alterações no alinhamento, foi promovida ao palco principal e tocou iniciou o seu set às 21:45h. Deste modo a produtora escocesa teve a honra diferenciada e fez chegar a sua música a uma audiência mais alargada. Em 2018 a artista esteve no gnration open day em Braga, performance a que assisti, pelo que foi a minha segunda ocasião a ouvi-la. A discografia eletrónica de Owens é um pouco densa, provavelmente merecia um horário mais condizente. Soube a um after hours completamente fora de horas.
Ty Segall fez-se acompanhar pela sua Freedom Band. Este super talentoso músico
e produtor, tem já uma discografia extensa, tocou um pouco mais de 1h e foi incrível. Pessoalmente só me resta dizer: obrigado Mr. Segall.

Ty Segall, mestre da guitarra psicadélica feliz em Portugal [mais fotos clicar aqui]
Homem de parcas palavras, comunicou de forma ímpar mostrando a mestria com que
lida com a guitarra. Não faltou o crowdsurf e algum mosh, no entanto e ao contrário de outras noites, boa parte do público teve uma atitude mais contemplativa e de deleite perante o rock psicadélico interpretado por Ty e seus parceiros. Os temas tiveram uma construção em crescendo sempre com uns portentosos acordes de guitarra psicadélicos.
Guillaume e Jonathan Alric são franceses e formam os The Blaze. Voltaram a um local aonde foram felizes em 2018, na sua estreia por terras lusas. Estes primos são conhecidos pela sua ligação ao cinema pelo que a forte componente visual do espetáculo não surpreendeu. Quer dizer, surpreendeu o visual apresentado e todo o dinamismo associado. 5 retângulos gigantes a rodearam os dois artistas. Eles que estavam de frente, um para o outro. Já os retângulos, onde eram projetadas imagens, mudavam de posição
sempre de forma a rodear a dupla. As luzes num constante pisca-pisca rápido e articulado completaram o ramalhete. Esta intensa dinâmica visual complementam o universo sonoro eletrónico alicerçado em sintetizadores.
Paramim, o melhor da noite foi Ty Segall & Freedom Band, sem quaisquer dúvidas. Apreciei igualmente Arlo Parks, está ali uma artista com o futuro muito promissor.
Vejam toda a foto-reportagem do 4º dia: clicar aqui

Vejam toda a foto-reportagem no rio no dia 19/08: clicar aqui

Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
João Machado
