
Caio em Braga com um belíssimo concerto // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
Neste passado sábado, dia 22 de julho, o Ciclo Respira promovido pelo Theatro Circo apresentou na sua Sala Principal dois artistas lisboetas. João Santos expos o seu projeto Caio e Cláudia Sul fez o mesmo com o seu A Sul.
A adesão de público não foi intensa e as pessoas foram chegando mais perto da hora prevista para o início. Devido a isso a abertura de portas da Sala Principal aconteceu a poucos momentos do início. A dupla sessão arrancou às 21:31h, apenas 60 segundos a seguir à hora prevista. Num primeiro momento A Sul surgiu em palco sozinha e cantou, por breves segundos, “a capela”. Fez apenas uso do seu microfone. Teresa Braga (bateria), João Figueiras (baixo) e Tiago Santos (guitarra), a banda de suporte de Cláudia, fez a sua comparência nesse entretanto.

A Sul em formato quarteto // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
Cláudia Sul, a vencedora da categoria de Música dos Novos Talentos FNAC 2023, explorou ‘Já Agora’, o seu registo discográfico de estreia lançado no ano passado. A faixa que dá o título a esse EP foi a terceira interpretada.
Na setlist constaram igualmente canções por editar. A cantora brindou o público com uma versão de “Heart Of Glass” dos Blondie, inclusive Cláudia na sua introdução revelou ser uma das canções que lhe permitiu fazer música própria. Uma das suas boas inspirações, portanto.
A atuação de A Sul findou com “Caminho e Meio”, ao fim de 45 minutos de atuação. Durante esse tempo alternou entre atuar a solo em palco e acompanhada pela sua banda.

A Sul com uma atuação refrescante // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
Uma performance descontraída e sólida deixando indicações muito positivas. O quarteto demonstrou dessa forma a sua felicidade pela presença nesta bonita sala.
A sessão teve uns minutos interrompida na preparação do cenário para Caio. Deu para esticar os pés e voltar a emergir nos pormenores deste edifício. Pese embora já tenha entrado umas quantas vezes no Theatro Circo, não deixo de ficar deslumbrado com a sua beleza nomeadamente pela imponência da sua Sala Principal. Tal como aconteceu na primeira vez.
A versão gravada de “Saudade”, música de Caio, começou a soar na instalação sonora eram 22:27h. Ao fim de alguns breves momentos João Santos e os três músicos que o acompanharam surgiram vindos do lado direito do palco. O segundo concerto da noite arrancou de modo ameno com “Temporal”, uma das novas canções incluídas em “Travessia” editado em 2022. Álbum muito bem focado neste concerto especial.

Caio ao piano // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
“O disco nasceu de um desgosto amoroso e foi feito durante os dois anos da pandemia quando tive uma certa catarse, tendo passado por vários processos até estar equilibrado. Neste sentido, ‘Travessia’ é o reflexo desse percurso”. Disse Caio em declarações à rádio RUM. Pese esse contexto emocionalmente intenso certo é que o concerto foi animado com alguns interlúdios mais introspetivos dadas as suas letras poéticas.
Para aquecer mais o ambiente seguiram-se outras duas desse disco: “Putos” e “Sonhos” com o artista lisboeta ao piano. O artista presenteou as pessoas com um miminho na interpretação de “Segunda Mão”, tema que verá a sua edição num futuro próximo. “Benedita”, canção incontornável da discografia, não faltou à chamada e foi delicioso ouvi-la.
Caio alternou entre o piano e a guitarra. Esteve mais vezes ao piano, esteve com guitarra, por exemplo, em “Árvore do Tempo” ou “Amanhã”.

João Santos com uma performance enérgica // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
Antes da fase final, a meio da performance, houve lugar para momentos mais rockeiros. Foi um concerto versátil, alternando entre períodos mais mexidos e outros menos elétricos.
Cláudia Sul foi chamada a palco para participar em “Não Me Dou a Ninguém”, deu a sua colaboração vocal e fez uso da guitarra enquanto Caio tocou piano e cantou igualmente.
Foi notória a boa disposição de Caio durante a performance, algo que alastrou aos seus parceiros de palco e ao público. As canções ganham “músculo” e soam lindamente em formato banda, ainda mais, com músicos descontraídos e competentes a usufruírem da conjuntura.
João Santos é Caio (voz, piano e guitarra clássica) esteve acompanhado por banda completa com Hugo Luzio (bateria), Henrique Guerreiro (guitarra) e Bernardo Manteigas (baixo) e proporcionaram uma belíssima sessão, aliás, uma maravilha de dupla sessão. A Sul merece igualmente rasgados elogios, para mim foi uma surpresa refrescante.

Caio em formato quarteto // Foto por Paulo Nogueira | Theatro Circo
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Paulo Nogueira | Theatro Circo
