
Acredito que a vida funciona em ciclos e a nostalgia entranhada na nossa pele tende a levar-nos aos mesmos sítios em espaços de tempo devidamente sincronizados. Na sexta-feira, dia 25 de agosto, essa nostalgia levou-me numa viagem no tempo, regressei aos anos 90, que parecem que foram ontem.
Mas o que despoletou essa nostalgia? Um senhor que nos chega de terras longínquas situadas no sereno Pacífico, a Nova Zelândia, um senhor que outrora ajudou a fundar um nome bem conhecido da indie pop neozelandesa, os The Brunettes. Com o fim dessa banda, decidiu projetar-se a solo e desde 2013 que tem vindo a encantar o mundo.

Jonathan Bree e o seu conceito “fora da caixa” | mais fotos clicar aqui
Jonathan Bree, o senhor que falamos, apresentou-se no Hard Club no passado dia 25 de agosto com um concerto intimista e intenso. Há todo um conceito, uma estética por trás deste projeto, onde tudo segue uma regra estabelecida, sem diálogo, onde a comunicação é feita através da música e da dança. Usando uma expressão popular, Bree “entrou mudo e saiu calado”, apenas o ouvimos quando canta. Fora isso, nem uma única palavra.

Jonathan Bree e a sua banda | mais fotos clicar aqui
O mistério e o romantismo noir estão de mãos dadas nas suas canções, ele que se apresenta de rosto tapado com uma máscara elástica branca, bem como os quatro outros músicos que fazem parte da banda que o acompanha. A bailarina que nos enfeitiça, apresenta uma máscara, também ela branca, a fazer lembrar as maschera nobile do Carnaval de Veneza e conquista-nos quando canta num dueto com Bree.
Jonathan Bree trouxe ao Porto o seu mais recente trabalho, o álbum ‘Pre-Code Holywood’, mas mais do que isso, trouxe encanto e sedução. O ar espião/gala/boneco-de-porcelana já deixa saudades. Foi uma nostálgica viagem aos anos 90, onde dançamos ao som das baladas, mas com os pés assentes no presente.
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Jonathan Bree em concerto no Hard Club | mais fotos clicar aqui
Texto: Jorge Resende
Fotografia: Jorge Resende
