Concertos a não perder de vista | Especial Primavera Sound Porto 2023

Já são poucos os dias que faltam para mais um ansiado regresso do Primavera Sound Porto. Uma edição com diversas mudanças, sendo uma delas bem visível e notoriamente significativa. Refiro-me pois à perda no histórico naming sponsor que o foi desde a edição inicial (em 2012 então Optimus Primavera Sound) até ao ano passado.
Este ano o evento regressa ao Parque da Cidade do Porto e contará com um dia extra, assim sendo, vai realizar-se entre os dias 7 e 10 de junho, respetivamente de quarta-feira a sábado.
A primeira alteração foi o cancelamento de FKA Twigs tendo sido substituída por Alison Goldfrapp. Recentemente a organização anunciou mais mudanças no cartaz nomeadamente alterações nos dias de atuação de vários artistas. Algumas mutações não foram muito do agrado de alguns fãs, nomeadamente, a mexida no dia do concerto do norte-americano Pusha T. Houve também a inclusão dos Two Shell e dessa forma ficou encerrado o cartaz.
Houve mais uma substituição anunciada no dia da divulgação dos horários na passada segunda-feira, dia 29 de maio. Por razões da preparação do novo álbum os Bleachers desistiram da vinda ao festival e em substituição entrou a espanhola Marina Herlop.

Cartaz com as referidas atuações. A verde mudanças de dia. No caso dos Two Shell no 1º dia foi uma inclusão.
Este ano contaremos novamente com 5 palcos. Dois deles terão novas localizações, serão os palcos Porto e Plenitude. Outra mudança extremamente significativa é a do palco principal. Deixou de ser aquela a que estávamos habituados. Agora chama-se Palco Porto e estará localizado à entrada do recinto, junto à Estrada da Circunvalação.
Os outros dois Vodafone e Super Bock mantêm a posição dos palcos de edições anteriores no anfiteatro natural do Parque da Cidade. O palco Bits volta a ter a sua inclusão, mais ou menos, na sua localização habitual. O recinto volta a ter alterações significativas. A área ocupada agora é maior, mais cinco a seis hectares, por isso a lotação máxima sobe para 45 mil pessoas por dia.
A organização refere que este cartaz de 2023 é “o cartaz mais ambicioso de dez anos de história” o qual terá o maior orçamento de sempre quase 13 milhões de euros.
Apresentada um pouco a próxima edição, é agora momento para recordar as nossas reportagens escritas sobre o NOS Primavera Sound 2022 aqui:
– Triunfo australiano no festival da liga das nações – dia 1, NOS Primavera Sound 2022
– Vida longa ao rei King Krule – dia 2, NOS Primavera Sound 2022
– Gorillaz, Little Simz e Dinossaur Jr: o meu trio de destaque – dia 3, NOS Primavera Sound 2022

Tame Impala na edição do ano passado
À lente dos gostos pessoais de Edgar Silva e Luís Silva (administradores do headLiner) e com um particular relevo no foco do headLiner vamos então ao tema deste artigo. Depois de uma análise a dois resolvemos destacar neste artigo 14 de entre as mais de 70 atuações que vão acontecer na edição do Primavera Sound Porto neste 2023.
Obviamente os grandes headLiners já não necessitam apresentação e são de presença obrigatória. Apesar disso citamos um que é absolutamente imperdível, no nosso ponto de vista, devido à sua relevância no contexto musical mundial e por estarem de regresso ao ativo no que concerne a concertos.
Esta criteriosa análise ao cartaz no seu global foi feita muito meticulosamente. Agora de seguida mostramos os destaques dos tais 14 concertos que não devem mesmo ser perdidos, aconselhamos vivamente a que os incluam nos vossos roteiros!
Quarta-feira, dia 7
- The Comet is Coming :: Palco Vodafone às 22:55
- Beatriz Pessoa :: Palco Porto às 17:45
The Comet is Coming é um trio oriundo de Londres e composto por Shabaka Hutchings (saxofone tenor), Dan Leavers (sintetizadores e modulares) cujo pseudónimo é Danalogue e Max Hallet (bateria) também conhecido por Betamax. O único concerto em nome próprio este ano no nosso país aconteceu no Lisboa ao Vivo a dia 24 de março. Agora é a vez do Porto escutar os temas do seu último álbum de 2022 ‘Hyper Dimensional Expansion Beam’ e que teve muitos boas críticas em publicações especializadas sobre música. Esta será a segunda passagem pelo Porto, em 2019 tocaram no Hard Club tendo tido cobertura pelo headLiner: Fomos atingidos pelo jazz explosivo de um Cometa.

Beatriz Pessoa de 28 anos é uma artista cuja sonoridade mistura bossa nova, MPB e um lado mais indie. Lançou o seu LP mais recente no passado mês de março e chama-se ’Prazer Prazer’. Contou com a ajuda do conhecido músico brasileiro Marcelo Camelo na sua produção. É este LP que vai apresentar com banda ao festival. Finalmente está a ter mais destaque mediático, ela que é tida como uma das mais promissoras vozes da nova geração da música portuguesa.
Quinta-feira, dia 8
- Alvvays :: Palco Super Bock às 19:40
- Jockstrap :: Palco Plenitude às 02:20
- Quadra :: Palco Vodafone às 16:45
- The Mars Volta :: Palco Porto às 22:00
Alvvays é um quinteto formado por Molly Rankin (voz e guitarra), Kerri MacLellan (teclados), Alec O’Hanley (guitarra), Brian Murphy (baixo) e Sheridan Riley (bateria). Este será o regresso da banda canadiana a Portugal, a última aparição aconteceu no Vodafone Paredes de Coura em 2019. Trazem consigo as canções mais recentes do álbum ‘Blue Rev’ editadas em 2022. Será uma oportunidade para ver o dream-pop dos Alvvays brilhar ao vivo.
Jockstrap são um duo composto por Georgia Ellery e Taylor Skye. Eles estiveram em Guimarães, passado mês de novembro, na última edição do Mucho Flow na qual foram foram uma das maiores surpresas do evento. Agora têm tudo para (re)confirmar as boas credenciais que deixaram. O álbum de estreia ‘I Love You Jennifer B’ será o natural foco da sua atuação.

Quadra são oriundos de Braga e e a banda é formada por Sérgio Alves (baixo), Gonçalo Carneiro (guitarra), Hugo Couto (bateria), Sílvio Ren (guitarra) e Lucas Palmeira (sintetizadores). Em 2023 esta formação está a completar 7 anos de vida. ’Cacau’ (2018) e ‘Chili’ (2019) são os dois primeiros álbuns da sua discografia, até fizemos uma especial review ao álbum de estreia e que pode ser lida aqui. ’Selva’ é a mais recente edição discográfica. Podemos revelar que este álbum será apresentado no festival com um espetáculo novo no qual irão contar com convidados em palco. Tenho acompanhado os Quadra praticamente desde o início. Já os vi ao vivo várias vezes e sou fãs do seu estilo exótico e extremamente dançável.
The Mars Volta surgiram em 2001 e tiveram um contributo bastante diferenciado dentro do género do rock progressivo. Estiveram em hiato entre 2012 e 2019 pelo que o regresso do projeto ao ativo criou bastante hype nos fãs espalhados por todo o mundo. Atualmente estão em digressão mundial e a aparição no Primavera Sound Porto é uma de apenas nove(!!) no velho continente. Promete ser uma atuação diferenciadora e marcante.
Sexta-feira, dia 9
Darkside :: Palco Vodafone às 02:00
Meta_ :: Palco Vodafone às 16:45
My Morning Jacket :: Palco Porto às 19:40
Wednesday :: Palco Vodafone às 18:40
Darkside são um duo composto por Nicolas Jaar (produtor) e Dave Harrington (guitarrista) e têm origens muito diferentes. Encontraram em Darkside o seu território comum, uma fusão de híbrido de música eletrónica e rock psicadélico. Tem tudo para ser dos momentos mais inspirados e uma das pérolas de todo o evento.
Meta_ é Mariana Bragada. Ela alia a sua voz à loopstation, a guitarra elétrica, os samplers, a caixa de ritmos e adufe. Esta artista de Bragança já lançou 5 músicas este ano sempre com diversas colaborações. A música feita por portugueses passa por um belo momento de forma pelo que nós no headLiner não podemos deixar de citar um dos nomes mais excitantes do momento.

My Morning Jacket são uma banda de rock norte-americana. São liderados pelo vocalista, guitarrista e produtor Jim James. Este músico tem bastante reputação nos EUA. Não têm o mesmo “peso” mediático que na terra natal e por isso passem um pouco despercebidos pelos europeus. Existem desde 1998 e “I’m Amazed”, “Wordless Chorus” ou “Golden” são algumas das incríveis músicas que lançaram desde então. Merecem ser apreciadas ao vivo e está é uma excelente oportunidade.
Wednesday são uma formação de rock alternativo e um dos talentos a emergirem na cena rock norte-americana. ‘Rat Saw God’ é o álbum mais recente, o 5º da sua discografia, e eles só existem desde 2017. Realmente impressionante! Agora têm contrato com a Dead Oceans e novas portas estão a surgir para eles.
Sábado, dia 10
Blur :: Palco Porto às 00:50
Nation Of Language : Palco Vodafone às 19:50
Unsafe Space Garden :: Palco Vodafone às 16:45
Yard Act :: Palco Porto às 17:45
Blur. Simplesmente Blur. A banda britânica é, provavelmente, o headLiner mais importante de todos os headLiners desta edição de 2023. Este é um regresso de Damon Albarn, Graham Coxon, Alex James e Dave Rowntree ao Parque da Cidade depois da atuação em 2013 no então Optimus Primavera Sound. Será um regresso muito especial ao nosso país desta formação de britpop e rock alternativo que tem marcado diversas gerações desde 1988. Eles estão de regresso aos concertos, em vésperas do lançamento do novo álbum ‘The Ballad of Darren’, pelo que a oportunidade de ouvir temas como “Beetlebum”, “Song 2”, “Girls & Boys” ou “The Universal” é altamente aconselhável!
Nation Of Language são uma recente banda oriunda de Nova Iorque. Este trio estreou-se o ano passado no Porto, pela mão dos Os Suspeitos, na sala do M.Ou.Co. e a atuação foi incrível num ambiente festivo, tive a sorte de ter presenciado essa performance. Pegando na descrição “Sonoramente orientada por sintetizadores, sua música inclui elementos de krautrock, new wave e pós-punk e os mistura com uma forte dose de nostalgia moderna” dá para uma noção ao mesmo tempo intrincada porém também elucidativa. Têm tudo para encaixarem perfeitamente no espírito do Primavera Sound Porto, eles que adoraram a vinda ao Porto no ano passado.

Unsafe Space Garden é um projeto lusitano oriundo de Guimarães e tenho acompanhado o seu progresso. Felizmente o seu crescimento tem sido exponencial e agora estão num ponto de maturação, quiça, acima do expectável. Não se levam a sério e pedem em palco para não os levarmos a sério. Aí reside um pouco a sua magia, são extrovertidos e divertidos de uma forma altamente intelectual. São igualmente impressionantes, portanto preparem-se para serem surpreendidos por Alexandra Saldanha, Nuno Duarte, Filipe Louro, Diogo Costa, José Vale e Pedro Vasconcelos. Ainda recentemente vi a performance que deram no Courage Club 2023 em Guimarães e por isso sinto-me confortável nessa minha noção.
Yard Act para eles bastou a edição de ‘The Overload’, o primeiro LP em 2022, para causarem impacto. Navegam entre o indie rock e o post-punk de uma forma impressionante, dizer que o fazem de forma muito competente é subestimá-los. Sabemos que há muitos melómanos à espera de os ver ao vivo em Portugal. Certamente muitos deles não vão faltar à sua presença no Porto neste mês de junho.
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Texto: Edgar Silva
