Ghau e Isa Leen em plena atuação [mais fotos clicar aqui]
O Westway LAB celebrou 10 anos nesta sua edição de 2023. Ao longo destes anos, com algumas pequenas mutações pelo caminho, tem sido sempre dividido em 3 partes: Residências Artísticas, Festival e Conferências.
Com tem sido meu hábito, mais uma vez, não perdi a oportunidade de assistir aos Showcases das Residências Artísticas ocorridos no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor. Tal como Rui Torrinha (diretor do festival) fez questão de frisar no seu discurso de abertura estes são “momentos super originais” e posso afirmar, já que assisti a todos estes showcases nas últimas 4 edições presenciais, que realmente são originais e únicos pois não se repetem e vividos com intensidade pelos músicos que têm participado da experiência.
Foram 8 músicos selecionados para a aventura das residências: Cálculo, Ghau, Isa Leen, La Furia, Larie, Mário Gonçalvez, Michal Drozda e Namelle.
Entre os recentes dias 3 a 11 abril estes artistas ocuparam o Centro de Criação de Candoso para criarem obra original tendo sido emparelhados, como de costume, dois a dois. O fim do trabalho colaborativo aconteceu com a apresentação das criações em showcases no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor.
Quarta-feira, 12 abril
Esta primeira noite foi animada e teve uma boa adesão de público, entre pessoas que estiveram presente nas conferências profissionais e novamente curiosos. A entrada foi livre nas duas noites.
A primeira parelha a subir ao palco foi o vimaranense Mário Gonçalves com o polaco Michal Drozda. Este português foi baterista dos Fragmentos e com naturalidade fez uso de instrumentos de percussão como adufes e bombo.

Michal e Mário em plena atuação // Foto oficial por Paulo Pacheco
Já Michal utilizou guitarra elétrica. Foi um cruzamento de sons tradicionais portugueses e guitarra com esta a dar um toque de modernidade. “Experiência X”, “Crazy Bites” e “Crazy Bottle” foram alguns dos temas apresentados, sendo que neste último teve a particularidade de Mário utilizar um garrafão de água industrial a servir como percussão.
O Café Concerto esteve despido de mesas e cadeiras, só algumas ao fundo da sala, o que permitiu ao público ficar de pé mais junto do palco.
A segunda parelha da noite juntou Hugo Martins conhecido como Cálculo e a cantora sueca Elin Namnieks mais conhecida pelo seu nome artístico Namelle. Ela que já tinha atuado nos ‘Concertos na Cidade’ neste mesmo festival em 2019.

Cálculo e Namelle em plena atuação // Foto oficial por Paulo Pacheco
O rapper e produtor de Barcelos contribuiu com as suas batidas eletrónicas e a artista nórdica fez uso da sua bonita voz. Ambos contribuíram para um final de noite bem animado com temas bem dançáveis.
Quinta-feira, 13 abril
Segunda noite foi igualmente animada, novamente com uma boa adesão de público, entre pessoas que estiveram presente nas conferências profissionais e população curiosa. Talvez um pouco menos concorrida comparativamente à jornada inaugural.
Este ano a organização tem uma parceria com a Basque Music, organização do País Basco, promotora dos artistas locais para a sua internacionalização, o que permitiu a vinda a Guimarães de vários músicos dessa região de Espanha. Os primeiros dois atuaram nesta jornada.
A portuguesa Rita Sampaio com o seu projeto Isa Leen e o músico basco Ghau proporcionaram uma atuação bem empolgante. Ambos fizeram uso da voz cantando nas suas línguas maternas, a lusitana tocou igualmente piano.

Ghau e Isa Leen em plena atuação [mais fotos clicar aqui]
Apreciei bastante a bracarense Rita a cantar em português, soou muito bem, ela que normalmente utiliza o inglês. “Aquilo que tu queres” foi um dos temas mais incríveis que apresentaram, um dos momentos sensacionais da performance. Já Ghau colocou todo o seu sentimento nas suas palavras em euskara, bem estranhas e difíceis de entender. Certo é que a sua forte energia transpirou para a audiência. Edgar Valente (Bandua e Criatura) participou ao piano no final, altura em que Rita e Ghau cantaram juntos.

Ghau e Isa Leen no final da atuação [mais fotos clicar aqui]
Pelo intermédio do showcase deu para Ghau fazer um agradecimento bem fofo e sentido à sua companheira Rita. Fez uso do smartphone e leu, em bom português, a sua mensagem.
A última parelha a atuar nestes Showcases Residências Artísticas foram duas mulheres. Nerea Loron, vinda igualmente do País Basco,mais conhecida artisticamente como La Furia fez parelha com Larissa Baq, artista brasileira radicada em Portugal há alguns anos. Ela mudou o seu nome de palco, é atualmente Larie. A artista brasileira deu o ritmo através de bateria eletrónica e a basca, com a sua irreverente voz, deu uma intensidade própria já que a sua linguagem musical de base navega pelo estilo rap.
Estes Showcases Residências Artísticas são sempre momentos bastante peculiares, especiais e intensos. Tive a oportunidade de assistir a estas atuações nas últimas 4 edições presenciais (2018, 2019, 2022 e 2023) e posso afirmar que vale muito a pena presenciar esta parte da programação do Westway LAB.
Edição após edição, os músicos expressam uma enorme alegria pela participação neste regime de residência. Todos eles acabam por travar conhecimento uns com os outros, utilizam o mesmo espaço. Vê-se o impacto positivo que tem nas suas vidas e nas suas carreiras pelo seu retorno a Guimarães e ao Westway LAB mesmo somente a título pessoal.
Vejam a foto-reportagem: clicar aqui

Ambiente no Café Concerto [Mais fotos clicar aqui]
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
