
HeadLiner On the Moon é uma rubrica de análise de trabalhos discográficos elaborada por João Tavares do blogue Man On the Moon no qual são originalmente publicadas. Nesta parceria os álbuns lançados
nas últimas semanas terão um olhar sempre atento e uma audição sempre
sagaz!
Já chegou aos escaparates ‘The New Abnormal’ o tão anunciado sucessor de ‘Comedown Machine’, um álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.
‘The New Abnormal’ é o sexto disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental no universo musical indie punk rock e tem um alinhamento de nove canções, produzido por Rick Rubin e com a chancela da Cult Records.

Imagem de apresentação da performance ao vivo para o dia 11 de Julho no NOS Alive
‘The New Abnormal’ solidifica e
tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste
projeto nova iorquino que depois de ter começado a carreira com um
formato sonoro claramente balizado, foi apalpando terreno noutros
espetros, atingindo o auge dessas derivas no festim sintético que banhou
‘Angles’ há já quase uma década. A partir daí, nomeadamente em ‘Comedown Machine’, este projeto que é dos melhores do mundo a trabalhar em estúdio, voltou a fazer marcha atrás,
algo que se saúda porque os The Strokes estão, sem dúvida, mais
confortáveis a explorar os recantos obscuros de uma relação que se
deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental
que compõe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta
miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria.
‘The New Abnormal’
tem, então, esta espécie de dupla identidade, porque além de culminar com elevado esplendor um regresso ao punk rock como trave mestra da maioria das composições do disco, aquele rock mais
enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste
século e que nomes tão influentes com os Franz Ferdinand, Radio 4, LCD
Soundsystem ou The Rapture repicaram com astúcia, permite que este modus operandi seja adornado por uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta.
“At The Door”, o primeiro single de
‘The New Abnormal’
“Brooklyn Bridge To Chorus”, uma composição que carrega no seu dorso melódico e instrumental a melhor herança do glam rock oitocentista,
espelhado num sintetizador retro bastante incisivo, nostálgico
e que casa bem com a voz de Casablancas, que, já agora, em todo o disco
volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes
registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, é, talvez,
o melhor exemplo do álbum desta duplicidade. No entanto, “Bad Decisions”, um exuberante tratado de indie rock,
festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo,
já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é
uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes, a faustosa ode aquele
experimentalismo psicadélico luminoso que conduz “Why Are Sundays So Depressing” e, em “Selfless”, o irresistível swing da guitarra que no refrão se torna particularmente buliçoso ao resvalar para um riff épico
e de maior exaltação, são também instantes cativantes, joviais e
harmonicamente exemplares do alinhamento e que carimbam com maturidade,
força e honestidade esta revisão e enriquecimento de todo um percurso de
duas décadas.
Já a batida sintética abrasiva e o baixo imponente que
desfilam pela insinuante “The Adults Are Talking”, assim como “At The Door”, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro, são a outra face mais visível desta moeda chamada
‘The New Abnormal’, repleta
de sons, tiques e detalhes disponíveis para a descoberta em audições
sucessivas, um álbum que ensina que nunca é tarde para recomeçar e que
os anos podem passar por uma banda, mas o seu espírito pode manter-se
amplamente jovial e criativo. É esta, de certo modo, a melhor descrição
que se pode fazer destes renovados The Strokes como entidade.
Espero que
aprecies a sugestão…

Capa do álbum
‘The New Abnormal’
Tracklist:
- The Adults Are Talking
- Selfless
- Brooklyn Bridge To Chorus
- Bad Decisions
- Eternal Summer
- At The Door
- Why Are Sundays So Depressing
- Not The Same Anymore
- Ode To The Mets
Avaliação pelo HeadLiner:
⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
(7 numa escala máxima de 10)
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Review escrita por João Tavares.
### Autor do blogue Man On The Moon no
qual publica, desde 2008, análises bem pertinentes às bandas e artistas
mais interessantes do momento. Sem dúvida uma das leituras mais
aconselháveis sobre música indie e alternativa em português de Portugal. ###
Outras análises musicais em:
stipe07.blogs.sapo.pt/
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