Severo na genialidade e fofura – a crónica da première de novas canções | Reportagem Completa

Braga assistiu à estreia de novas canções de Luís Severo | mais fotos clicar aqui
Luís Severo é um dos mais prezados cantautores da praça nacional. Faz jus a tal com um percurso musical alicerçado em canções de belíssimo efeito, tais como “Cara d’Anjo” (tema que dá nome ao seu álbum de 2015), “Boa Companhia” ou “Primavera”.
Desde que descobri este artista português, algures por volta de 2017, tenho-o seguido avidamente. Já assisti alguns concertos seus, sempre pelo norte de Portugal, quer a solo quer com suporte de outros músicos. Essa atuação com banda teve lugar no Primavera Sound do Porto em 2018. A primeira vez que o vi foi surpreendente, foi numa performance a solo e registou-se umas semanas antes. Aconteceu no Walk & Dance, festival que acontece em Freamunde. A reportagem dessa ocasião pode ser consultada aqui.

Luís Severo munido da sua voz e das suas duas guitarras | mais fotos clicar aqui
Está na calha, ainda sem data oficial, o sucessor do álbum ‘O Sol Voltou’ editado em 2019. Apesar de não ter visto pontinha de sol durante o dia, rumei nesta última sexta-feira (10/11/23) até Braga por entre pingos insistentes de uma chuva que não despega. A blackbox do gnration foi o local aonde tive um gostinho muito bom daquilo que o artista está prestes a editar para o mundo de forma pública.
“Cedo Ou Tarde” é o recente single de Luís Severo. Esta é faixa que dará o título à próxima edição discográfica do músico cujaedição ficará a cargo da Cuca Monga.
O “som sujo” da adolescência de Luís já tem os seus tempos contados, encerrados no passado tal como o epíteto O Cão da Morte. A vida com o seu amigo Coelho Radioactivo como Flamingos ficou igualmente algures perdida pelo caminho. Agora as canções de amor e de trovador lusitanos são o seu mote, canção a canção, álbum após álbum.
Este concerto do gnration estava já esgotado há algumas (longas) semanas, alguns sortudos conseguiram bilhetes libertados à última hora. A expetativa não era mesmo nada ao de leve. Este foi o retorno aquele espaço bracarense depois de outra lotação esgotada registada em 2019 aquando da apresentação de ‘O Sol Voltou’.

Luís Severo um dos incríveis cantautores nacionais | mais fotos clicar aqui
No regresso de Luís Severo “à casa certa” a “uma casa onde me sinto muito bem”, como prontamente afirmou, iniciou a sua performance com as cantigas “Ainda É Cedo”, “Primavera” e “O Sol Voltou” numa fase simplesmente brutal em que o público presenteou o artista com um silêncio fadista. Apesar de se dizer “fanhoso” por causa do seu imenso carinho que fornece ao seu gato, tal não se fez propriamente notar. Pelo menos pelo lado menos positivo. Ele que não oferecia um concerto há cerca de 1 ano.
Antes da “secção novidade” Severo interpretou “Olho de Lince”. No arranque para esta parte intermédia o artista disse que ia tocar alguns temas novos. Pediu para ninguém filmar essas “7 ou 8” canções novas, algo a que o público aderiu sem dificuldade. Aliás, apesar da juventude das pessoas presentes, público feminino em maior número, o uso dos smartphones foi epicamente do moderado ao inexistente. Algo já algo raro em concertos.

Luís Severo um dos incríveis cantautores nacionais | mais fotos clicar aqui
Em palco a solo fazendo uso de uma guitarra clássica e outra elétrica, Luís Severo apresentou em première nacional vários temas novos. Foram criados durante a pandemia. As temáticas são abrangentes, desde a mais básica sobre apaixonar-se por alguém próximo, à tentativa do controlo dos dias até ao tema “Insónia” (o nome já diz tudo) deu para ter um gostinho muito doce deste novo álbum, como já referi anteriormente.
Finda a “secção novidade” tivemos direito a “Planície (tudo igual)”, ao tema natalício “Videmonte” e “Amor e Verdade”. Contribuíram para uma maior satisfação do público, de si já rendido à belíssima atuação.

A atuação Luís Severo foi deveras fantástica | mais fotos clicar aqui
Mais uma vez houve “discos pedidos”, algo habitual nos concertos do artista, para término da atuação no qual foram concedidos 2 pedidos. Luís cedeu a “Joãozinho”, apesar do receio em não conseguir interpretar totalmente bem o tema, e para fecho total veio “Boa Companhia”. Em ambas o artista reiniciou a interpretação. A simplicidade como Severo encara a situação é desarmante, tal como foi a sua postura durante toda a performance. A comunicação (e comunhão também), o modo singelo e fofo como se dirige ao público revelam um forte traço e imutável da sua personalidade. Faz sê-lo um artista genuinamente único, referenciado e bastante acarinhado. Genuinamente confessou a falta que sentia por não tocar ao vivo bem como ter público a vê-lo.
A atuação durou cerca de hora e meia e foi extraordinária. Luís Severo tem uma pose impecável em palco, possui uma naturalidade que assenta-lhe particularmente bem. Realmente foi uma noite de luxo, ouvir em primeira mão algumas das novas canções. Os fãs que tiveram a sorte de presenciar o concerto certamente adoraram o momento.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

Promete bastante o novo álbum de Luís Severo, ao vivo soou maravilhoso | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Joana D’Assumpção
