Paraguaii: os pilotos de uma viagem à cena clubbing no Theatro Gil Vicente

Trio Paraguaii em palco

No passado dia 4 de Junho, lançamo-nos em mais um concerto dos Paraguaii, banda que já acompanhamos há muitos anos, começando no seu ‘Scope’ de 2016, passando pelo ‘Kopernikus’ de 2019. Há bandas que por muitas vezes que as assistimos, poucas
coisas irão acrescentar de novo às nossas memórias audiovisuais relativamente a última vez que os presenciamos. Com o trio de Guimarães tal não aconteceu, não fosse o seu percurso discográfico uma expansão estética da cena eletrónica, que agora em 2021 com o seu ‘Propeller’ encontra as cenas mais obscuras do clubbing.

4 de junho, uma noite com temperatura amena e com perspetiva de lotação esgotada. O ciclo de concertos triciclo, traz mais uma vez à pequena e bonita sala do Theatro Gil Vicente, uma nova vida musical que vai esgotando semana após semana, cadeira sim cadeira não. Desta vez para uma viagem alucinante sob sintetizadores e caixas de ritmos.

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Pouco faltava para o relógio bater a hora marcada, 21h, quando íamos ouvindo aqui e
ali o som de pratos de uma bateria a telintar. Na verdade, era o som das máquinas
de fumo que iam libertando sem ordem especifica, a densa cortina cinzenta
oferecendo ao cenário escuro uma dose certa de misticismo. Pouco passava da tal
hora marcada, quando as já poucas luzes da sala se apagaram totalmente. Fez-se
ouvir um silencio durante uns longos segundos, quando de forma sorrateira entra
o trio vindo da cidade berço: Giliano Boucinha, Zé Pedro Caldas e Rolando
Ferreira
.

Das colunas do Theatro Gil Vicente é projetada uma cena dramática de um filme de terror fazendo lembrar Carpenter Brut, composto por sintetizadores obscuros e batidas
bem graves e assertivos, refletindo um pouco esta nova faceta da banda. Os 3
elementos apresentaram-se de pé, oferecendo ao percussionista Rolando Ferreira,
uma total liberdade de movimentos.

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No cardápio que a banda trouxe para esta noite, como não poderia deixar de ser, trouxeram o seu mais recente disco, ‘Propeller’, tocando-o na íntegra. “Phisique” deu o
ponto de partida para 1 hora de concerto que mais pareceu uma longa noite num clube underground algures perdido numa cidade europeia. O forte visual de luzes que ia acompanhado as diversas músicas, iam contemplando as muitas pessoas sentadas,
movendo-se ao som dos BPMs que era bem visível tocado pelo bater de pé de Rolando.

“Insecure”, “Skeleton” vão sendo tocadas umas atrás das outras sem permitir qualquer paragem, sendo apenas as abruptas mudanças de cores das luzes o indicador que o “disco” rodou sendo assim percetível distinguir cada faixa.

À 4ª música é sentido a primeira mudança no fundo que é projetado. Uma nebula em constante mudança de cor e de forma, espelhando a sombra de Giliano, transporta-nos a uma viagem sideral fazendo-nos recuar até ao ano de 2017, acompanhado pela banda sonora “Dream About The Things You Never Do”. Único desvio que foi feito nesta viagem
sobre ‘Propeller’.

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Com praticamente poucas pausas nesta viagem, o público vai aplaudido efusivamente quando se
torna visível que a viagem iria mudar de rumo. “Pshychotic Scenes”, “Peanut”, “Ground
Control
” acabam por confirmar o que ouvimos em 1ª Mão [ler artigo aqui], uma autêntica mudança que os Paraguaii já iam fazendo prever: fortes batidas e um cenário bem mais dark em toda a sua indumentária sonora, que ao vivo e graças á qualidade acústica que
o auditório barcelense oferece, ajuda-nos ainda mais a sentir cada bit que é debitado pelos sintetizadores e bateria elétrica.

Uma viagem que nos fez muitas vezes de forma involuntária, fechar os olhos e, apenas
sentir aquilo que muitos de nós sentem falta, uma longa noite de suor e de ritmos no qual o nosso corpo é entregue à música do DJ daquela noite. “Fish Balloon“ termina este alucinante percurso sonoro pelas diversas experiências clubbing, de baixo de um solo de bateria que levou às dezenas de pessoas a aplaudir, levando para segundo plano os teclados e sintetizadores.

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Texto:
Luís Silva

Fotografia:
João Machado

Luís Aires Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Num quarto de uma residência universitária em Guimarães, criei em 2012 os primeiros acordes do headLiner. Nasceu da vontade de dar espaço a uma cena musical mais underground. Aqui, o BPM e os decibéis são secundários. Interessa-me a música em todo o seu espectro. Eu fico por aqui a ouvir e a escrever algumas palavras — umas com mais sentido do que outras.

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