
A luz verde para o desconfinamento de cinemas, teatros, auditórios e salas de
espetáculos foi dada pelas autoridades no passado dia 16 de abril. Desde então
o meu regresso pessoal a eventos culturais, nomeadamente musicais, tem sido
bastante contido.
Nesta última sexta-feira, dia 28 de maio, vi apenas o meu segundo concerto desde a
reabertura. Esta escolha recaiu num concerto dos Indignu [Lat.], banda que já tinha visto anteriormente por duas vezes. Estas reportagens podem ser visualizadas aqui: Post Rock à moda minhota em força no Hard Club em dezembro de 2018 e Parabéns e muitos anos de vida, Oub’Lá em abril de 2019.

Foi, portanto, a primeira vez que os vi como única banda do evento. Aconteceu à
terceira ocasião em Guimarães num concerto que teve lugar na Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), local mais conhecido pelos vimaranenses como Plataforma das Artes.
Sem dúvida que é mesmo muito bom estar a regressar às salas de espetáculos e aos
concertos a vivo. Mesmo que o contexto não seja o que mais me agrade. Isto é,
concertos tão cedo, como este que aconteceu a uma sexta-feira às 19:30h. Num
dia de semana e num horário assim imagino que seja uma logística complicada
para muita gente…
Num final de tarde de muito corrupio automobilístico e pedestre, lá consegui
chegar ao local da realização do evento para comprar o meu ingresso, apenas de
3€. Um valor simbólico e que não reflete a qualidade dos artistas nem da sua performance, da sua incrível performance!

Os elementos da banda foram parcos em palavras e naquelas que exprimiram, pela voz
de Graça Carvalho: “Não imaginam o que é estar aqui convosco…”. Efetivamente notou-se
uma satisfação enorme nos 4 elementos em palco pelo seu regresso aos concertos,
sobretudo em Graça e Afonso. Graça Carvalho (violino e teclas), Afonso Dorido (guitarra e teclas), Ivo Correia (bateria) e Pedro Sousa (baixista) deram corpo aos Indignu [Lat.] ao vivo, algo que já não acontecia desde o final de 2019. Imenso tempo sem o calor da interação com as pessoas, público este que preencheu a grande maioria dos lugares disponíveis.
Direi que é um luxo, no panorama lusitano, termos uma banda assim, representantes do
Post-Rock com esta enorme qualidade. Têm um som instrumental que nos coloca
praticamente em transe até mesmo quando passamos dos acordes pujantes da
guitarra às melodias nas quais Afonso e Graça ficam a sós em palco para versões
em modo duo. Proporcionam momentos arrepiantes como aconteceu em “Chovem Pedras De Fogo do Céu” com Afonso ao piano e Graça no violino.

Um concerto que passou pelos álbuns ‘Umbra’ de 2018 e ‘Odyssea’ de 2013 cujo
tema de abertura foi “Onde As Nuvens se Cruzam”.
No encore uma tocante e mais curta interpretação de “No Fim Ninguém Quer Trevas Excerto” em formato duo com Afonso na guitarra e Graça no violino. Para o final ficou
guardado o tema “Santa Helena” e o merecido aplauso da plateia.
Afonso Dorido com a sua energia do estilo “rolo compressor” e Graça Carvalho com a sua devida graciosidade ao violino, o núcleo duro do projeto, sempre bem acompanhados por Pedro Sousa e Ivo Correia proporcionaram-nos, acredito que toda a gente terá saído bem satisfeita, um início de fim-de-semana em beleza.
Ainda é para mim algo bizarro entrar numa sala de espetáculos de dia… Saindo ainda com luz solar alta porém com performances deste género até isso será entranhado enquanto assim tiver de ser.

Setlist
- Onde as nuvens se cruzam
- Clausura dos que sentem
- Nem só das cinzas se renasce
- Marcha sob Marte
- Montanha negra
- Chovem pedras de fogo do céu
- Levitação do sahara
Encore:
- No fim ninguém quer trevas excerto
- Santa Helena

Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
