
Como frequentadores mais assíduos
do Oub’Lá, já com uma boa relação com o staff, fomos mais cedo até ao bar, bem no coração da cidade, dar as primeiras mostras de amor e dar os parabéns pelo 1º ano de vida daquele bar que era para ser chamado de Crocky. O bolo não faltou, a nada tímida vela não faltou, os finos eram só pedir… Ficou só a faltar o rock, estava mesmo reservado para mais à frente na noite…
Eram por volta das 23:30 horas quando, após um pequeno atraso, as portas da mítica sala vimaranense São Mamede abriram-se como acesso somente à plateia. Nada que demovesse o já pequeno aglomerado de pessoas que queriam começar a festa bem cedo. Sabes que estavas a entrar para um evento do bar Oub’Lá, quando aos primeiros passos no salão de festas começas a ouvir Quim Barreiros a soar das colunas. Sentimos que estava
garantida
a real festa!
A primeira banda que veio ajudar “apagar as velas” daquele bar vimaranense que tendo vindo a mexer com a cena musical da cidade berço, foram os aveirenses Cosmic Mass. Na verdade quando vimos o quarteto a entrar em palco adentro confundimos por momentos com os Titus Andronicus, muito culpa pelo vocalista Miguel Menano que mostrava claras parecenças com o vocalista da banda de punk/rock norte-americana.
Miguel Menano deu logo rapidamente nas vistas pela sua indumentária invulgar para uma noite muito fresca de uma primavera recente. Camisinha vermelha com bolinhas brancas e de mangas arregaçadas, calções azuis e ténis brancos de uma conhecida multinacional.

Por entre tiradas multilingues do seu vocalista, os Cosmic Mass demonstraram não ter receio de mostrar o seu stoner rock rasgado por riffs adentro. A banda apresentou o seu 1º longa duração lançado no inicio de Março: ‘Vice Blooms’.
A sala ainda estava a preencher-se mas aqueles que já estavam dentro não viram goradas as suas pretensões de uma apresentação bastante interessante e bem positiva.
A noite ainda não ia meio (mas já era hora bem avançada) quando entrou provavelmente a banda com maior currículo do cardápio. Com 4 trabalhos discográficos
já
editados e na bagagem inúmeros concertos por essa estrada fora, apresentaram-se os Indignu. Vindos de Barcelos com o seu post-rock. ‘Umbra’ um dos grandes álbuns do ano passado.

Na história deste concerto dos Indignu teve um tema em jeito de reflexão pela catástrofe dos incêndios de 2017. Assim Afonso Dorido (guitarrista e na foto acima) quis frisar com “Mar de Outubro”, sendo o porta voz da formação. Aliás Afonso demonstrou-se igual a si mesmo na pele Indignu, sempre bastante enérgico. Uma boa apresentação destes barcelenses se bem que sentimos que nem toda a gente na sala esteve a dar-lhes a devida atenção…
Italia 90, será referência ao campeonato do mundo na Itália em 1990? O nome pode dizer pouco (ou mesmo rigorosamente nada) a quem não conhece este trio britânico (assim apresentou-se em Guimarães) mas muito a quem tenha assistido a um concerto destes punks hooligans (no bom sentido). As últimas oportunidades
em Portugal aconteceram no recente passado mês de março e foram três. Depois da passagem pelo MIL em Lisboa e no Mercado Negro em Aveiro, seguiu-se a última desta rodada a qual vamos debruçar-nos um pouco agora a seguir…
O concerto destes britânicos teve um pouco de tudo: problemas técnicos com o microfone do vocalista e com o som do baixo, o que não deu para refrear os ânimos quentes (no bom sentido da expressão) da banda e do público. Ainda a forte interacção do vocalista: chegou a descer do palco e vir interagir com o pessoal e ao final apoteótico em palco a encher-se a convite do próprio.

Foi também giro ver membros dos Cosmic Mass a curtirem o som e a dar-lhes energia positiva mesmo em cima do palco, ainda que, do lado dos bastidores.
Esta performance dos Italia 90 foi uma espécie de hino ao punk: em que nada é perfeito, até bem pelo contrário, contudo mesmo tudo é sentido de forma muito vibrante e sempre com aquele selo irreverente. Foi, sem dúvida, o momento da noite no qual tivemos o pico de público, já a hora mudado há algum tempo. Ficamos com a memória de um revivalismo punk. Definitivamente “Punk’s Not Dead”, está definitivamente bem vivo.
Resta-nos agradecer pela sua performance e desejar que regressem sempre que quiserem a Portugal.
Para fechar a festa em grande veio um ícone das noites boémias desse Portugal fora. Tivemos DJ Quesadilla e o seu dançarino de serviço, um dinossauro que por noite/quase de dia adentro queimaram os últimos cartuchos daquela que foi o 1º de muitos anos de vida do Oub’Lá. Assim o esperamos!

Para primeiro ano de vida devemos dar os parabéns e congratular toda a equipa do Oub’Lá pela coragem em fazer acontecer uma festa desta envergadura logo à passagem do primeiro aniversário.
Também o bar já se tornou num “spot” para conhecidos músicos da zona e que não faltaram à festa. Bonito verificar esta ligação quase umbilical.
Muitos parabéns Oub’Lá e que este tenha sido apenas e só o primeiro de muitos e bons anos! Estaremos, como habitualmente, sempre atentos e acompanharemos presencialmente.
A seguir podem visualizar duas galerias completas de fotos desta noite:
Fotos de João Machado: clicar aqui
Fotos de Jorge Nicolau: clicar aqui
Texto: Luis Silva e Edgar Silva
Fotografia: João Machado e Jorge Nicolau
