Os 20 álbuns que podem ter-te escapado | 2020

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Estamos a chegar ao último capitulo de um ano extraordinariamente bizarro, estranheza essa que faz com que ecoemos nas nossas cabeças um qualquer episódio de “The Twilight Zone”, série norte-americana apelidada por Portugal de “No Limiar da Realidade”. Nesta obra de ficção cientifica acontecem coisas bizarras e que dificil imaginação no dia a dia… Basicamente estamos a descrever o ano que acabamos de viver, melhor dizendo, o ano que acabamos por sobreviver.

Um novo vírus de transmissão humana, uma pandemia, um estado de prisioneiros em casa resultou num processo nunca dantes vivido retirando-nos prazeres básicos da vida e que dávamos por garantidos. Um deles é a ida a um concerto ou a um festival de música. Apesar de uma retoma gradual nas atividades culturais, se bem que ainda bastante limitada, continuamos a sofrer por não termos desfrutado em 2020 de mais um verão passado por entre os variados concertos e pelas tradicionais idas a festivais.

Nesta recta final de ano costumamos apresentar os nossos tops de melhores músicas e/ou melhores álbuns do ano.
Como tudo tem sido tão atípico, nós pelo headLiner, resolvemos também fazer algo incomum ao que vem sendo tradicional. 

Assim deste modo, invés a esses tops, decidimos apresentar uma listagem de 20 trabalhos discográficos editados em 2020 e que foram álbuns de muita qualidade porém sem terem sido tanto falados ou terem tido tanta visibilidade. Não há uma ordem específica, nem uma pontuação ou escala. A escolha foi realizada por Edgar Silva e Luís Silva, gestores do
headLiner.

Baxter Dury – The Night Chancers

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Baxter Dury é um veterano nestas andanças, sendo este ‘The Night Chancer’ já o seu sexto álbum, no entanto, nesta lista a dimensão que o artista possa ou não ter diz-nos muito pouco. A verdade é que a primeira música de 2020 que me fez abusar no replay foi a 1ª faixa deste álbum, “I’m Not Your Dog”, uma música que logo nos 1ºs segundos conquista-nos com a sua batida forte acompanhada pelo um bonito conjunto de violinos. A spoken word do artista britânico em conjunto com a sua voz grave, poética e imponente faz apaixonar qualquer um que o ouve, e neste ‘The Night Chancer’ não é exceção.

~~ escolha de Luís

Mac Miller – Circles

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Poderá estranhar ver este álbum do Mac Miller, artista com um renome incontornável, milhões de fãs por esse mundo fora e que infelizmente deixou-nos muito novo (26 anos) no ano de 2018. No entanto, devido ao ano atípico que vivemos, ‘Circles’ poderá ter passado despercebido a muitos, ainda mais se não são os maiores apreciadores do artista (como nós). O álbum póstumo do artista foi lançado bem no inicio do ano, a 17 de Janeiro, e quem o ouve sente-se logo invadido pelo talento inegável do artista. Sendo este conhecido no mundo do hip-hop, ‘Circles’ distancia-se desse cenário navegando entre o R&B, indie-folk ou synth-pop. Um dos grandes trabalhos discográficos do ano de 2020, sem dúvida.

~~ escolha de Luís

Poliça –

When We Stay Alive

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Este 5º álbum dos Poliça não será, com certeza, o mais “vistoso” deste projeto liderada pela norte-americana
Channy Leaneagh e que existe deste 2011. Apesar disso tem boas malhas como “Driving” ou
“Forget Me Now”

e no seu geral fazem parte de um trabalho discográfico relevante deste 2020. São uma referência dentro do synth-pop no qual diversos estilos são mergulhados tais como R&B e o rock alternativo. O título deste disco, ‘When We Stay Alive‘, está intimamente ligado à vida de Channy Leaneagh. A artista sofreu um gravíssimo acidente em sua casa e que a deixou acamada durante meses. Felizmente recuperou bem, tal pude constatar na sua estreia ao vivo no nosso país na Casa da Música no Porto. O concerto aconteceu dias antes da pandemia eclodir por Portugal e tive a oportunidade de o presenciar. A reportagem desse concerto pode ser lida aqui.

~~ escolha de Edgar

Yves Tumor – Heaven To A Tortured Mind

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Quem ainda não viu Yves Tumor ao vivo, recomendo-o vivamente que o vejam (e tem a oportunidade de o fazer no Festival Paredes de Coura 2021). Foi com a sua explosiva, excêntrica e possante performance no NOS Primavera Sound em 2019 que saltou-me à vista o seu trabalho. Felizmente logo a seguir, neste ano de 2020, editou um dos seus melhores (se não mesmo o melhor) disco da sua carreira até ao momento, ‘Heaven To A Tortured Mind’. Um rock carnal, como escreveu a Pitchfork, sendo um dos artistas mais interessantes e experimentais da atualidade que transparecem na sua música.

~~ escolha de Luís

Porridge Radio – Every Bad

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A cena post-punk está a explodir, principalmente no seio da cena britânica. Oriundas de

Brighton, uma das cidades responsáveis por esta afirmação, as Porridge Radio mostram que o poder feminino tem uma palavra a dizer neste género musical. Provavelmente desde as londrinas Savages, que não víamos um banda feminina a ter a atenção devida neste mundo. O quarteto editou o 2º disco de estúdio, ‘Every Bad’, um dos álbuns mais explosivos deste ano e uma das bandas a ter em atenção nos próximos anos.

~~ escolha de Luís

Tennis – Swimmer

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Alaina Moore e Patrick Riley

além de serem um casal, formam este duo apelidado de Tennis. Oriundos de Denver nos Estados Unidos da América fazem música juntos já há bastantes anos. Não têm muita visibilidade no continente europeu, no entanto, estou atento à carreira deles há bastante tempo, acredito na qualidade da sua música

e nas suas possibilidades. Este ‘Swimmer’ foi lançado no Dia dos Namorados em 2020 e com uma expetativa em alta pois ‘Yours Conditionally‘, o anterior trabalho discográfico, é um disco incrível e que recomendo igualmente uma audição atenta.

~~ escolha de Edgar

Hamilton Leithauser – The Loves Of Your Life

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A vida deste músico multi-instrumentista e cantautor fez-se notar em grande estilo nos primeiros 10 anos de vida do atual século. Hamilton Leithauser fez parte do trio The Walkmen, uma das bandas mais excitantes no mundo durante aquele período. A banda entrou em hiato, tal provocou o inicio de uma nova aventura em nome próprio, e ao seu 2º álbum com ‘The Loves of Your Life’, oferece ao mundo um trabalho extraordinariamente sólido da primeira até à última
faixa. Até agora uma auspiciosa carreira a solo e à qual dedica uma energia inesgotável semelhante aquela que pude visualizar nas duas vezes que o vi ao vivo.

~~ escolha de Edgar

Tom Mish & Yussef Days – What Kinda Music

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Nunca tínhamos sido chamados a atenção de Tom Mish, um jovem artista de 25 anos, que sempre fugiu para o pop, R&B, funk. Neste ‘What Kinda Music’ colabora com o experimentalista

baterista, Yussef Days, um dos artistas mais interessantes da nossa geração e dentro da cena jazz, que ficou mais conhecido por colaborar com

Kamaal Williams no seu projeto comum, Yussef Kamaal. Com a colaboração de Tom Misch e Yussef Days, o som do jovem artista britânico ganha uma nova roupagem onde o forte instrumental faz uma fusão perfeita com a sua voz, dando resultado num dos álbuns que mais consumi neste ano:
‘What Kinda Music’.

~~ escolha de Luís

Disq – Collector

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Disq foram uma das bandas que descobrimos neste ano de 2020 e uma das que mais suscitaram a nossa atenção. Não é ao calhas que “Daily Routine”, single do álbum de estreia, foi uma das malhas mais ouvidas no nosso Spotify.  Os americanos Disq editaram então em Março o seu álbum de estreia intitulado, ‘Collector’. O álbum conta, de uma forma literal, histórias e dificuldades da adolescência da banda de

Wisconsin, acompanhadas por um som distinto e característico com influências indie rock, post-punk e power pop. 

~~ escolha de Luís

King Krule – Man Alive!

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Dentro da cena alternativa, King Krule é provavelmente um dos nome mais forte e mais conhecido desta lista. Porque? Bem, uma das razões é porque achamos que o seu 4º disco não teve a atenção que entendemos (quem somos nós?) que deveria ter tido. ‘Man Alive!’ até pode não ser considerado o melhor álbum de Andy Marshal, isso também acontece porque o jovem britânico editou já geniais discos como o seu de estreia ‘A New Place 2 Drown‘ ou mais recente de 2017, ‘The OOZ’. No entanto, este ‘Man Live!’ mostra-se um disco bem consistente deste a primeira faixa “Cellular” até à última “Please Complete Thee”, passando por grandes malhas onde o jazz e o dark wave se cruzam. No fundo, ouvir qualquer coisa de King Krule sabe sempre bem quando acompanhado por com uma luz a meio faz e um copo de tinto na mão.

~~ escolha de Luís

Yakuza – AILERON

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O jazz que outrora ouvíamos através da trompete de Miles Davis, do contrabaixo de Charles Mingus o do saxofone de John Coltrane, evoluiu, adaptou-se tal como toda a música tem feito ao longo dos seus longínquos anos de existência. Chamam-lhe new jazz e tem ganhado grande notoriedade graças a artistas como Nubya Garcia, The Comet Is Coming, Kamasi Washington e muitos outros. O trio lisboeta Yakuza veio escrever a sua historia no new jazz da cena portuguesa, e fizeram-no ao lançar o seu excelente disco de estreia, ‘AILERON’. Gravado nos conhecidos estúdios HAUS, viaja por cerca de 45min pelo jazz groovy, funky e muito dançável, bem característicos do tal novo movimento que tem trazido à tona grandes artistas.

~~ escolha de Luís

Widowspeak – Plum

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‘Plum’ é o 5º álbum deste projeto oriundo de Nova Iorque e que atualmente é guiado pela cantautora
Molly Hamilton

e pelo guitarrista
Robert Earl Thomas
. Anteriormente já me tinha
cruzado com esta banda porém só mais recentemente com os primeiros singles deste novo
trabalho é que realmente cativou-me a ouvir mais.

~~ escolha de Edgar

Muzz – Muzz

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Paul Banks dos Interpol, Matt Barrick e Josh Kaufman colaborador assíduo de diversas bandas tais como os The National formam esta super interessante banda. Este é o seu álbum de estreia, lançado via Matador, contando com excelentes temas tais como
“Red Western Sky”
ou
“Knuckleduster”. Paul Banks (com a sua inconfundível voz) para mim é um dos fatores diferenciadores, em Muzz demarca-se um bocadinho do seu projeto âncora e de sucesso indiscutível.

~~ escolha de Edgar

Pottery – Welcome To Bobby’s Motel

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Pottery diz-vos alguma coisa? Não? Pois bem, é mais uma banda que editou neste ano de 2020 o seu disco de estreia, assinando logo por uma das editoras discográfica que tem mais dado que falar, a Partisan Records, discográfica de bandas como IDLES, Fontaines D.C. ou de Laura Marling. O quinteto de Montreal, Canadá, editou ‘Welcome To Bobby’s Motel’ a 26 de Junho. Querem um motivo para ouvir esta banda? Ouçam logo a 1ª malha da banda. As comparações com bandas como Talking Heads ou o mais recentes Parquet Courts é inevitável com o seu funky acelerado marcado pela excelente bateria deste incrível e divertido álbum.

~~ escolha de Luís

Mild Orange – Mild Orange

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O radar do headLiner percorre o planeta e está sempre a captar novas ondas sonoras. O primeiro trabalho discográfico auto-intitulado deste quarteto da Nova Zelândia provocou-me boas sensações nas vezes que o ouvimos de ponta a ponta. A dream-pop está lá em toda a sua a majestade e o indie rock também dá um ar de sua graça no som destes neozelandeses. Parece-me que o potencial está todo lá…

~~ escolha de Edgar

Slift – UMMON

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Apesar de variados concertos pelo norte lusitano, inclusive num festival que muito acarinho o festival Rodellus, ainda não os consegui ver ao vivo. O nome ficou na retina e o som nos meus ouvidos. Estes franceses têm um portentoso som e diz quem os viu ao vivo que são incríveis. Com ‘UMMOM’ estes franceses de Toulouse conseguiram levar mais além a sua discografia tendo inclusive realizado uma sessão ao vivo para a bem conhecida rádio norte-americana KEXP.

~~ escolha de Edgar

Hinds – The Prettiest Curse

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Estas 4 jovens espanholas oriundas de Madrid já se chamaram de Deers, porém, tiveram de enfrentar um processo judicial por causa do nome ser idêntico ao de uma banda canadiana. Devido a isso no final de 2014 mudaram para Hinds e o seu percurso de ascensão não teve mais entraves. Ao terceiro álbum de estúdio com este ‘The Prettiest Curse’ o seu garage rock não passou despercebido à crítica internacional. Ao apurado radar do headLiner também não!

~~ escolha de Edgar

Sports Team – Deep Down Happy

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Sports Team é mais uma banda de uns miúdos que surgiu do nada, e que neste álbum de estreia, ‘Deep Down Happy’, já vem marcar forte a sua presença neste mundo vasto do showbiz. Os seis elementos conheceram-se na conceituada universidade de Cambridge, onde deram inicio a este percurso ainda curto. Apesar de já se ter lido que esta banda veio dar uma lufada de ar fresco ao movimento Britpop, este disco de estreia mostra que a banda britânica bebe também de bandas norte-americanas alternativas como Parquet Courts ou dos veteranos Pavement. Só uma “pequena” curiosidade deste disco de estreia, foi o nº2 nos UK Charts ficando apenas atrás do disco de Lady Gaga, ‘Chromatica‘.

~~ escolha de Luís

Três Tristes Trigues – Mínima Luz

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Seria muito difícil de não dar destaque ao regresso aos álbuns da banda histórica dos anos 90 portuguesa, os Três Tristes Trigres, projeto do duo 

Alexandre Soares e Ana Deus. Passado sensivelmente 22 anos (!!!) desde o ultimo disco de originais, o duo portuense volta com ‘Mínima Luz’. Neste disco a banda conta com colaborações de luxo como Fred Ferreira na bateria (Orelha Negra, 

Banda do Mar, Buraka Som Sistema), como da harpista Angélica Salvi ou como letras de

Regina Guimarães e de Luca Argel ou de poemas traduzidos e adaptados de William Blake e Langston Hughes. Um dos álbuns fortes nacionais, e que deve ser escutado e re-escutado com muita atenção.

~~ escolha de Luís

Bully – SUGAREGG

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A banda Bully sofreu um valente reset e o coletivo formado por três músicos passou a ser o projeto a solo de Alicia Bognanno, oriunda de Nashville .

Surpreendente é o adjetivo que empregados para este ‘SUGAREGG’, o primeiro a título individual da artista de 29 anos. Editado pela bem conhecida Sub-Pop este álbum de rock alternativo com laivos grunge merece uma audição atenta. Trata-se igualmente de um grande triunfo pessoal da artista pois tem vindo a ultrapassar um diagnóstico de bipolaridade.

~~ escolha de Edgar

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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