
~ Introdução aos OCENPSIEA
Têm entre 19 e os 21 anos e são 4 jovens músicos aqueles os que formam o coletivo, OCENPSIEA. No teclado e sintetizadores o Tomás Alvarenga; nos sintetizadores e guitarra elétrica o Francisco Carneiro; no baixo e contrabaixo o Gonçalo Lopes e na bateria o João Nuno Vilaça. Os anos de crescimento foram passados em Braga e têm isso em comum, porém não ficam por aí as similaridades. Também todos concluíram o ensino
secundário no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, local que
marca contato com a música. Atualmente estão integrados no ensino superior de
música em diversas cidades europeias.
‘Cónega 103’ é o primeiro trabalho discográfico do projeto criado em 2017
naquela que foi uma produção doméstica terminada no verão desse ano. No ano
seguinte têm o momento em que passam de trio a quarteto com a entrada de Francisco
Carneiro. Um ano depois, no verão de 2018, lançam o segundo álbum ‘Sabão Rosa’, cuja produção foi alcançada num estúdio em Picos de Regalados em Vila Verde.
Para breve irão lançar o seu novo álbum, será o terceiro da carreira dos OCENPSIEA. Antes deste novo capítulo vão subir ao palco do Theatro Circo em Braga naquele que será, porventura, o primeiro espetáculo com mais impacto junto de uma audiência mais vasta. Fazem parte do cartaz do Festival para Gente Sentada e tocam na mesma noite de Jorge Palma.
~ Entrevista aos OCENPSIEA
headLiner: A vossa banda foi formada em 2014 e estudaram no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, um local muito importante para a vossa formação não só pessoal, mas também como banda. O facto de terem tido essa formação musical em que pontos vos ajudou no que são hoje?
OCENPSIEA: Enquanto estudantes do conservatório tivemos o privilégio de
usufruir de uma formação clássica que nos imprimiu importantes conceitos
enquanto músicos. No entanto, pensamos que o mais importante sempre foi a nossa
vontade de explorar para além daquilo que aprendemos no contexto escolar,
criando o nosso próprio estilo e estética. No conservatório nenhum de nós
tocava os instrumentos que agora tocamos em OCENPSIEA. Por exemplo, o Gonçalo
(baixo) tocava contrabaixo, o João Nuno (bateria) tocava percussão, o Francisco
(teclados e sintetizadores) violino e o Tomás (teclados e sintetizadores)
estava no curso de composição. O grupo nasceu “às escondidas”, com ensaios
clandestinos no fim das aulas até tarde. Sessões de improviso e jam sessions,
não só entre nós, mas também com quem quisesse participar e fazer música
diferente e experimental também acabaram por contribuir para a consolidação da
nossa identidade enquanto banda. Foi também assim que aprofundamos o estudo dos
instrumentos que agora tocamos. Fomos muitas vezes expulsos da sala onde
ensaiávamos por funcionários, professores e até pela diretora. Não foi fácil
mas a música foi mais forte.
headLiner: Vocês já têm dois álbuns na bagagem, diria que é algo que não é normal para uma banda tão jovem. Já tinham vindo a compor antes da formação inicial da banda ou foi depois de se juntarem que as ideias começaram a fermentar?
OCENPSIEA:
Haviam umas poucas composições feitas à priori da formação
inicial da banda, sempre originais, mas cremos que foi a partir do momento em
que nos juntamos que percebemos o nosso verdadeiro potencial e começamos
realmente a fermentar. Foi nos “ensaios clandestinos” que a nossa vontade de
criar e tocar em conjunto cresceu. Em 2016 tivemos o nosso primeiro concerto no
foyer do Theatro Circo, no âmbito da Noite Branca. A partir daí, as coisas
tornaram-se mais sérias e começamos a ensaiar regularmente e numa sala própria.
Em 2018 o Francisco juntou-se à banda e isso veio acrescentar criatividade
musical e também mais qualidade no trabalho de produção.
headLiner: Ocenpsiea, nome bastante invulgar… Há certamente uma história por detrás… Quem fala convosco queixa-se muito da dificuldade da sua pronúncia?
OCENPSIEA:
Apesar de nos relatarem uma certa dificuldade em pronunciar
o nome da nossa banda, não há, para nós, uma única forma correta de a
pronunciar. Mesmo dentro da banda cada um tem a sua própria pronunciação
(risos). Todos têm a liberdade de escolher como querem dizer o nosso nome,
desde que o mantenham na sua mente. Gostamos de pensar no provérbio “primeiro
estranha mas depois entranha” (não só no que diz respeito ao nome da banda, mas
também à música). Embora seja difícil de decorar à primeira, acreditamos que
depois de estar na cabeça das pessoas, não vai sair mais. Para além disso, não
somos difíceis de encontrar online. Tentamos sempre dar nomes fáceis de
memorizar aos álbuns e às músicas, para contrastar com o nome da banda, e
também para ser fácil de encontrar.
headLiner: Vão lançar agora em 2021 o vosso novo álbum, certo? Já tivemos o prazer de o ouvir e ficamos impressionamos com a riqueza musical que apresenta, nunca saberemos o que a faixa seguinte vai nos trazer. Uma das nossas favoritas é a “MAC” e o seu baixo associamos logo ao baixo do incontornável Thundercat. É uma das vossas influências para este trabalho? Que outros artistas vocês querem destacar como influências como tanto individualmente e como coletivo?
OCENPSIEA:
Desde já ficamos muito agradecidos pelo vosso apreço pela nossa música. Apreciamos bastante o trabalho de vários artistas que, indiretamente, acabam por influenciar a nossa música, sendo o Thundercat um deles, mas também outros como Robert Glasper, Gogo
Penguin, Weather Report, badbadnotgood etc…Poderíamos elaborar uma lista bastante longa no que diz respeito a este assunto.
headLiner: Neste álbum contam com a voz de PZ no vosso single de estreia “Bicho Mau”. No álbum de 2018, ‘Sabão Rosa’, contam numa das faixas o infalível timbre de Adolfo Luxúria Canibal. Sendo duas figuras tão distintivas da música portuguesa, acaba também por definir a fusão que o vosso som embarca?
OCENPSIEA:
Nunca tentamos encaixar-nos num género musical, sendo que
não é nada fácil definir sequer o nosso género. Temos um estilo muito próprio
que se inspira em música jazz, hip hop, rock, funk, mas que acaba por nunca ser
nenhum deles, nem o consideraríamos uma fusão. Pensamos que é um estilo muito
próprio e muito nosso, como pessoas que ouvem estilos variadíssimos.
headLiner: O vosso maior palco até à data, será certamente o Festival Para Gente Sentada abrindo para esse ícone da música português, o Jorge Palma. O que sentiram quando receberam o convite?
OCENPSIEA:
Acima de tudo sentimos alívio por podermos finalmente dar concertos num contexto seguro. Devido à situação pandémica vamos voltar a atuar exatamente 1 ano e 1 dia depois do nosso último concerto no Oub’Lá. Este regresso aos palcos também não poderia
ser de melhor forma. Ficamos muito contentes por voltar ao Theatro Circo.
Quando fomos convidados para tocar no Festival Para Gente Sentada (um festival
pelo qual sempre tivemos enorme admiração e vontade de tocar), na sala
principal do Theatro Circo, foram logo dois sonhos tornados realidade. Ligamos
imediatamente uns para os outros para festejar o feito. É sempre bom saber que
o nosso trabalho está a chegar às pessoas certas e a ser reconhecido, e que
também está à altura de outros grandes nomes no cartaz.
headLiner: Na nossa última rubrica do ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ também entrevistamos uma banda de jazz emergente do Porto, os Fatspoon. Perguntamos-lhes qual palco achavam que mais gostariam de
se ver, e faz sentido também perguntar-vos o mesmo. Que palco gostavam mais de
se ver a tocar: no jazz na relva do Festival Vodafone Paredes de Coura, no final de tarde do NOS Primavera Sound ou no EDP Cool Jazz em Oeiras? Têm algum local onde têm um desejo especial para tocarem?
OCENPSIEA: É sem dúvida uma escolha difícil porque são os três
festivais que mais frequentamos enquanto ouvintes… Seria muito bom participar
em todos eles como músicos. Este ano íamos concretizar o sonho de tocar num
deles… Fica para 2021 a surpresa (risos). Esperamos no futuro ir tocar a
esses e a muitos outros. O bom de ter um estilo musical tão versátil e, de
certo modo, indefinido e ambíguo, é que, enquanto banda, conseguimos
adaptar-nos e encaixar-nos em diversos ambientes e contextos.
headLiner: 2020 já está a chegar ao fim (finalmente), com o lançamento do vosso 3º disco o que podemos esperar para 2021? Concertos já em agenda? Já nos podem avançar alguma novidade?
OCENPSIEA:
Novidades temos muitas, mas tudo será revelado a seu tempo. Podemos apenas avançar que a Primavera trará coisas novas para todos ouvirem…

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