
Chegámos ao 3º e último dia da desbrava por Ruilhe fora.
Desta vez, o palco escolhido para acolher a meia centena de festivaleiros foi a
Quinta da Vila. Se este nome não vos diz muito, quem já passou pelo Rodellus
nas edições anteriores, reconhece o local escolhido. A organização deixou
para o último dia “um voltar às origens”, recinto que recebeu todas as edições
anteriores.
O café Macieira no dia 7 de Agosto de 2021, estabelecimento que se
localiza bem ao lado do festival, fez-nos lembrar aquelas tardes quentes de
outrora, em que muitos dos festivaleiros paravam por aquelas bandas para se refrescarem
antes de entrarem no recinto. Mesmo com muita menos gente, foi possível sentir
o espírito festivaleiro na também tarde quente de sábado.
Entramos no recinto recebidos pela comprida placa de madeira
que pairava sobre as nossas cabeças dizendo “Rodellus”. Mesmo à direita encontrava-se
o ponto de encontro de quem chegava, o bar, que rapidamente encheu de
forma a combater o sol forte que se fazia sentir.

fotos gentilmente cedidas pela: Joana Sousa (@shootsounds)
Relembrando edições passadas, o palco principal conhecido como Palco Rodellus,
era agora o palco que Krypto e os barcelenses Black Bombaim pisaram. Perante
ele estenderam-se as já habituais 50 cadeiras coloridas dando um bonito cenário
(apesar que preferíssemos que lá não estivessem).
Krypto foi a primeira banda da tarde, liderada pelo icónico
e carismático vocalista da banda punk Zen e dos Plus Ultra, Gon. Mesmo que não
conhecesse este trio do Porto, associar estas duas das bandas já se fazia adivinhar
pelos elevados decibéis que aí vinham. Com um disco de estreia na bagagem ‘Eye18’, com selo da Lovers & Lollypops, os temas deste álbum foram naturalmente apresentados.
Logo às primeiras linhas de baixo de Martelo e às primeiras
batidas da bateria de Chaka, a brutalidade do som fez logo soltar os primeiros
headbanging. O poder que Krypto trazem à cena rock/stoner/metal, diferencia-se pelo
facto de praticamente toda a dimensão sonora passar por apenas uma bateria e um
baixo, que sem descanso rasgam entre malhas como “Spitwater”, “Offall” ou “Crow
Oath”. Gon e toda a sua presença carismática em palco, traz a pujança visual
que nos faz falta para acompanhar a sua loucura e que nos transporta para a viagem
brutal e tresloucada de Krypto.
Conheçam melhor a banda portuense no nosso especial: Foco
headLiner com Krypto | Festival Rodellus 2021

fotos gentilmente cedidas por Joana Sousa (@shootsounds)
A tarde avançava, mas o calor permanecia. Os chapéus de
palha que a organização gentilmente ofereceu a cada festivaleiro foi uma das soluções
adotadas perante tal cenário. No entanto, as idas ao bar que, neste último fim-de-semana se encontrava no antigo Palco Eira mesmo diante do espigueiro que já
recebeu nomes como The Caveman, Kings of the Beach, Fugly ou Baleia Baleia
Baleia, era agora o ponto favorito das muitas pessoas que esgotaram mais um dia
do Rodellus.
Enquanto nos refrescávamos com mais uma cerveja, começamos a
ouvir o começar de cavalgar dos Black Bombaim. A banda de Barcelos que recolhe
enorme respeito dentro da cena stoner, foi uma das principais atrações que fez
esgotar este último dia dedicado às altas rotações. O trio sempre muito tranquilo
e sereno em cima do palco, não faz do show off a sua “arma de arremesso”
perante as dezenas de pessoas que queriam ouvir o rugir da guitarra de Ricardo
Miranda, do baixo de Tojo ou da bateria de Paulo Gonçalves. Sem nunca soltar uma
palavra ao público (e não era isso que esperávamos dos Black Bombaim), até
porque nem microfones tinham, o seu porta-estandarte foi o fuzz e a
distorção ao máximo aliado com os solos de guitarras sempre bem delineados. As
pausas entre as músicas eram praticamente imperceptíveis, oferecendo a este
concerto uma projeção dinâmica e sempre em carga máxima, sendo apenas perceptível
a mudança de faixa quando se apenas ouvia o dedilhar do baixo forte e imponente
de Tojo.


fotos gentilmente cedidas por Joana Sousa (@shootsounds)
O Rodellus reinventou-se num ano em que se previa mais um verão sem festivais de música, sem amigos e sem a ruralidade tão típica desta região. Apesar disso e navegando contra a corrente e num movimento de resistência, o festival de Ruilhe trouxe com toda a segurança um festival que tem no seu ADN o rock, e o rock mais uma vez levou-nos ao caminho do Rodellus.
Mais uma vez foi um prazer fazer parte de mais uma bonita edição, como Media Partner, e sempre a apoiar o que de melhor se faz dentro de fronteiras. Até para o ano ⚡
Texto: Luís Silva
