Majestosa Lana Del Rey fez feliz os “Young and Beautiful”, já os MДQUIИД., as The Last Dinner Party e os Tropical Fuck Storm “agitaram as águas” – Dia 2 do Primavera Sound Porto 2024

Abigail Morris das The Last Dinner Party | mais fotos clicar aqui

Sexta-feira, 7 de junho, dia #2 do Primavera Sound Porto e já muito esperada devido à presença de Lana Del Rey cuja confirmação aquando do cartaz completo levou a lotação esgotada, com bastante antecedência, desta segunda jornada.

Cheguei à zona do Parque da Cidade por volta das 16:15h, depois de estacionar, e ao contrário do dia seguinte tive muita mais sorte, segui rumo à cidade da música portuense munido de impermeável. Mais uma vez, tal como no ano passado, havia a previsão de chuvas fortes. As pessoas já sabiam de antemão das conjeturas climatéricas e mesmo assim muita gente, especialmente adolescentes e jovens adultos não pareciam tão preparados para as eventualidades…

A caminho do Palco Super Bock pelas 16:30h ver o Palco Vodafone balizado por grades e guindastes junto da estrutura deixou-me com uma enorme pulga atrás da orelha. Efetivamente minutos depois confirmaram-me o adiamento do concerto dos Mutu, seria o primeiro do dia neste palco e o mais que provável cancelamento dos Classe Crua, The Legendary Tigerman e Justice. Tal concretizou-se. Apenas os Mutu atuaram, já depois da meia-noite, no palco do lado. O Palco Vodafone não reunia as condições totais de segurança devido a problemas estruturais.

Ambiente em MДQUIИД. | mais fotos clicar aqui

Um dos mais excitantes projetos em toda a Europa são os MДQUIИД. e mais uma vez este trio lisboeta composto por Tomás, João e Halison não deixou ninguém indiferente aos seus grooves hipnóticos.

Antes da forte chuva fazer a sua aparição o pessoal dançava feliz da vida sem pensar em mais nada. Depois disso ficou um pouco mais difícil… Tornou-se num ato de resistência, algo que alguns encararam com um sorriso na cara continuando a dançar de modo descontraído. Efetivamente a chuva caiu forte durante um período de 15 a 20 minutos. Há que dizer, a partir 19h o tempo abriu.Em termos de clima foi um resto de jornada relativamente sereno, tal como a temperatura sentida, sempre amena.

Trio MДQUIИД. | mais fotos clicar aqui

Com esta atuação diurna a céu aberto, uma raridade para eles, foi a oportunidade perfeita para os ver, literalmente ver. Quando atuam de noite costumam ter pouca luz no cenário e também bastante fumo a mistificar a sua performance. Devido a estas circunstâncias foi realmente uma performance diferenciada.

Halison na bateria e pela sua voz exacerbada através de um intenso reverb demonstra uma força extra aos riffs bem hipnóticos fornecidos por Tomás no baixo e João na guitarra. Além de ‘Dirty Tracks For Clubbing’, o disco de estreia, os MДQUIИД. também tocaram tema do mais recente registo discográfico ‘Prata’ no qual se destacam os temas “body control” e “denial”.

João dos MДQUIИД. | mais fotos clicar aqui

A atuação dos MДQUIИД. no Palco Super Bock teve sabor a after à hora dos meninos do pré-escolar deixarem a escola. Teve também a sua beleza! Continuam a demonstrar que têm já a escolinha toda!

André Henriques, músico lisboeta, sobejamente conhecido por fazer parte dos Linda Martini, tem também uma carreira a solo.

Apresentou neste concerto do Primavera Sound Porto temas do último registo discográfico, ‘Leveza’, editado no último ano, e este foi mesmo o foco principal da atuação. Deu também um saltinho a ‘Cajarana’, disco lançado em 2020 poucos dias antes da pandemia atingir Portugal em cheio. Deste álbum tocou “E De Repente” (primeira canção que lançou a solo) e “Pais e Mães e Bichos”.

André Henrique a apresentar os seus temas a solo | mais fotos clicar aqui

Apresentou-se com mais 3 músicos, em formato banda, com Miguel Abeleira na bateria, João Abeleira nas teclas e Adriano Dias Pereira no clarinete. Tal permitiu imprimir uma sonoridade rockeira às suas canções.

Do álbum ‘Leveza’ tocou várias pelo que destaco algumas de mais impacto nesta performance: “As Janelas São de Abrir” logo na abertura, “Milagre na Óptica do Utilizador” e “Muro”. Esta última escrita num dia de chuva bem pior do que esteve durante o concerto, como revelou Henriques.

Antes de encerrar no Palco Plenitude com “De Tudo O Que Fugi”, André agradeceu a por “terem escolhido esta barraquinha de fruta, por aí há muitas barraquinhas…”.

A banda completa de André Henriques| mais fotos clicar aqui

As pessoas que desafiaram a chuva e desfrutaram de um momento bem simpático. André Henriques é um dos valores mais seguros, originais e competentes da nossa praça musical.

Pelas 18:30h fiz a minha primeira incursão rumo ao Palco Porto já sabendo de antemão de que estaria imensa gente em modo de espera pelo principal momento desta jornada. Efetivamente encontrei muita gente jovem, inclusive adolescentes e crianças em idade de 2º ciclo.

O meu propósito foi de ver os Crumb. A banda de indie rock Crumb fez a sua estreia em Portugal neste Primavera Sound Porto. Soam muito bem as músicas ao vivo com aquela pitada de som retro 80s. A vocalista e guitarrista Lila Ramani surgiu com muito estilo vestida com uma t-shirt de uma marca de desporto bem conhecida e com óculos de sol. Além dela, completam a banda Jesse Brotter (baixo e guitarra), Bri Aronow (sintetizadores, teclados e saxofone) e Jonathan Gilad (bateria).

Lila Ramani dos Crumb | mais fotos clicar aqui

Água acumulada em alguma quantidade no topo da estrutura literalmente voou para a frente do palco atingindo a banda completamente desprevenida tendo afetado sobretudo Lila, ela que estava posicionada no ponto mais frontal. Até quando não caiam gotas do céu, a água fazia mossa na mesma…

“(Alone in) Brussels”, “Side by Side” e Genie foram algumas das músicas escolhidas para a setlist deste concerto portuense. Fazem parte do álbum ‘AMAMA’, editado bem recentemente, mais especificamente a 17 de maio de 2024. A faixa que dá o título ao disco foi o tema de abertura deste concerto do qual fiquei com muitas boas sensações. Espero vê-los novamente numa oportunidade que possa surgir em sala fechada e com um público totalmente focado neles.

Ambiente durante o concerto dos Crumb | mais fotos clicar aqui

Depois do cancelamento o ano passado (estavam escalonadas para o Vodafone Paredes de Coura), finalmente as The Last Dinner Party fizeram a sua estreia em Portugal. Elas que vieram mostrar ‘Prelude to Ecstasy’ o seu álbum de estreia, cuja edição aconteceu no passado dia 2 de fevereiro.

Esta banda feminina é composta por Abigail Morris (vocalista), Lizzie Mayland (voz e guitarra), Emily Roberts (guitarrista principal, bandolim e flauta), Georgia Davies (baixo) e Aurora Nishevci (voz e teclados). Como não têm na formação base um baterista, nesta performance portuense, a posição foi ocupada por Casper Miles.

The Last Dinner Party | mais fotos clicar aqui

A sonoridade das The Last Dinner Party vai buscar muita inspiração a algumas bandas dos anos 70 e 80 dando-lhe um som retro e sedoso com que preenchem a sua discografia.

Leques ao ar, assim o público presente achou por bem ser a melhor forma para as receberem. Deu para registar visualmente e na memória para a posterioridade esse bonito momento.

“Burn Alive” e “Party Caesar on a TV Screen” foram as duas primeiras interpretadas tendo de seguida Abigail feito logo a apresentação da banda.

Abigail Morris das The Last Dinner Party | mais fotos clicar aqui

Em jeito de brincadeira Morris afirmou que alguém tinha proporcionar algum entretenimento antes da Lana Del Rey. Realmente foi entretenimento e muito mais. A irreverente e irrequieta Abigail nunca deixou, por um segundo sequer, que a animação parasse. Não houve, decididamente, momentos mortos. Lizzie, Emily, Georgia e Aurora contribuíram também com a sua devida parte para isso. Todas elas várias vezes a fazerem show tocando sentadas no chão, muito enérgicas deveras.

Para “Portrait of a Dead Girl” ensaiou com o público as palavras“Give me The strength” e a resposta da audiência foi sensacional. Pelo caminho ficou o momento Instagram da atuação durante a interpretação da cover “Wicked Game”, original de Chris Isaak.

Emily Roberts das The Last Dinner Party | mais fotos clicar aqui

Nada mais interessa quando um concerto assim termina com aquele gigante hit “Nothing Matters” tendo sido a cereja no topo do bolo.

Um debute sensacional, emocional e emocionante! Tudo isto que tínhamos em expectativa, foi-nos regalado em nota de altíssimo valor!

Da excelente balada “Party On Your Side” passando por “Portrait of a Dead Girl” e finalizando com “Nothing Matters”, esta atuação foi brilhante também pela participação bem ativa do “mar de gente” na plateia do Palco Porto. Arriscamos a dizer, desde já, será considerada uma das melhores atuações de todo o festival!

Ambiente em The Last Dinner Party | mais fotos clicar aqui

A música não parava, mesmo com um palco desativado. Eram quase 22h quando se iniciou um dos concertos do qual tinha alguma expetativa neste segundo dia. Falo dos Tropical Fuck Storm, banda proveniente da Austrália. Mais uma daquele país a tocar no Primavera Sound Porto depois dos Royel Otis e Amyl And The Sniffers.

Bela adesão de público numa altura pré Lana Del Rey, era a seguinte a atuar no palco principal.

Tropical Fuck Storm | mais fotos clicar aqui

A tempestade prevista veio fornecida em género musical e não através da chuva torrencial previamente esperada, pelo menos a respeitante à parte noturna. Estes Tropical Fuck Storm trouxeram da terra dos cangurus toda a pujança do seu rock. Uma mistura de rock psicadélico e punk, para ser mais específico.

Eles que são considerados na Austrália um “super grupo” pois os seus elementos são provenientes de outras bandas importantes daquele país da Oceânia.

A voz meia rouca do vocalista Gareth Liddiard aliada ao triplo girl power fornecido por Fiona Kitschin, Erica Dunn e Lauren Hammel proporcionaram-nos um ótimo momento. Uma estreia bem segura, com um som potente e uma atitude perfeitamente a condizer.

Ambiente em Tropical Fuck Storm | mais fotos clicar aqui

Não é o foco do headLiner, nem o meu foco musical. De todo. Ainda assim posso tecer algumas considerações acerca do que vi do espetáculo da Lana Del Rey.

Perante um cenário majestoso, de grande envergadura, com tantos dançarinos e dançarinas, além dos respetivos músicos pois claro, o concerto é todo um espetáculo visual e performativo. Tudo rola em redor de Elizabeth Woolridge Grant e há que dize-lo, em abono da verdade, Lana Del Rey (o seu nome artístico) sabe medir todos os timings e incorporar-se na “máquina” de forma eximia.

Lana Del Rey em palco | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

De pais com filhos em idade de 2º ciclo, até adolescentes e jovens adultos fervorosos os fãs são, na verdade, de todas as idades e géneros.

Depois da enorme gritaria com a sua entrada, Lana Del Rey não deixou os seus créditos de cantora e artista de variedades por mãos alheias. Uma postura absolutamente tranquila e disciplinada prosseguiu fazendo uso da sua portentosa voz com uns salpicos sensuais.

O primeiro grande momento aconteceu em “Summertime Sadness” com o público a cantar em uníssono, algo que se foi repetindo com o decurso do show.

Lana Del Rey em palco | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Esta jornada de devoção deixou algumas dezenas de fãs dedicados com uma forte memória para o resto da vida sobretudo pela ocasião da interpretação “Born to Die” em que desceu do palco e cumprimentou os fãs. Esteve uns longos minutos junto do gradeamento depois do fim da música.

Gigantes e significativos hits como “Video Games” ou “Young and Beautiful” fazem de Lana Del Rey um fenómeno sem fronteiras e que a ascendem ao posto de diva. Fiquei a perceber melhor todo esse hype em torno desta artista norte-americana. As pessoas efetivamente necessitam de alguém ‘larger than life’, como quem diz ‘maior do que a própria vida’. Que as deixe encantadas e a sonhar acordadas todos os dias.

Ambiente em Lana Del Rey | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Da abertura do dia, os Mutu passaram para o encerramento pelos motivos já dissecados nesta reportagem. O vocalista da banda confirmou que o palco efetivamente não reunia as condições e pediu compreensão. Disse que os técnicos tentaram tudo.

Com projeções logo desde o início a atuação da banda oriunda de Braga prometia bastante. Eles são compostos por Diogo Martins (voz), Pedro Fernandes, nos (sintetizadores e guitarra), Nuno Gonçalves, (teclados) e João Costeira (bateria).

Mutu em palco | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Muita gente aderiu ao concerto, Lana Del Rey tinha terminado há poucos minutos, e houve quem tivesse a curiosidade suficiente para ir espreitar este quarteto. As pessoas até aproveitaram a encosta para se sentarem e, de modo tranquilo, assistirem à atuação.

A tradição, pelo uso de instrumentos tradicionais como adufe, no meio dos sintetizadores e instrumentos mais ligados ao rock é o core business musical dos Mutu. O nome da banda advém da palavra mutualismo.

Além de “Seita” e “Terra de Cegos” a banda também aproveitou para tocar uma música nova. Já tem título, é “Mar Largo”, foi estreada e será gravada e editada mais tarde, inspirada também no cancioneiro tradicional.

Atuação segura e competente num belo cartão-de-visita de todo o seu potencial.

Mutu na despedida | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Quase uma hora depois rumei ao meu carro e deparei-me com imensa gente ainda dentro do recinto, do lado de fora igualmente com a espera pelos ubers e transportes públicos disponíveis. Contava com menos confusão, confesso. Felizmente o meu veículo estava estacionado numa zona boa para escapar às zonas mais movimentadas, nem todos tiveram a mesma sorte…

Vou partir, dentro de momentos, para a jornada final do Primavera Sound Porto neste 2024 com a enorme curiosidade de saber se o Palco Vodafone estará já devidamente operacional. Oxalá que sim pois é dia de termos lá os enormes Pulp!

 

Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia:
– Nuno Coelho
– Hugo Lima @ Primavera Sound Porto [fotos oficiais] www.fb.me/hugolimaphotography

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.