
Mais que um festival de música, o MIMO é uma celebração cultural numa escala mundial. A diretora do festival afirma que a missão foi cumprida consentindo que “o público descobre as novidades e sai de Amarante enriquecido.”
O calor do verão deu às boas vindas ao público provenientes de vários pontos do mundo que se deslocaram até às terras de Amarante para desfrutarem das 53 atrações deste festival. Desde a música ao cinema, workshops e masterclasses lecionadas pelos artistas que partilham os seus conhecimentos com os mais curiosos criando uma proximidade entre o público e o performer. Os moçambicanos Timbila Muzimba abrem este ‘cocktail musical’ com os seus ritmos tribais e danças fieis as suas origens.

A força cultural do Brasil é bem vísivel neste festival, com muitos emigrantes brasileiros acompanhados de cartazes e mensagens de teor político (”fora temer!”). Tendo em conta que este festival teve início no Brasil, muitos artistas brasileiros deslocam-se até Amarante numa ação intervencionista: BaianaSystem, OTTO, Dona Onete e Almério são alguns dos nomes brasileiros que animaram a cidade.
Do outro lado do continente e a jogar em casa, Rui Veloso não saí de palco enquanto não enche o público de grandes hinos da música portuguesa da sua autoria, Bruno Pernadas acorda a multidão com a sua explosão jazzística e os lisboetas Dead Combo encontram no norte a áurea perdida de Tó Trips.

Espaço também para os trios de jazz constituídos por teclas, contrabaixo e percussão por parte do Americano Matthew Whitaker TRIO que com 0% de visão mas 200% de audição refinada, com muito funk vindo do interior da sensação melódica aporada do artista. Os ingleses GoGo Peguin, quebram gelo e Shai Maestro TRIO derrete por completo com a escala.
Diretos do ocidente para a Igreja de S. Gonçalo a Orquestra Chinesa Cheong Hong de Macau abre a veia mais oriental clássica do festival que enche o espaço em pouco tempo.
O cinema abre o leque ao slogan “dois ouvidos é pouco” espalhados pelo festival. O cinema Teixeira de Pascoaes exibe películas como “Fade Into Nothing” filmado no formato de super8 com textos de Paulo Furtado assim como a animação “Ornatos Violeta” que recria o imaginário de uma banda que marcou uma geração.

Destaque também para a exposição designada “Os Modernistas. Amigos e Contemporâneos de Amadeo de Souza-Cardoso”, composta por 59 obras de artistas modernistas, como Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Francis Smith, Jorge Barradas e Júlio Reis Pereira.
A 3.ª edição terminou com uma marcha festiva ao encargo de Goran Bregovic Wedding and Funeral Band e abre portas ao Parque Ribeirinho para nova edição que promete voltar em 2019, de 26 a 28 de Julho.
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Texto: João Duarte
