Noite dos Reis. Existe melhor maneira de começar o ano com este presente vindo da Bazuuca, agência e promotora musical de Braga, que decidiu juntar numa só noite toda a sua realeza com 9 concertos praticamente non-stop? Não me parece…
O palácio real foi a discoteca Lustre, que começa a ganhar olho para este tipo de eventos, como o passado concerto dos Linda Martini ou o futuro concerto dos Capitão Fausto, uma aposta que começa a marcar no mapa uma nova casa de concertos no norte do país.
Aposta ganha por João Pereira, o anfitreão deste baile real, que não poderia pedir uma melhor 1ª edição. Entre muito receio de juntar as 9 bandas agenciadas numa só noite, a casa encheu-se pelas costuras num autêntico hino à música feita em Braga.
Houve espaço para novas descobertas como a eléctronica de Tundra Fault, a dupla No I On, que em poucos metros quadrados agitaram as bolas de espelhos e que mereceram frontlines de João Carvalho (PdC), de Ferna, Adolfo Luxúria e do próprio João Pereira (Bazuuca) ou os The Missing Link, projeto de Lucas Palmeira, teclista dos Quadra, com Diogo Martins na guitarra. Do outro lado haviam projetos já vingados como os This Penguin Can Fly,
trio de post-rock que apresentou novas músicas, numa amostra em que o pequeno pinguim suou muito e com 3 baquetas partidas, começou aquecer a noite que ainda ia curta, mesmo com o relógio a marcar já a meia noite.

A seguinte atuação veio dos Máquina del Amor, nome forte do experimentalismo de Braga, num concerto intenso que nos levou a outra dimensão sob os seus hipnóticos sintetizadores, tendo sida interrompida pelos 20min de concerto que cada banda dispunha. Permanecendo na poltrona dos Reis, Filipe Palas, guitarrista dos Máquina del Amor e o seu super grupo bracarense sobem ao palco, entre os quais o baixista dos Quadra, o guitarrista dos Bed Legs e ainda o ex baterista dos Grandfather’s House. Trata-se de Palas, banda que veio apresentar assim o seu EP ‘Dente de Leão’.
A noite já ía longa mas nada que não demovesse o público, aliás, parecia que cada vez mais a sala traseira do Lustre se ia enchendo com a temperatura bem alta, contrastando com a noite fria que se fazia sentir lá fora. Sobem então ao trono real os Quadra, quinteto que teve um ano 2018 super agitado mas que não parece que vão ficar por aqui. A banda veio à Noite de Reis trazer novos temas para um novo álbum a ser editado já este ano não esquecendo, obviamente, os quentes temas de ‘Cacau’ que fez jus ao espaço em que nos encontrávamos, fazendo toda a gente dançar e soltar o seu melhor passo de dança.

Um dos momentos mais inesperados da noite foi proporcionado pela teatrialidade que os Grandfather’s House trouxeram, com duas pessoas completamente de preto com a sua boca tapada por uma cruz branca bem marcada (a sua interpretação fica a cargo da imaginação de cada um). A dream pop de Rita Sampaio, do seu irmão na guitarra sempre explosivo, tornado o pequeno palco gigante, a baterista Ana João e ainda Nuno nos teclados, vieram mostrar músicas dos seus álbuns ‘Slow Move’ e do mais recente ‘Diving’, numa atuação em que se vivenciou bem a experiência e irreverência da banda que, começou por um projeto bem caseiro e que já leva dimensões nacionais.
Para fechar o baile real, veio o rock sem limites dos Bed Legs capitaneado por um dos melhores frontman em Portugal, Ferna, que não se deixou ficar e causou o explodir de uma sala a fervilhar por uma moche. A partir do primeiro click, o concerto mais longo da noite tornou-se curto após tanto crowdsurf, riffs e um público a apludir por mais já com o relógio bem acima das 3h da manhã.

Já dizia o ditado: “Antes ser rei uma hora, que duque toda a vida”, na noite do dia 5 fomos todos reis durante 5h. Soube bem não soube? Pronto, agora que venha a 2ª edição do baile real.
Vejam toda a foto-reportagem pelo João Machado aqui: link
Texto: Luís Silva
