gnration Open Day: 10 anos celebrados com Panda Bear, Sonic Boom e Bandua | Reportagem

Apesar de não achar o cartaz tão apelativo como em edições anteriores, eis que resolvi assistir ao gnration Open Day e à celebração dos 10 anos ocorrida no passado sábado, 29 de abril. Para mim, foi a quarta vez que marquei presença, todas consecutivas.

Fui mais uma vez, principalmente, por causa da programação musical, como tem sido tradicional. Convém frisar que este dia contempla outras vertentes como instalações artísticas, visitas orientadas ou atividades para os mais jovens.

Tal como Ricardo Rio (presidente do município de Braga) sublinhou publicamente este gnration é um “equipamento cultural de referência que cada vez mais tem uma oferta cultural distintiva e complementar a outros espaços culturais da cidade.”.

Efetivamente essa é a sua maior mais-valia, um espaço que permitiu aos bracarenses, e não só, terem tido a possibilidade de assistir nos últimos 10 anos a concertos de artistas como Weyes Blood, Circuit Des Yeux, Casper Clausen, Cass McCombs, Raincoats ou Acid Mothers Temple. Dos portugueses referir nomes como Mão Morta, The Legendary Tigerman, Homem em Catarse, Black Bombaim ou Pluto. Ao longo de 10 anos já é longa a lista de presenças, algo que a organização fez questão de projetar no ecrã vídeo situado no palco exterior.

Quando cheguei ao gnration, muito bem acompanhado pela minha namorada, passavam poucos minutos das 16:30h e já tinha findado a atuação de Inês Malheiro. Esta artista bracarense, tinha ficado com o slot das 16h, o de abertura da programação musical. Foi altura propícia para dar um giro pelas instalações presentes nas diversas salas do edifício enquanto não se iniciava o concerto seguinte. Não sendo leigo na matéria, direi apenas que vi instalações mais apelativas em anos transatos…

‘ODE ao gnration!’ durante a tarde  // © Hugo Sousa – gnration
A ‘ODE ao gnration!’ apresentou-se ao vivo, a partir das 17h, com alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian sendo que este ensemble foi dirigido por Ece Canlı, artista turca radicada em Portugal.Nesta sua quinta edição a Orquestra de Dispositivos Eletrónicos apresentou uma performance um pouco arrastada inicialmente já que durou bastantes minutos, esta parte eletrónica foi até algo maçadora. Quando foi lugar para os músicos tocarem os seus mais variados instrumentos, a atuação alavancou e animou. Deu para escutar um som demarcado e inspirado no médio oriente (não é de estranhar tendo em conta o “dedo” de Ece) tendo sido coadjuvado por elementos eletrónicos. Algumas das passagens musicais foram bem agradáveis.

A tarde ia tranquila com uma adesão de público menor em comparação a edições anteriores. O tempo estava relativamente quente pese embora algo abafado. Céu encoberto sem ameaçar chuva, sendo que, a climatologia variou um pouco durante o dia e a noite.

Serge Fritz na apresentação de ‘Gandulo’  // © Hugo Sousa – gnration
Sérgio Freitas, músico e pianista de Braga, apresentou-se com o seu projeto Serge Fritz para o encerramento do período da tarde. Ele aproveitou esta ocasião, perante uma blackbox muito bem preenchida, para tocar temas do seu primeiro disco a solo ‘Gandulo’ editado em 2022. Ainda com o 25 de abril fresco na memória, o suporte do teclado de Serge Fritz, exibia cravos. Para mim foi mesmo uma liberdade ouvir os seus temas, não os conhecia, e fiquei com muita boa impressão sonora. Certamente irei investigar e escutar melhor esta sua obra de debute.

A parte principal da programação musical chegou a partir das 22h no palco Praça situado no exterior. O período noturno teve, mais uma vez, uma enchente. Primeiro atuaram os Bandua, dupla formada pelo covilhanense Edgar Valente e pelo luso-brasileiro Bernando d’Addario. Notou-se muita gente curiosa com bastante interesse pela sua performance.

Pela primeira vez os Bandua tocaram em Braga, já tinham estado perto em Caldelas no Vira Pop em 20222. Edgar afirmou ser “um prazer estar finalmente em Braga”. Começaram com o tema “Borboleta Branca” e do seu álbum de estreia tocam também, por exemplo, “Ceifa”. Outra canção que não faltou foi “Bandeiras”. Foi com este tema que concorreram ao Festival da Canção. Boa parte do seu set contemplou a performance de novos temas.

Bandua na Praça // © Hugo Sousa – gnration
Eles recorrem à chamada a eletrónica downtempo para um ritmo mais pausado. Inspiraram-se no folk e sonoridades tradicionais do interior, nomeadamente da Beira Baixa. Este projeto é uma lufada de ar fresco no panorama nacional.

Não fiquei propriamente fã, é certo. Apesar disso reconheço a sua diferenciação e valia. Pude comprovar no passado sábado em Braga que há muita gente a apreciar este duo Bandua.

Arsenal Mikebe são um trio de africanos oriundos do Uganda. Tocaram na Blackbox e não fiquei nada impressionado. Eles apresentaram um som bastante pesado, alicerçado em três instrumentos de percussão e nas suas vozes. Ao fim de 20 minutos de atuação desisti depois de uma sequência (quase) ininterrupta e furiosa de percussão e vocalizações berrantes.

Panda Bear em palco  // © Hugo Sousa – gnration
O que realmente mais me interessava era a performance de Panda Bear & Sonic Boom. A partir da meia-noite vi mais uma atuação da qual desfrutei. Eles que tiveram perante si uma praça muito bem preenchida sem estar totalmente lotada. Além do excelente desempenho vocal de Noah Lennox existiu igualmente um excelente nível no acompanhamento por parte de Peter Kember. Ambos manipularam instrumentos e cantaram. Estes dois músicos juntaram-se tendo editado em 2022 o álbum colaborativo ‘Reset’. Um incrível trabalho cuja apresentação ao vivo em Braga foi coroada de êxito. Não foram de muitas palavras, dedicaram-se de forma concentrada a tocar os seus temas. Eles que foram acompanhados por um ecrã com animações durante todo o show.

Sonic Boom em palco  // © Hugo Sousa – gnration
Começaram o concerto com “Getting to the point” e seguiram-se outras de‘Reset’ como, por exemplo, “Edge of the Edge” (uma das mais divertidas de escutar), “Whirlpool”, “Livin’ in the After” ou “Everything’s Been Leading to This”. Esta última foi tocada antes do encore. Nesse encore optaram por tocar músicas dos seus próprios projetos.

Em certas zonas da Praça o concerto não captou totalmente a atenção de algumas pessoas até final da atuação, tal era o alto volume da conversa… Foi pena pois essas pessoas não desfrutaram em toda a plenitude da boa performance de Panda Bear & Sonic Boom.

Perspetiva do palco Praça  // © Hugo Sousa – gnration
A noite encerrou com Candy Diaz na sala multiusos e De Shuurman na blackbox.

Resta dar os parabéns ao gnration pelos seus incríveis 10 anos de atividade e desejar que venham muitos mais com toda esta vitalidade que tem sido, efetivamente demonstrada desde que começou a dinamizar a vida cultural bracarense e minhota deste modo tão diferenciada.

Agradeço a cedência das fotos por parte do gnration em particular ao Ilídio Marques. Mais fotos podem ser visualizadas nas redes sociais do gnration.

A enchente da noite em Panda Bear & Sonic Boom   // © Hugo Sousa – gnration
Texto: Edgar Silva
Fotografia: © Hugo Sousa – gnration

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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