
O confinamento e toda a situação atual que se vive um pouco por todo o mundo, está a afetar toda a vivência na sociedade, e o mundo do showbiz levou um abanão que está a deixar muitas mossas aqui e ali. Já faz uns meses que esse confinamento passou, mas para mim, um consumidor compulsivo de concertos, foi apenas no dia 30 de Outubro que esses velhos hábitos voltaram. Em questão estava a apresentação do explosivo novo álbum dos barcelenses Gator, The Alligator, ‘Mythical Super Bubble’, o qual tivemos o privilegio de o ouvir em 1ª mão –
‘Mythical Super Bubble’: o mundo encantado do rock | Lê em 1ª Mão
A Linha TGV e a Macho Alfa voltam a mexer a alta velocidade com a cidade de Barcelos e trouxeram-nos este fim de semana (30 e 31 de Outubro) dois nomes de luxo: no primeiro dia, a prata de casa Gator, The Alligator e no do segundo dia, um dos nomes fortes da música contemporânea portuguesa, Luís Severo.
A chuva tinha dado tréguas, e naquela sexta-feira em que a mobilidade em todo o Portugal estava reduzida entre concelhos, não fez demover uma casa cheia no Theatro Gil Vicente. A saída de Viana do Castelo, minha cidade, fez-se por volta das 21h30 e com o livre transito para pessoal que fosse a assistir a espectáculos, não houve qualquer entrave na nossa viagem até ao bonito edifício mesmo no centro daquela cidade.

O público esgotou por completo a sala do Theatro Gil Vicente [Mais fotos aqui]
Pouca passava das 22h, quando entrei na acolhedora sala. Banco sim banco não, a sala ia-se composto até “não haver mais sítios onde se sentar”. A lotação tinha-se dado como esgotada, o que é de louvar nos tempos em que vivemos. Não era de menos, a banda que tocava em casa tinha muitas caras conhecidas na plateia e seria a sua estreia a tocar o novo, ‘Mythical Super Bubble’.
O quarteto entrou na sala com as luzes mais apagas que ligadas, apenas se avistavam os seus vultos a vaguear pelo palco. Pela marcação das baquetas começou-se a ouvir “Spider”,
seguindo-se de “Sleep All Morning”, ambas do primeiro álbum, ‘Life Is Boring’. O grande motivo que moveu dezenas de pessoas naquela sexta à noite, entrou logo nos nossos ouvidos à terceira música, “Pact”, a primeira música do seu novo longa duração
e a primeira do mesmo a ser-nos apresentada naquela noite. O fundo que tinha permanecido neutro, muda agora, e é avistado a tal super bubble a pairar no ar de uma forma mística e misteriosa. A partir daqui, o reportório foi andado lado a lado com o álbum editado há um mês atrás. “Feral Rush”, “Shiny Endless Glow” ou uma das nossas favoritas, “Gumba Lumba World”, foram tocadas umas atrás das outras quase que numa re-audição do álbum.

Gator, The Alligator e a super bubble de fundo [Mais fotos aqui]
A quantidade de vezes que vimos a banda de Barcelos já é consideravel, mas neste formato, sala fechada e em que todos se encontravam sentados e dentro do seu metro quadrado, foi no mínimo peculiar. Apesar do corpo querer falar mais alto do que aquele espaço que nos propuseram, vê-se à nossa volta que as cabeças e os envergonhados headbanggin iam respondendo à performance electrizante já característica da banda. Uma coisa que há que destacar positivamente de ver um concerto de rock e cheio de distorção naquele formato, foi a qualidade de som. Neste concerto bem preparado, apesar dos decibéis bem elevados, praticamente cada nota foi perceptível.
Depois de “Love Potion”, seguiu-se “Mythical Super Bubble”, faixa que dá titulo ao álbum apresentado, uma malha que se priva das vozes e dá destaque a todos os seus instrumentos ao longo de 3min. A partir desse momento, Tiago Martins (vocalista da banda) entoa “I see the Mythical
Super Bubble“ e começam a cair e esvoaçar bolas de sabão que vão invadido o palco e deixa o público perplexo, uns de nós simplesmente a olhar, outros a registar aquele momento. Um momento deverás mágico e que fez jus ao conceito que a banda nos transportou.

Eduardo da Floresta sob as bolas de sabão [Mais fotos aqui]
Os quatro elementos tinham abandonado o palco, com poucas palavras, o que fazia adivinhar um possível regresso.
“Nós íamos mesmo embora, mas a DGS disse que poderíamos tocar mais uma”
E sob alguns aplausos, eis que surge “Yayaya”, para o 1º e único encore da noite. Aquele riff inicial transformou rapidamente aqueles aplausos em uivos vindos diretamente do público mostrando porque é uma das músicas mais ouvidas nas diversas plataformas – é um verdadeiro hino.
A noite foi de rock. Um rock explosivo mas tímido que, infelizmente pelos tempos correntes, transformou em aplausos e bolas de sabão a já conhecida azafama do público nos concertos dos Gator, The Alligator.
Vejam toda a foto-reportagem pelo João Machado: clicar aqui

Texto: Luís Silva
Fotografia: João Machado
