Foco headLiner aos Talentos Emergentes #22 | Travo

Nesta edição do “Foco HeadLiner aos Talentos Emergentes” vamos falar de uma banda que já acompanhamos há bastante tempo e que apreciamos bastante: os Travo. Por isso foi mais uma escolha óbvia, pelo destaque que temos dado na sua divulgação. Quer no que diz respeito aos seus trabalhos discográficos ou aos seus concertos, alguns dos quais já foram alvo de reportagens de nossa parte.
~ Biografia (até ao momento) dos Travo
O marco inicial da existência dos Travo surgiu em março de 2016 com a edição do primeiro trabalho discográfico, um EP intitulado ‘Santa Casa’. Com trabalho lançado a banda já se podia considerar algo a sério. Pese tal questão, a realidade é que a incerteza e a mudança de membros foram uma realidade firme durante algum tempo.
Esta banda oriunda do Minho, mais precisamente de Braga, professa rock psicadélico com afirmação e atitude basculante desde 2019. Precisamente nesse período aconteceu o surgimento de ‘Ano Luz’, um disco rock de cariz instrumental, psicadélico e espacial, o primeiro lançamento “à séria”.
Gonçalo Ferreira (voz, guitarra e sintetizadores), Gonçalo Carneiro (guitarra e sintetizadores), David Ferreira (baixo) e Nuno Gonçalves (bateria): estes são os membros atuais já com 5 anos de convivência permanente no panorama da música nacional sob o nome de Travo.

Gonçalo Ferreira, vocalista dos Travo | mais fotos clicar aqui
‘Sinking Creation’ surge em 2022 como um “filho da pandemia” no qual os Travo fazem a primeira rutura do seu historial. As paisagens instrumentais sofrem uma mutação passando a incluir elementos sonoros novos nomeadamente introduzindo vários movimentos do rock das décadas de 60 e 70. Este álbum teve a colaboração na realização por parte do ‘Trabalho da Casa’ levado a cabo pelo gnration e que já apadrinhou bastantes edições discográficas. Este programa gerido por aquele espaço cultural bracarense promove a criação e a apresentação de novos álbuns originais por artistas locais.
A vida dos Travo leva já 7 anos e já pode-se dizer que divide-se entre um antes e um depois… E um novo depois!
A banda bracarense voltou a “lançar os dados” e a 17 de novembro de 2023 editam ‘Astromorph God’. Uma nova “pedrada no charco” do qual surgem temas numa fusão de rock psicadélico com progressivo e thrash metal. As vozes agasalhadas de reverb e as teclas tanto acústicas como sintetizadas ajudam no revestimento da sonoridade psicadélica dos Travo.
Uma distinção relevante foi terem sido escolhidos como “Novos Talentos Fnac” em 2022. Provavelmente terão mais distinções e um maior reconhecimento nos próximos tempos.
A vida de estrada dos Travo já os levou a diversas cidades portuguesas: de norte a sul passando pelo Alentejo. Já tocaram em alguns lugares míticos do panorama nacional. Provavelmente a aparição mais sonante foi no SonicBlast em 2022. O Rodellus em 2019 foi uma das primeiras exposições mediáticas. Já atuaram também em locais como o Maus Hábitos no Porto ou o GrETUA em Aveiro.
Braga, Guimarães, Fafe, Santo Tirso, Barcelos, Portalegre e Leiria são outras das cidades que já acolheram os Travo. Depois de terem percorrido um pouco do nosso Portugal vão agora apostar em levar o seu trabalho além-fronteiras.

Nuno Gonçalves dos Travo | mais fotos clicar aqui
Atualmente agenciados pela gig.ROCKS! o futuro destes bracarenses aparenta ser risonho. O novo disco ‘Astromorph God’ está a ser promovido internacionalmente pela editora espanhola Spinda Records. Esta representação já deu frutos: estes minhotos atuaram no Monkey Week em Sevilha no passado mês de novembro.
A época de festivais de verão vai ser excitante para este quarteto bracarense. Já estão confirmadas presenças em alguns dos mais relevantes festivais de rock psicadélico/alternativo como o Krach am Bach na Alemanha ou o Sonic Whip nos Países Baixos.
~ Entrevista aos Travo
headLiner (Edgar) – Como surgiram os Travo?
Travo: A primeira iteração dos TRAVO surgiu em 2015, numa garagem em Braga, e foi composta por 5 amigos do secundário com muita vontade de fazer música. Entretanto, por motivos académicos/profissionais, a formação foi sofrendo alterações até estabilizar em meados de 2017 com a adição do Gonçalo Carneiro a 3 dos membros originais: David Ferreira, Gonçalo Ferreira e Nuno Gonçalves.
headLiner (Luís) – Inicialmente os Travo procuraram os melhores caminhos e provavelmente os elementos certos. São vocês os quatro já há bastantes anos, desde que o projeto realmente alavancou de forma sóbria e cuidada, direi eu. Existiu um click entre vocês ou algum momento em que sentiram que estavam as condições certas para os Travo irem avante?
Travo: A introdução do Gonçalo Carneiro na banda foi um acaso muito feliz. Os Gonçalos conheceram-se ao estudarem juntos em Castelo Branco e, se não fosse isso, muito provavelmente nem nos conheceríamos neste momento. O Carneiro já tinha gravado um EP nosso, quando ainda éramos os 5 membros fundadores, e houve logo uma ligação especial entre nós. Convidamo-lo a vir ensaiar pela primeira vez numa fase em que ponderamos acabar com a banda. Felizmente bastou um ensaio com esta formação para nos motivar a continuar.
headLiner (Luís) – Como aconteceu o apoio do gnration através no seu programa ‘Trabalho de Casa’ no lançamento do vosso álbum ‘Sinking Creation’ em 2022? O que significou esse apoio “caseiro” para vocês?
Travo: Com a pandemia e os sucessivos confinamentos a acontecerem quase imediatamente após termos lançado o nosso primeiro álbum, ‘Ano Luz’, e, por isso, a interromperem a apresentação do mesmo, encontrávamo-nos novamente numa fase tremida. Pensamos portanto que seria uma boa altura para nos candidatarmos ao programa ‘Trabalho de Casa’ do gnration. O Luís Fernandes, na altura diretor artístico do gnration, e a quem estamos muito gratos, aceitou a nossa candidatura e tivemos a fortuna de poder gravar um álbum com um custo muito reduzido no Moby Dick studio, com o Budda Guedes. O Budda, a quem também estamos muito gratos, é uma referência para nós e foi uma experiência muito enriquecedora poder gravar com ele e absorver muito do seu conhecimento. Foram estas as circunstâncias que levaram à gravação e lançamento do ‘Sinking Creation’ em 2022 e a tudo a que chegamos depois disso. Este programa do gnration significou muito para nós, por tudo isto.
headLiner (Edgar) – De ‘Ano Luz’ em 2019 até ‘Sinking Creation’ em 2022 e ‘Astromorph God’ agora em novembro de 2023 são as vossas três edições discográficas. Entre eles tem acontecido mutações camaleónicas num processo evolutivo. As referências sonoras vêm sendo atualizado, sempre com novas referências. Tem sido um caminho evolutivo e natural? Como é que analisam, olhando para trás?
Travo: O caminho tem sido bastante natural. Os nossos gostos foram evoluindo com o tempo, assim como a nossa musicalidade e habilidade para tocarmos juntos, fruto de muitos ensaios e jams durante estes anos. Procuramos sempre evoluir, incorporar elementos novos na nossa música e desafiar-nos enquanto compomos, mas mantendo sempre uma identidade característica da banda. Só assim é que para nós faz sentido continuar a fazer música nos dias de hoje.
headLiner (Luís) – Do post/kraut ao stoner rock passando pelo experimentalismo até abraçarem o rock psicadélico tem sido um caminho desafiante, a meu ver. Faz ainda sentido tentar “colar” o som de uma banda a determinados géneros musicais?
Travo: Para determinadas bandas e géneros bem definidos pode fazer algum sentido. Para nós achamos que não, porque, como mencionamos anteriormente, a nossa sonoridade vai variando com o passar do tempo. Isto sem qualquer tipo de condescendência para com o tipo de bandas e géneros mais fechados, porque há espaço para tudo e bandões que adoramos que fazem sempre o “mesmo” álbum.

Gonçalo Carneiro e David Ferreira dos Travo | mais fotos clicar aqui
headLiner (Edgar) – Imaginemos que os Travo seriam a banda de abertura de uma noite de concertos. Se fossem vocês a escolher as 3 bandas seguintes, quem escolheriam? Vá lá, 4 bandas, dá uma por cada elemento.
Travo: COMBRAFUMA
ELDER
KING GIZZARD AND THE LIZZARD WIZZARD
MAHAVISHNU ORCHESTRA
headLiner (Edgar) – A gig.ROCKS! tem feito um trabalho meritório com as bandas que representa. Têm também puxado muito pela vossa banda. O que significa ter esta promotora convosco?
Travo: As pessoas por trás da gig.ROCKS! são maravilhosas e fazem muito por nós. O João Araújo e o Jorge Dias têm uma paixão contagiante pela música e uma visão clara para um crescimento sustentado tanto das bandas como da própria promotora e é um prazer trabalhar com eles.
headLiner (Edgar) – Já escutei ‘Astromorph God’ e fiquei fã dos novos temas. Para quem ainda não ouviu este disco, quais são os vossos adjetivos para o classificarem? O que podem dizer para motivarem as pessoas para a sua audição?
Travo: Distorção em todos os instrumentos, delays e jams de rock rasgadinho. Se gostarem destes condimentos, poderão apreciar o ‘Astromorph God’.
Entrevista elaborada por Edgar e Luís, membros fundadores do HeadLiner.
~ Links da banda
Facebook: @travo_band
Instagram: @travo_band
Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4MfJiaWvv1JRoovI4WKdbE?si=FB3w1LWxR_i5hZHcPWgwHg
### ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ é uma rubrica iniciada em 2016 com o intuito de dar ênfase a projetos musicais, tanto em formato banda como artistas a solo, cujo selo de “talento emergente” é perfeitamente ajustado. ###
