Braga efervesceu com uma bazucada de música – Dia 2 da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’

Fernando Fernandes, a voz dos Bed Legs | mais fotos clicar aqui

Se a primeira noite foi um bom começo das hostilidades musicais de 2024, a segunda noite dos foi o culminar perfeito de que uma noite dos Reis da Bazuuca deve realmente ser. O termómetro do carro não mostrava grande diferença da noite anterior, mas no momento em que voltamos a entrar no Lustre, percebemos rapidamente que a temperatura ia aquecer bem mais que na primeira noite. Prova disso era a fila que já se fazia sentir na porta da discoteca bracarense, prevendo assim uma noite de casa cheia.

Entramos na sala principal, sala submersa em luzes vermelhas que aliado ao ar-condicionado a trabalhar em potência máxima, fez aquecer ainda mais uma noite que já prometia ser bem quente. Em cima do palco tinham acabado de entrar os mutu, um dos projetos musicais que nasceram, porventura do efeito pandémico, que culminou num encruzilhar de ideias, originando ‘A Morte do Artista’. Este disco de estreia foi apresentado na sala já quase lotada, embora a noite ainda mal tinha começado.

Mutu: uma das mais recentes formações bracarenses | mais fotos clicar aqui

A banda trouxe uma lufada de ar fresco a este pequeno festival, trazendo uma sonoridade nova explorando a introspectividade do post-rock e a nostalgia da musica tradicional portuguesa, por entre ditados populares e acordes simples e delicados. Terminaram com “A morte do artista” seguindo de “Senhora dos Remédios”, música a qual termina com os 3 elementos da banda a contar em uníssono, fazendo lembrar o cante alentejano, num momento bem emotivo e de cumplicidade.

Terminando muito perto da meia noite, trocamos o disco e movimentamo-nos para a sala do lado, ver um dos nomes que nunca tínhamos ouvido sequer falar, Maison Vert. O projeto de Frank Lucas (jovem bracarense que já tinha atuado na noite anterior) e de Birou a controlar todos os beats, trouxe o primeiro momento dançável da noite. Com uma primeira fila bem composta, ficando bem audível que a dupla já tinha alguns fãs. “Isto parece o Pedro Mafama cá da terra” ouvimos alguém a comentar bem ao nosso lado, e de facto por momento, como em “Mais Um” ou “Não sei” essas similaridades eram audíveis com a voz de Lukas sempre bem carregada de auto-tune, cantadas em português e com uma sonoridade bem dançável, aquecendo assim o que faltava ainda da noite.

Regressamos, desta vez com maior dificuldade à sala principal, por entre inúmeros corpos que iam já enchiam corredores, salas e bares do Lustre. No palco da Bazuuca iam tocar uma das bandas mais esperadas de todo o evento, os Quadra.

Hugo Couto, o enérgico baterista dos Quadra | mais fotos clicar aqui

O quinteto entrou em palco com toda a pujança e energia que lhes é bem característica, liderados pela voz do baterista Hugo Couto incitando a que a verdadeira festa fosse dançada e celebrada com eles. A sala completamente lotada tornou-se uma verdadeira ‘Selva’ – para os mais distraídos, é uma clara referência ao mais recente disco da banda. Experimentar uma sensação tão quente, tropical e de veraneio em pleno Janeiro só poderia ser possível ao som de Quadra, fazendo as centenas de pessoas que já estavam a dançar tresloucadas, muito por culpa dos 5 elementos que em cima do palco transmitiam a sua energia sem fim.

Com Miguel Santos, vocalista de MAYU, bem na linha da frente, pouco tempo depois do concerto ter começado, foi convidado pela banda para dar suporte vocal em vários temas, como em “Tropicália” ou a terminar o explosivo “Solar Explosion” ultimando o concerto numa apoteose de ritmo, sol, calor e alegria.

Miguel Santos a participar de forma vocal no concerto dos Quadra | mais fotos clicar aqui

O concerto dos Quadra tinha terminado e por momentos achei que lá fora estavam uns 30ºC com a quantidade de t-shirts, corpos transpirados e cabelos molhados que iam saindo da sala principal, já em direção ao próximo concerto. Em cima do palco Mozart, estava a cara bem conhecida da cena musical de Braga Tiago Sampaio aka St James Park.

Desprovido de muitos elementos em palco, o artista bracarense apresentou-se apenas com um sintetizador e uma guitarra elétrica, enchendo o resto do palco com batidas fores, intensas e bem rimadas começando a abrir a pista de dança, mesmo que não fosse a hora para tal.

A produção musical que St James Park faz, diferencia-se de tudo o resto que tinha sido apresentado anteriormente, destacando-se naturalmente como um dos grandes produtores de ritmos e batidas desse país. Era bem visível nos olhos fechados das pessoas, que iam sentindo aquelas melodias de ritmo bem imersivo, festivas, e que de facto a Noite Dos Reis da Bazuuca se destaca dos demais.

Mais ou menos a meio do seu live, eis que entra Mafalda Costa, artista de Guimarães conhecida pelo seu projeto Mathilda, para dar voz a ‘Scar’ e ‘Our Name’, oferecendo outra dimensão a sala que assistia aquele concerto.

Tiago Sampaio e Mafalda Costa a mostrarem ao vivo as suas colaborações de estúdio | mais fotos clicar aqui

Os corpos já estavam quentes, as nossas pernas já aquecidas, isso tudo para o último ao da noite e o mais esperado, provavelmente de todo o festival, os Bed Legs.

Chegamos a sala principal e aquilo já estava praticamente lotado, prevendo um dos grandes concertos. A verdade é que não começou da melhor maneira, culpa toda para o microfone de Ferna, que as primeiras palavras debitadas, decidiu falhar tendo trocado de imediato pelo do seu companheiro de banda. Malhando logo com ‘Back On track’ e ‘Lift Me Up’, a verdade e que apesar de todo aquele aquecimento musical prévio, aquelas longas centenas de pessoas pareciam presas por um fator externo, levando mesmo o vocalista eletrizante a puxar pelo publico, arrastando o seu corpo diabólico por entre aqueles corpos inertes. E pronto, foi o rastilho necessário para aquele caldeirão de energia explodisse em moches e saltos até que a última nota da guitarra parasse de soar.

Não faltava muito para este concerto cheio de rebeldia, rock’n’roll e suor, chegasse ao fim, mas não poderia falar o crowdsurf infindável de Ferna por entre as muitas mãos que faziam-no navegar por toda a sala. Chegando ao seu porto de abrigo, anunciou aquilo que muitos queriam ouvir: os Bed Legs estão de volta ao discos com edição de novo disco previsto para este ano, arrancando a grande ovação da noite.

Fernando Fernandes, para o pessoal de Braga conhecido como Ferna, no seu tradicional crowdsurf | mais fotos clicar aqui

Faltava muito pouco para o concerto terminar, mas chegou ainda para Fernando Fernandes, frontman da banda, dedicar uma música à sua mulher, e quando todas as vivalmas achavam que aquele momento era o final de quase 1h de concerto, eis que entra a bateria de ‘Dance!’ levando à loucura a sala traseira do Lustre, levando Ferna mais uma vez a cantar no meio das pessoas famintas de rock, consagrando ainda mais uma das bandas fortes do panorama musical não só bracarense, mas sobretudo nacional.

Chegou assim ao fim mais um capítulo de uma Noite de Reis, que começa a tornar-se tradição no circuito, marcando assim claramente como a primeira grande festa do ano, trazendo centenas de pessoas de todo o hemisfério norte português.

Até para o ano!

Foi um gosto enorme pela parte do headLiner termos sido Media Partners da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ e gostamos bastante termos feito parte desta festa. Oxalá seja parte integrante da oferta cultural bracarense por muitos e bons anos.

Reportagem fotográfica completa dia 1: Clicar Aqui

Reportagem fotográfica completa dia 2: Clicar Aqui

A consagração dos Bed Legs no final da sua atuação | mais fotos clicar aqui

Texto: Luís Silva [com revisão por Edgar Silva] Fotografia: João Pinto

Luís Aires Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Num quarto de uma residência universitária em Guimarães, criei em 2012 os primeiros acordes do headLiner. Nasceu da vontade de dar espaço a uma cena musical mais underground. Aqui, o BPM e os decibéis são secundários. Interessa-me a música em todo o seu espectro. Eu fico por aqui a ouvir e a escrever algumas palavras — umas com mais sentido do que outras.