Especial: Foco headLiner com Pato Bernardo

Aproveitamos o facto de sermos Media Partners do Festival Emergente para entrevistarmos uma das bandas que vai tocar no festival. O evento vai realizar-se nos dias 26, 27 e 28 de dezembro no qual o foco são mesmo os talentos emergentes nacionais.

Toda a informação pode ser consultada aqui.

A segunda das nossas escolhas para entrevista recaiu nos Pato Bernardo. Esta banda foi uma das selecionadas para participar no referido certame através de um Open Call realizado no mês de outubro. A escolha foi realizada por um júri de personalidades conhecedoras de modo profundo do meio alternativo da música nacional.

De entre 94 candidaturas os Pato Bernardo foram um das 8 escolhidos, por isso achamos relevante saber das suas expectativas para esta aparição naquele festival que promove os talentos emergentes nacionais.

Eles vai atuar na sexta-feira, dia 27 de dezembro pelas 22:00 horas no BOTA (Base Organizada da Toca das Artes), nos Anjos em Lisboa. Este será a base do evento nesta edição de 2024, um espaço dinâmico, com sala de concertos, bar, terraço exterior e diversos outros espaços de estar. Um dos pontos a realçar é a sua acústica fabulosa.

~ Biografia Artística (até ao momento) dos Pato Bernardo

Este projeto apelidado de Pato Bernardo existe apenas desde 2022 e é composto por três elementos: Martim Lino na guitarra, Francisco Saramago na bateria e Diogo Paço no baixo, este o último elemento a entrar na banda.

Começaram como uma banda de rock composta por três amigos por entre vivências na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Hoje em dia a sonoridade construída vai muito além de simples rock. Trata-se mesmo de rock experimental com várias variantes embutidas: indo do post-rock ao hardcore, passando pelo noise. Tudo apimentado por ligeiras pepitas de metal pelo meio. A forma mais frontal de consultar esta miscelânea sonora produzida pelos Pato Bernardo é escutar as 4 faixas inseridas no EP de estreia. Intitulado de ‘A Sombra do Chão’, foi editado em 21 de junho de 2024, através da GRAVV. (coletivo e editora).

Capa do álbum ‘A Sombra do Chão’

A experiência de concertos é limitada, tal como a sua discografia, ambos são ainda bastante limitados porém já é possível descortinar aquele sinal de qualidade no meio do panorama da música alternativa português.

Fizeram a sua estreia, em atuações a solo, no BOTA em 2023. Já no decorrer deste 2024 já tocaram também no Musicbox numa noite conjunta com a formação lisboeta Reia Cibele. A norte, no Porto, estiveram no Xavalo Fest 4 ocorrido no Socorro em conjunto com Ekcetera e Gonkallo. Agora no Festival Emergente abre-se uma nova oportunidade para mostrarem a uma nova audiência os seus primeiros temas e afirmarem todo o seu potencial.

~ Entrevista aos Pato Bernardo

headLiner (Edgar) – O Pato Bernardo “nunca nasceu e por isso não morre”. Apesar disso expressa-se bem sonoramente. Pese embora o vosso selo de “banda mistério” o que podem revelar sobre vocês? Confirma-se que “não tem género, cara ou membros fixos”?

Pato Bernardo: É tudo mentira. Pato Bernardo começou em 2022 como uma banda de rock com 3 amigos que se juntavam num café em frente à FCSH para beber uns copos e trocar ideias. Martim Lino (Pato Alentejano) na guitarra, Francisco Saramago (Pato Funaná) na bateria e Pato Dramático no baixo. Sendo o nosso primeiro projeto, ainda à procura de um lugar e de uma identidade, na fase inicial acabávamos só por despejar ideias em tudo o que era sítio, o que acabou por dar azo aos nossos nomes artísticos, às máscaras, a algumas dessas citações e à narrativa do Deus Pato. Desde aí, fomo-nos desligando um pouco disso e acabámos por nos focar num experimentalismo muito mais musical do que imagético apesar de ainda darmos muito valor a essa componente.

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headLiner (Edgar) – Editaram o vosso primeiro EP ‘A Sombra do Chão’ no passado mês de junho. São 4 faixas desconcertantes de noise/post/punk rock experimental com algum screamo pelo meio. Como as descrevem e qual o seu background?

Pato Bernardo: ‘A Sombra do Chão’ é uma compilação de todos os sons compostos e tocados ao vivo entre 2022 e a data de lançamento. Todas as músicas, exceto a ‘Último Discurso de Amílcar Cabral’, foram compostas pelos 3 enquanto o Pato Dramático ainda estava na banda mas não foram feitas a pensar num lançamento em conjunto. No entanto, fomo-nos apercebendo que tinham algumas ligações entre si em termos de emoções musicadas, uma vez que acabavam por expressar muita angústia e procura com anotações semelhantes.
Com a entrada do Diogo para o baixo compusemos a última faixa do EP que tenta ter um bocado de mais rumo, sem tantas variações estruturais e de estilo musical. Era algo que ainda não tínhamos explorado muito mas que acabámos por abraçar muito facilmente e vai de encontro àquilo que queremos fazer daqui para a frente.

headLiner (Edgar) – Estrearam-se ao vivo a solo em agosto de 2023 no BOTA em Lisboa. Foi o vosso primeiro ato qua-qua-qua de maior responsabilidade. Entretanto já tocaram mais algumas vezes. Teremos uma qua-qua-qua tournée por Portugal em 2025? Quais os vossos planos?

Pato Bernardo: O concerto na BOTA foi muito importante. Especialmente porque foi a estreia do Diogo ao vivo em Pato Bernardo, mas também por ter sido aí que sentimos pela primeira vez que havia malta a curtir verdadeiramente as nossas cenas. Em relação à tournée, ainda não temos nada em mente, apenas concertos aqui e aqui. Estamos mais focados em novas composições.

Pato Bernardo no Musicbox | Foto: Rui @ Altamont.pt

headLiner (Edgar) – Nas vossas atuações surgem mascarados. Como surge essa vossa relação com o pato e o surgimento do vosso nome? Certamente não dá para “calar o bico” e há alguma história por detrás. Querem revelar?

Pato Bernardo: O nome surgiu espontaneamente. Na altura estava-se a fundar o coletivo GRAVV. e como queríamos participar enquanto banda demos o primeiro nome que bateu na cabeça do Martim. Tocámos na primeira Noite GRAVV. pouco depois e foi ficando. Ao início agarramo-nos muito ao nome de forma a dar-lhe o máximo de significado possível e a partir daí foram surgindo as ideias para uma
narrativa que pudesse ser impactante, as máscaras e todo cenário. A história que fomos contando é a de um tal Deus Pato que ficou muito furioso por lhe terem roubado o bico e que por isso veio à terra procurar 3 possíveis discípulos que trabalhariam em ordem a reencontrar o tão poderoso bico. Nos últimos tempos acabamos por nos desapegar um bocado desse lado porque apesar de acharmos uma ideia interessante poderia estar a ser uma barreira para que
chegássemos a mais malta. Continuamos a ser fãs desse misticismo mas de uma forma mais passiva.

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headLiner (Edgar) – O Festival Emergente dedica-se a potenciar os talentos emergentes do panorama nacional. Sem dúvida uma missão pertinente e importante para o desenvolvimento de artistas à procura do seu espaço, como é o vosso caso. Contem-nos um pouco como foi o vosso processo de decisão e candidatura ao Open Call?

Pato Bernardo: Estávamos numa de nos inscrever em open calls e ver no que dava porque era fixe para conseguirmos tocar em mais espaços e conhecer novas cenas. Quanto ao Emergente achamos super interessante a ideia de poder criar um visualizer, já queríamos fazer algo parecido com o nosso amigo Salvate e acabamos por juntar o útil ao agradável.

headLiner (Edgar) – O que representa terem sido selecionados através do Open Call do Festival Emergente por um júri constituído por pessoas relevantes do panorama musical nacional?

Pato Bernardo: TOP.

headLiner (Edgar) – Quais são as vossas expetativas para esta participação no Festival Emergente?

Pato Bernardo: Queremos imenso conhecer a malta toda que vai participar e voltar a tocar e a estar com o pessoal da BOTA, é um espaço essencial para o underground português que sempre ouviu projetos emergentes e diversificados.

Pato Bernardo no Musicbox | Foto: Rui @ Altamont.pt

~ Link da banda

Instagram: @ overdadeiropatobernardo

 

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### ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ é uma rubrica iniciada em 2016 com o intuito de dar ênfase a projetos musicais, tanto em formato banda como artistas a solo, cujo selo de “talento emergente” é perfeitamente ajustado. ###

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.