Especial: Foco headLiner com Bea Bandeirinha

Aproveitamos o facto de sermos Media Partners da 6ª edição do Festival Emergente para entrevistarmos artistas selecionadas no Open Call. O evento vai realizar-se nos dias 26, 27 e 28 de dezembro no qual o foco são mesmo os talentos emergentes nacionais.

Toda a informação sobre o evento pode ser consultada aqui.

A primeira das nossas escolhas como destaque e para entrevista recaiu em Bea Bandeirinha. Esta artista foi uma das selecionadas para participar no Festival Emergente através de um Open Call realizado no passado mês de outubro. A escolha foi realizada por um júri de personalidades conhecedoras de modo profundo do meio alternativo da música nacional.

De entre 94 candidaturas Bea Bandeirinha foi uma das 8 escolhidas, por isso achamos relevante saber das suas expectativas para esta aparição naquele festival que promove os talentos emergentes nacionais.

Ela vai atuar na sexta-feira, dia 27 de dezembro pelas 21:15 horas no BOTA (Base Organizada da Toca das Artes), nos Anjos em Lisboa. Este será a base do evento nesta edição de 2024, um espaço dinâmico, com sala de concertos, bar, terraço exterior e diversos outros espaços de estar. Um dos pontos a realçar é a sua acústica fabulosa.

~ Biografia Artística (até ao momento) de Bea Bandeirinha

Beatriz Bandeirinha é uma artivista multidisciplinar, com estudos em comunicação, sustentabilidade e magia. Desafia-se a escavar conexões do presente com as complexidades dos passados e a necessidade do sonho. O canto, a dança, a poesia, texturas sonoras e plásticas animam estas questões.

Esta artista cria um espaço sonoro de discussão dos desafios dos ritmos. Inspirada nas batidas primárias, raízes lusófonas e paisagens do sonho, Beatriz Bandeirinha abraça as confusões mundanas para procurar concertos, da beleza das questões às sombras da dormência.

Ela explora a canção de intervenção através de paisagens sonoras que emergem da teia do folclore ibérico e mediterrânico e dos ritmos de trabalho, os quais alia a uma eletrónica suave e a retalhos de sons que os desconstroem, sem os desvirtuar.

Beatriz Bandeirinha no Café Concerto do Convento São Francisco

Artisticamente, nas suas mais variadas facetas, assume-se perante o planeta como Bea Bandeirinha, ela que é oriunda da Figueira da Foz.

O “MIC | Música Independente de Coimbra” é uma convocatória que pretende descobrir novos talentos da região de Coimbra, reforçando a vertente de capacitação e impulsionamento de carreira da Blue House. Em 2023 Bea Bandeirinha candidatou-se com três projetos tendo sido uma das selecionadas.

Além de uma atuação realizada no Café Concerto do Convento São Francisco, teve direito a uma sessão fotográfica e a gravar um tema original no estúdio da Blue House e de produzir o respetivo videoclipe com a realização do fotógrafo e videógrafo Tiago Cerveira.

~ Entrevista a Bea Bandeirinha

headLiner (Edgar) – Não há muita informação tua online, deu para descobrir que és performer, cantora e compositora. Por isso faz todo o sentido perguntar, quem é a Bea Bandeirinha?

Bea Bandeirinha: Nasci pelas terras onde desagua o Mondego, vivi com força os elementos do território e, como boa balança, nutri sentido de justiça afinado. Tive inclinações de arte, o nome dizia be atriz, durante anos fui amadora do teatro, e com o acumular de sinalizações e ânsias, precisei de outras palavras — minhas.

Ser testemunha do colapso, da exploração, bombardeamento e grito, e se de nome bandeirinha sou, levo a missão de sinalizar ao árbitro estas inquietações no ritmo.

Tive um sonho que caiu noutros e me disse para encontrar mais conscientes que de guitarras, pianos, sabiam auxiliar as paisagens de dentro e fora a descrever-se. Desta força dei asas à improvisação e continuei a nutrir pesquisas de magia, ecologia e anarquia nos ritmos de oralidade.

Bea Bandeirinha desafia binários, transgênero dos eles/elas e transgénero musical, alienígena/indigena, vítima/vilão . Quando nos levo ao palco, sou eu e toda a população que habita em mim e usa a imaginação como vínculo, forma de protesto e luta.

Este alter-ego quer alterar egos a sentir o eco.

Artwork de Beatriz Bandeirinha no MIC por Tiago Cerveira

headLiner (Edgar) – “Extrãe” e “Duna”, por agora, são as duas faixas disponíveis em streaming do teu projeto onde são perfeitamente percetíveis batidas eletrónicas e ritmos tradicionais do folclore. Por favor, revela-nos um pouco sobre as tuas influências por detrás destas canções.

Bea Bandeirinha: Ambas as canções vieram de ligações profundas com o território, de um amor antigo cujo ritmo primitivo ressoa nas canções que já se fizeram e ainda se fazem nos ranchos e romarias. Os ritmos no entanto acelerados, obstruídos sintetizados em industrialidade máquina, pedem força de bass e base para elevar mensagem e incitar trances que levem da mentalidade ao corpo.

Sou influenciade por movimentos de enraização lutada e alienação forçada, e encontro neutralização na música e arte que merge estas sensações.

headLiner (Edgar) – Teremos para breve algum disco? O que tens planeado a este respeito?

Bea Bandeirinha: Tenho vindo a desenvolver um conjunto de músicas à qual chamo “Sisma”, porque a música me parece este lugar de eventos climáticos extremos, e cismo
em continuar por aqui, e cisma como uma disrupção de ideias, um quebrar de crenças. Já tenho faixas gravadas outras pensadas e em ajuste e agora que me mudei para Lisboa a inspiração ainda vem com mais força.

Quero gravar muitos discos, e fazer muitas canções, as barreiras de acesso aos meios de criação, e a lentidão de alguns processos aumenta este tempo de fermentação musical que também me impulsa. As canções e as ideias vão ficando com mais gás e vontade de sair.

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headLiner (Edgar) – Em 2023 foste uma das quatro selecionadas no programa “MIC | Música Independente de Coimbra”promovido pela Blue House. A integração nesses escolhidos permitiu-te várias experiências entre as quais atuar no Café Concerto do Convento São Francisco. Podes contar-nos um pouco mais dessa tua aventura e o que te proporcionou?

Bea Bandeirinha: Conhecer a equipa da Blue House e ter outra perspectiva sobre o meu trabalho foi muito importante. Andava há um ano em improvisos e jams, e precisava de questionar o que queria realmente fazer, como chamar esta personagem no palco e entender profundamente o seu propósito. Esta chamada aberta abriu-me o horizonte e permitiu-me levar-me com seriedade. Puxou-me a explorar a língua portuguesa com intimidade, a autonomia e interdependências enquanto artista.

Tocar no Café concerto trouxe uma dignidade que me surpreendeu, e uma certeza do caminho que estava a fazer. Foi incrível aprender com o André Duarte e o Filipe Fidalgo e co-criar esta experiência que também resultou num vídeo muito divertido realizado pelo Tiago Cerveira.

Poder trazer os assuntos da erosão costeira e da dignidade e soberania dos povos para o MIC preencheu-me muito.

Artwork Beatriz Bandeirinha para o single Extrãe

headLiner (Edgar) – O FE-Festival Emergente dedica-se a potenciar os talentos emergentes do panorama nacional. Sem dúvida uma missão pertinente. Como foi o teu processo de candidatura ao Open Call? A experiência anterior no MIC proporcionou-te uma decisão rápida, sem pensares duas vezes?

Bea Bandeirinha: Como artista do panorama nacional tenho assim uma grande sede de palco, as oportunidades vão se abrindo como a lentidão de uma fila numa loja de burocracia, e quando as chamadas são abertas eu vou responder.

Já conhecia o Emergente e já tinha entendido a máquina de produção que faz desta call uma plataforma incrível. Inclusive partilhei a oportunidade com outres colegas, como também tenho vindo a partilhar o MIC.

É sempre uma experiência interessante sintetizares-te num vídeo, numa curta bio, em bocados de som.

Enviares um email com a tua essência e esperares pelo julgamento na caixa de entrada. Desta vez ouvi na Antena 3 e foi muito mais divertido que um email.

headLiner (Edgar) – O que representa teres sido selecionada através do Open Call do Festival Emergente por um júri constituído por pessoas relevantes do panorama musical nacional?

Bea Bandeirinha: É, não dá para fazer sons esquisitos neste documento word, mas palavras parecem-me todas inadequadas para a sensação. E não vou mentir, chorei aquela lágrima porque fomos 94 inscritos e quão belos estes trabalhos e almas e que difícil a escolha. Para mim é um orgulho poder cantar estas músicas das paisagens que representam uma pluralidade de eu’s, e isso ter sido valorizado pelo júri não só me deixou incrédule mas também contente por ver que as problemáticas que exponho têm um espaço nesta comunidade.

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headLiner (Edgar) – Quais são as tuas expetativas para esta participação no Festival Emergente?

Espero trazer assim um show mesmo wow, com atitude palavras fortes, espero encontrar quem ressoe com as mensagens que estou a partilhar.

Sinto que já está a estimular a comunidade a juntar-se e a envolver-se com as perspectivas únicas que todes vão trazer para o palco da BOTA.

~ Link da artista

Instagram: @ beatbands

 

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### ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ é uma rubrica iniciada em 2016 com o intuito de dar ênfase a projetos musicais, tanto em formato banda como artistas a solo, cujo selo de “talento emergente” é perfeitamente ajustado. ###

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.