Em 2022, a ruralidade do Rodellus vai ser à fartura | Entrevista Rodellus 2022

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Estamos a poucos dias do arranque do Rodellus, o festival para quem não tem medo do campo. Em 2022, o Rodellus junta à sua essência de “rockeiro rural” a efervescência, cor e alegria das festas populares. Na próxima sexta e sábado, Ruílhe vai testemunhar concertos com fartura, dança com fartura, campo com fartura e celebração com fartura! Serão 15 horas de música ao vivo no total: vão actuar 10 bandas entre nomes nacionais e internacionais. O palco estará montado num campo de milho daquela freguesia de Braga. O final de cada noite promete aquecer ainda mais ao som dos bpm de DJ Lynce e Cativo, transformando o Rodellus numa verdadeira pista de dança ao ar livre!

Antes de mais informação específica sobre este ano, nada como recordar a última edição realizada em 2021. Tudo para ser lido ou revisto aqui:

Rodellus é Resistência, Rock e Ruilhe | Reportagem – Dia 1

Rodellus: Um passeio rural pelo rock’n’roll  | Reportagem – Dia 2 

Mas o Rodellus não é só música. Durante os dois dias do festival, vai ser possível assistir a uma instalação artística da autoria do colectivo MAYU. A Instalação Orpheus consiste numa série de estímulos captados nas folhas das plantas que são transformados em som. O tema “ZOI”, gravado pelo colectivo e editado no álbum cujo título veio a dar nome à instalação, retrata, via síntese subtractiva, a transformação dos ruídos da natureza em música. Ao longo de 29 e 30 de Julho, vai ser possível também revisitar as edições anteriores do Rodellus pela lente de Joana Rita (@shootsounds) e testemunhar o crescimento do festival.

Cartaz completo:

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~  Entrevista à organização do Rodellus

headLiner: Estamos a poucos dias de mais
uma edição do Rodellus (a 7ª edição)
que volta a pôr a pequena aldeia de Ruilhe no mapa do rock em Portugal. Em
2015, quando estava a nascer este festival, imaginaram que desde então
conseguissem ter tantas edições, quase todas ininterruptas?

Rodellus: Boa pergunta! Haverá várias respostas a essa
questão. Os otimistas imaginavam que sim, os pessimistas nem tanto. Mas
certamente todos sonhámos com isso. Especulámos como seria uma 10ª edição, e
agora não falta muito para lá chegarmos.

headLiner: Com a
pandemia o festival teve de reinventar-se. No ano passado o festival aconteceu
e foi dividido por 3 fins-de-semana distintos. Este ano o festival desdobra-se
em dois dias seguidos, o contrário de edições passadas que eram 3 dias. Como
tem sido feita esta gestão e que dificuldades encontram após esse período tão
difícil?

Rodellus: Hoje vivemos uma realidade diferente, quase
como se tratasse de uma “ressaca” da pandemia, que trouxe coisas boas e coisas
menos boas. Estamos ainda em fase de adaptação, uma vez que, em 2021, passámos
de 3 dígitos de público (2019) para 2. Agora, o crescimento deve ser gradual,
bem gerido e com riscos bem medidos. Existem muitas coisas boas a acontecer em
todo o lado, a oferta é vasta e nós temos que primar pela diferença. No
entanto, sabemos que muita coisa mudou, sejam padrões de consumo, tendências na
indústria musical, e até mesmo a disponibilidade financeira de cada um, que
certamente oscilou durante os últimos 2 anos e meio. As dificuldades são as de
todos nesta área: Os custos são outros, a disponibilidade de serviços é menor,
e os tempos de atuação no mercado também mudaram. No fundo, estamos a fazer o
que podemos com o que temos, e achamos que é o melhor possível para encher o
bonito campo do Rodellus.

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headLiner: Uma
das mudanças que foi bem visível no ano passado, foi a constante mudança de
espaços em 3 zonas diferentes da aldeia, que decerto aproximou mais o
espectador à ruralidade que caracteriza tanto o Rodellus. Este ano
que novidades terão? Haverá um novo local? Irão novamente ter aqueles passeios
tão agradáveis antes dos concertos? O campismo terá uma nova localização? O que
nos podem adiantar?

Rodellus: Podemos adiantar tudo, porque vocês são boa
gente. 🙂

Este ano, como já devem ter reparado,
misturamos a estética alternativa com a bela cultura nortenha de romaria e
festa popular. Isso poderá ser notado em vários pontos do recinto. Temos um
novo recinto que muito reforça o conceito de ruralidade do Rodellus e, embora
sejamos suspeitos, podemos dizer que mais bonito e aconchegante que este, não
conseguiríamos ter. Não teremos passeios com acompanhamento da organização, mas
dado que as portas abrem apenas às 19h30, haverá tempo de sobra para os nossos
festivaleiros explorarem a freguesia de Ruílhe, que tem muito para dar.
Certamente, não faltarão distrações e sítios para visitar. Temos a sorte da
freguesia Ruílhe estar geograficamente favorecida (dado que está próxima de
Braga, Barcelos e Famalicão) e de ter uma paisagem muito bonita e rural, uma
vez que se localiza entre um vale. O campismo também tem nova localização. Tem
sombra, é muito acolhedor e fica a pouco mais de 300m do recinto.

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headLiner: Este ano do cartaz
temos nomes muito interessantes, não podendo deixar de destacar os Conferência Inferno, ou o folclore do
futuro dos Venga Venga!. Que outros
nomes gostariam de destacar deste cartaz?

Rodellus: Todos os nomes são interessantes, na nossa visão, e é por isso que figuram
no cartaz desta edição. Mas já que insistem, podemos destacar os Za! vindos da
Catalunha, e cujo público português já conhece, prometendo voltar a
impressionar em palco com tamanha dinâmica e musicalidade que oferecem. E
podemos também destacar As Docinhas, que nos chegam de Viana do Castelo (e do
mundo), com uma estética contemporânea e algo inovadora. Suspeitamos que vão
marcar o público com tanto rock n’roll e atitude ativista.

headLiner: A premiação em 2019
como ‘Melhor Festival Pequeno Ibérico’
nos Iberian Festival Awards acrescenta
outra responsabilidade. Como foi esse momento recebido?

Rodellus: Foi mais um sonho tornado realidade. Não esperávamos, aliás, nunca
esperamos premiação alguma, embora tenhamos noção e orgulho da qualidade do
Rodellus. Foi recebido com um misto de emoção e admiração. Agora, a
responsabilidade é ainda maior.

headLiner: Com
tantas mudanças de formato ao longo dos anos que o Rodellus tem sido sujeito, num futuro próximo, o que conseguem
perspetivar para o festival mais rural de Portugal? Em que ponto de
maturação gostariam de ver o Rodellus?

Rodellus: Pergunta difícil e pertinente. Conseguimos
perspetivar crescimento a partir desta edição, que abre um novo ciclo no
Rodellus. É um ciclo pós-pandemia e com mais liberdade, mas também
desconhecimento de como o público se comporta atualmente e que direção as
tendências seguirão. Só podemos prometer o mesmo amor e empenho à causa. O
resto que venha por mérito e trabalho.  

Horários: 

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Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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