‘Jazz, The New Normal’ – dia 2, NOS Primavera Sound 2019

Nubya Garcia, o grande destaque do dia [Mais fotos do concerto aqui]

– Sexta-feira, dia 7 de junho –

Depois da tempestade que se fez sentir no primeiro do dia do festival, o sol e a multidão deram conta do NOS Primavera Sound.

Quando os nomes começaram a sair daquele já tão característico vídeo que leva milhares de pessoas à Internet à mesma hora, começamos logo a fazer as nossas rezas para que aqueles nomes fiquem no mesmo dia. Que nomes falamos? Interpol, James Blake, Courtney Barnett, Aldous Harding, Men I Trust. Mas quem acabou por nos surpreender foram outros…

E o ‘Oscar’ vai para… Sons Of Kemet XL

A marca Primavera Sound, acima de ser um ‘New Normal’, é uma referência para aquilo que iremos ouvir e gostar amanhã.

Este segundo dia era claramente aquele que por muitos anos o festival foi realmente conhecido. Nomes consagrados do rock, nomes em ascendente do rock, um dos artistas do momento, mas quem realmente brilhou foram os nomes de letras pequenas que muitas das vezes passam despercebidos em cartazes desta dimensão. Pouco tivemos de ouvir para incluir imediatamente os Sons of Kemet, banda que já passou pelo palco do Milhões de Festa ou pelo palco da FMM Sines.

Porque o XL? Pois então conseguem imaginar 4 baterias a tocar ao mesmo tempo? É isso. Nunca tinha visto tal coisa até chegar ao bonito e florescido novo palco Pull & Bear.

O jazz livre e sem fronteiras de 1 saxofone, 1 trompete/tuba e a genialidade de 4 baterias puseram o palco mais pequeno a parecer gigante. Olhei à minha volta e a certo momento não havia ninguém parado, era impossível não nos deixarmos contagiar pelos sorrisos e energia que saia disparado daquele palco.

‘Your Queen Is a Reptile’, o álbum de 2018 de banda gravada pela Impulse!, discográfica e casa de génios como John Coltrane ou Mingus foi apresentado e celebrado por todos que sentiram aquele jazz com amoras vindos do continente Africano.

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Sons Of Kemet, um dos inevitáveis destaques [Mais fotos do concerto aqui]

‘Surprise Motherfucker’!!! Nubya Garcia

O grande vencedor do segundo dia foi a cena jazz. Antes dos britânicos, arrecadares do ‘Oscar’, navegamos para o palco Pull & Bear para ver e admirar a lindíssima Nubya Garcia.

O sorriso sincero e consentido da saxofonista londrina, uma das promessas da cena atual do jazz, mostraram o quanto cada vez mais o género musical tem saído dos clubes intimistas para abraçar as pistas de dança. Isso foi presenciado pelas muitas pessoas que passaram pela delicadeza do sopro do seu saxofone e pela incansável banda que a acompanhou.

Houve solos de piano, ouve solos intermináveis (e podiam muito bem nunca mais acabar) do saxofone da Nubya, o de leve do contrabaixo e a subtileza da bateria que delimitava o ritmo da festa.

Ela estava feliz, era percetivel a cada final de sopro, nós estávamos felizes por presenciar tal ode ao free jazz.

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Nubya Garcia em palco [Mais fotos do concerto aqui]

’Dance marks the Spot’: James Blake

James Blake, intimista, poderoso, vanguardista e discretamente arrojado. Nem toda a dança se faz de forma exuberante, esta dança fez-se de forma producente, introspectiva. Dançamos connosco próprios.

1h da manhã marcou o inicio do concertos sob a pouca luz a oferecer um ambiente intimo e seguro. Um contraste bem marcado pelo “concerto” anterior no mesmo palco.

“Assume Form” foi o ponto de partida para esta viagem um pouco estranha para quem conhecia o James Blake dos três primeiros álbuns editados. Um ponto de partida e de viragem também, mostrando neste trabalho uma outra faceta no qual conta com colaborações de Rosalía ou Travis Scott. mas sem nunca deixar o seu dramatismo e melancolismo de que tanto gostamos.

O artista reviveu as suas memórias mais antigas com as inevitáveis “Retrograde”, “Life Round Here” ou a versão de “The Limit To Your Love” da canadiana Feist, trazendo momentos de puro silencio e de viagens com o nosso ser, as tais danças connosco próprios.

O mais recente ‘Assume Form’ é uma miscelânea de sabores e, durante o concerto essa miscelânea foi saboreada, interrompendo os momentos mais íntimos para dar lugar aos beats e a fazer jus à hora que tinha começado.

Houve danças melancólicas, houve danças contidas mas dançamos muito.

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James Blake numa das boas performances da noite [Mais fotos do concerto aqui]

 

E o derrotado do dia é… J Balvin

Uma das grandes surpresas no cartaz deste ano, acima da diversidade musical que o ‘New Normal’ trouxe, foi a integração de J Balvin.

O Primavera Sound,  cima do que tem trazido musicalmente, é uma celebração da música. Este ano, ainda mais visível, o festival quer-se deslargar de apenas ser uma cena indie para alargar a todo o mundo. Este ano esse mundo chegou à Colômbia e ao reggaeton. 

O artista colombiano deu um dos concertos mais extravagantes e a que quase  tudo tinha direito neste festival, um concerto cheio de luz, cor, pessoas vestidas de marshmallows (???) e com parte da sua atuação marcada pela marca “Reggaeton” escrita na tela bem grande para toda a gente ver, que esta nova tendência vinda diretamente do outro lado do oceano, veio para ficar.

Então por quê o derrotado do dia? Bem, como dizia o outro, “cada macaco no seu galho”, passo à expressão… Nem todos temos de gostar de tudo o que se ouve, tal como não temos de gostar daquilo que está em voga. A celebração da música é para todos, mas nesta festa eu fico de fora.

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Perspetiva do ambiente em J Balvin [Mais fotos do concerto aqui]

Surma

Às 17 horas certas já estávamos em frente ao Palco Seat para o debute do dia musical. Aconteceu com uma artista da qual temos as melhores referências e da qual somos seguidores há alguns anos a esta parte.
Estamos a falar de Surma, o alter-ego de Débora Umbelino. Normalmente a solo, nesta ocasião aproveitou para encher o enorme palco do Primavera com boa companhia do músico João Hasselberg e ainda de dois bailarinos cuja performance cénica iniciou-se por entre o público (presente em bom número pese a hora e sendo a abertura) tendo ambos galgado as barreiras e trepado até alcançarem o palco.

Jambinai

Novamente de volta ao palco Seat foi a vez de prestar atenção devida aos Jambinai.
Oriundos da Coreia do Sul já tinham dado nas vistas (e nos ouvidos) no Vodafone Paredes de Coura
em 2018. Este quinteto munido de instrumentos tradicionais e incomuns numa banda com este tipo de sonoridade rock. Com 4 horas de atraso, subiram ao palco com uma ligeira pontinha de stress. Fizeram o soundcheck à hora do início do concerto em tempo recorde (cerca de 5 minutos) e em frente de uma pequena multidão já ansiosa por escutar os seus temas. Apresentaram algumas novas composições do seu mais recente trabalho chamado ‘ONDA’ tendo a canção que dá o título ao álbum uma das tocadas. Lee Il-woo, o elemento da banda que esteve comunicativo fez questão de agradecer ao público no final das músicas com um ”obrigado” irrepreensível. Excluíram à performance uma canção, porém não foi por ter sido mais curto que a aposta no concerto deles deixou de ser totalmente certeira.

Nilüfer Yanya

A britânica foi igualmente outra das nossas apostas. ‘Miss Universe’ é o seu álbum de debute cuja atenção surgiu-nos semanas antes desta atuação no NOS Primavera Sound. O seu indie rock (com uma pontinha de rock alternativo) aliado ao seu timbre vocal fazem com que canções como “In Your Head” ou “Heavyweight Champion of the Year” ecoem nas nossas cabeças durante longos momentos.

Courtney Barnett

A australiana (uma das nossas rock stars preferidas) proporcionou-nos um dos pontos altos deste dia 7 de junho. Que incrível performance! Vai ficar-nos na memória termos ouvido ao vivo aqueles hinos do  rock como: “Avant Gardener” ; “Nameless, Faceless” ; Depreston” ; “Everybody Here Hates You” ou “Pedestrian at Best”, esta última a
que encerrou o concerto. O imenso público diante o Palco NOS vibrou intensamente com esta performance num final de tarde lindíssimo com um pôr de sol a condizer. A simbiose foi muito boa com toda a gente, sobretudo com os fãs que soletravam as letras amiúde. Não podíamos ter pedido muito melhor, dizendo-o sinceramente!

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Courtney Barnett em palco [Mais fotos do concerto aqui]

Fucked Up

O punk agressivo e poderoso em estilo da festa popular mais “hardcore à la punk”, sempre com uma energia cintilante de Damian Abraham fez do concerto dos Fucked Up um dos bons momentos da noite. A colaboração com a Escola do Rock de Paredes de Coura abriu o seu concerto com imensos miúdos em palco a dizerem SIM ao estilo e à punk-rock mostrando as suas qualidades vocais e musicais fluírem. O melhor a dizer sobre o resto do
concerto pode-se resumir à força do mosh-pit formado bem lá na frente junto ao gradeamento. Com a cerveja, os encontrões e sorrisos da cara a fluírem praticamente com a mesma intensidade certamente quem lá esteve saiu desta performance com mais uma boa recordação.

Interpol

Paul Banks, viu uns longos minutos o concerto dos Fucked Up junto do público e o
vocalista dos Interpol pareceu ter apreciado. Foram os norte-americanos os seguintes no Palco Seat. Provavelmente a maior enchente naquele recinto em todo o festival. À mesma hora “tocava” Branko em substituição de Kali Uchis por isso não foi surpresa para ninguém a massiva adesão. Realmente ainda não entendemos porque não foram os Interpol escalados para o maior palco do recinto… Já se sabe que não são propriamente comunicativos porém isso não arrefeceu os ânimos. Para gáudio de fãs mais
“hardcore” e de outros nem tanto foi um mimo escutarmos canções como a “Evil”, soa tão incrível como em 2004 ou a “Leif Erikson”. Tal como outras bem recentes como “If You Really Love Nothing” (segunda a ser tocada) ou “The Rover” ambas do álbum Marauder do ano passado. Assistimos a uma viagem musical por praticamente todos os álbuns da banda desde 2002. A aterragem foi suave e bem-sucedida e soube bastante bem aquele feeling “indiezinho rockeiro” a que alguns querem dar por extinto.

Todas as fotos do segundo dia: clicar aqui

Além de fotos do ambiente deste segundo dia inclui fotos dos concertos de:

– Surma
– Aldous Harding
– Jambinai
– Nilufer Yanya
– Nubya Garcia
– Courtney Barnett
– Sons Of Kemet XL
– Fucked Up
– J Balvin
– Interpol
– James Blake

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Interpol em palco [Mais fotos do concerto aqui]

Texto:
Luís Silva e Edgar Silva

Fotografia:
João Machado

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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