Comemoração dos 25 anos de ‘O Monstro Precisa de Amigos’ dos Ornatos Violeta encerrou em Guimarães

Manel Cruz, o intrépido vocalista dos Ornatos Violeta | mais fotos clicar aqui

Alguns anos depois reentrei no Multiusos de Guimarães, pese embora viver a poucos quilómetros desta arena polivalente, não têm existido eventos atrativos aos meus gostos pessoais, nomeadamente aos que concerne à música. Na passada noite de 16 de novembro, um concerto dos Ornatos Violeta, revelou-se o momento certo para lá regressar. Como nunca os tinha visto ao vivo revelou-se deveras imperdível. Esta atuação desta mítica banda foi a última do ano e apenas a quinta que teve lugar ao longo de 2024.

A noite não foi só especial para Ornatos Violeta, revelou-se especial também para este equipamento vimaranense. O Multiusos de Guimarães está igualmente em ritmo de celebração, fez 23 anos neste mês de novembro, desde a sua abertura oficial de portas ao público.

Peixe, o concentrado guitarrista dos Ornatos Violeta | mais fotos clicar aqui

A Nave António Magalhães, assim apelidada em honra de um antigo presidente da câmara da cidade, estava com uma configuração de plateia dividida em duas: uma parte frontal ao palco com Golden Circle, sendo o remanescente dedicada a uma zona normal de plateia. As duas zonas laterais foram ocupadas de bancadas onde o público pôde estar confortavelmente em lugares sentados. Curiosidade para o fato de algumas das pessoas do Golden Circle estarem identificadas por uma pulseira verde. Casa muito bem composta, no entanto, a lotação esgotada não foi atingida. Um público bastante heterogéneo, algo já esperado, dado que o repertório Ornatos Violeta atravessa várias gerações.

As pessoas cuja sorte permitiu ouvir a banda na altura do lançamento dos álbuns são agora de faixas etárias um pouco mais avançadas. Naquele final dos anos 90, os jovens adultos estão agora entre os quarentas e cinquentas, vivem a música com a mesma intensidade porém com uma perspetiva diferente.

Já para os adolescentes e jovens adultos de agora, e das mais recentes gerações, o impacto é seguramente diversificado porém há a partilha, entre todos os fãs, fortes repercussões emocionais dos temas, da música e das suas letras. O repertório dos Ornatos Violeta tem também essa incidência de diversas perspetivas, com muitos pontos em comum, seja qual for a geração que os ouve.

Kinorm, o enérgico baterista dos Ornatos Violeta | mais fotos clicar aqui

Eles editaram dois álbuns de originais, ‘Cão!’ em 1997 porém foi com ‘O Monstro Precisa de Amigos’ de 1999 que atingiram reconhecimento. O misticismo que este projeto acabou por ganhar deveu-se, igualmente em boa parte, aos vários recomeços que foram tendo ao longo dos anos e fundamentalmente derivado ao impactante resultado emocional desse álbum no mundo musical alternativo em Portugal. Ano após ano temas como “Ouvi Dizer” e “Capitão Romance” não saem das mentes dos fãs e vão sendo descobertos por malta mais nova.

Enquanto a performance não tinha o seu início, o ambiente sonoro era preenchido pelo tema “Low Sun” dos Hermanos Gutiérrez. Um som bastante apropriado, mais relaxado, na preparação dos corações que iam bater mais aceleradamente alguns minutos mais tarde. Os batimentos subiram de tom com a entrada, às 21:41h da solista Ianina Khmelik, um dos elementos do Quarteto de Cordas Solistas da Casa da Música. Os outros foram Madalena Ribeiro, Mateusz Stasto e Nikolay Gimaletdino e proporcionaram um retoque extra na maior parte dos temas com os arranjos originais do disco, tocados pel’ Os Corvos no álbum de 1999.

Nuno Prata, o sorridente baixista dos Ornatos Violeta | mais fotos clicar aqui

Aos primeiros acordes do violino os restantes elementos efetuaram a sua entrada e logo ali existiu muito amor por Manel Cruz e seus pares.

“Coisas”, “Para Nunca Mais Mentir” e “Pára de Olhar para Mim” foram as três primeiras e serviram de aquecimento bem adequado a este público bem ávido a cantarolar as canções.

A energia de Manel Cruz é igual seja a solo, com Pluto ou Ornatos Violeta. Uma força viva com uma personalidade bem vincada, ele que optou por não comunicar muito durante toda a noite, fez um q.b. produtivo. No arranque para “Tanque” lá soltou um “Porque hoje é um dia extremamente bom”. Efetivamente foi o dia e ainda uma melhor noite.

Manel Cruz sempre bastante expressivo | mais fotos clicar aqui

Terminada uma fase inicial só com músicas de ‘O Monstro Precisa de Amigos’ foi a vez para a incursão no disco ‘Cão!’ com “A Dama do Sinal” e que marcou a primeira vez em que o irrequieto vocalista deu um passo em frente para cima das colunas situadas em frente do palco. Endiabrado e sempre deambulante de um lado ao outro do palco, Manel Cruz é uma peça saliente de um xadrez que também conta com outros músicos de excelência e indispensáveis: Pedro Santos (Kinorm) na bateria, de Pedro Cardoso (Peixe) na guitarra e Nuno Prata no baixo, todos eles da formação base. Com o desaparecimento térreo de Elísio Donas a posição de teclista foi ocupada por Miguel Ferreira, elemento bem conhecido por fazer parte dos Clã.

Em “1 Beijo = 1000” passamos a ver os peitorais de Manel Cruz. Com toda a sua vitalidade, admira mesmo, só ter retirado a t-shirt ao nono tema.

Miguel Ferreira nos teclados com o seu habitual jeito | mais fotos clicar aqui

Para gáudio geral “Ouvi Dizer” surgiu sensivelmente a meio da atuação, sem espanto, pois evidentemente foi um dos pontos áureos da noite. O público demonstrava-se sonoramente afinado com coros bem intensos e a levantar-se dos seus assentos numa fase em que ouvimos também as faixas “O.M.E.M.” e “Chaga”. O baterista Kinorm até fez questão de afirmar: “É incrível estar com esta merda nos ouvidos e ouvir-vos”.

Com luzes em tons de vermelho e ambiente engalanado de “veludo” ouvimos “Capitão Romance” com uma generosa colaboração do Quarteto de Cordas Solistas da Casa da Música.

Perspetiva do anel superior do lado direito | mais fotos clicar aqui

Público totalmente rendido porém ainda não totalmente saciado. Os Ornatos Violeta ofereceram ao público vimaranense dois encores. No primeiro tocaram “Libido”, tema não interpretado desde os anos 90, tendo sido uma bonita surpresa. No segundo encore a banda foi surpreendida por uma maré aérea de luzes de telemóveis, alguns isqueiros acendidos também, durante a interpretação de “Devagar”.

Os milhares de fãs presentes, muitos dos quais vestidos a rigor, foram para suas casas com uma bela memória. Muitos deles levaram ainda palhetas e baquetas oferecidas pelos músicos. Outros foram felizes na sua busca pelas setlists. Outros menos afortunados lá exclamaram: “Eu vi, mas não agarrei”…

A noite no Multiusos de Guimarães foi de masterclass rock com intenso sotaque e respetiva personalidade portuense.

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A despedida com os merecidos aplausos | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Jorge Resende @ arroba75 (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.