Suas Majestades Britânicas conquistaram Coura com tremenda pujança – Dia 3 do Vodafone Paredes de Coura 2025

Duo feminino Lambrini Girls em grande estilo | mais fotos clicar aqui

À terceira jornada do Vodafone Paredes de Coura eis que surge o meu dia preferido de entre a programação dos quatro dias. Com Bar Italia, Lambrini Girls, Black Country, New Road e King Krule Prometia ser uma jornada fantástica e efetivamente as minhas elevadas expetativas foram cumpridas.

Felizmente ao final do terceiro dia o corpo tem reagido favoravelmente ao esforço físico e às viagens de regresso, sobretudo as de regresso a Guimarães, pela autoestrada A3.

Paga-se um serviço e temos uma via com iluminação em pouquíssimas zonas entre o nó de Paredes de Coura e o desvio em Braga para a Cidade Berço. Tal dificulta um pouco a concentração numa altura em que cansaço é a nota dominante, felizmente tenho feito as viagens sem sono. Felizmente as noites têm estado claras e sem chuva, doutro modo seria uma aventura um pouco menos confortável.

Plateia iluminada durante King Krule na homenagem a Diogo Jota | mais fotos clicar aqui

Dia 3 – sexta-feira, 15 de agosto

A cantautora Cassandra Jenkins veio sobretudo tocar canções de ‘My Light, My Destroyer’, editado no verão do ano passado, ao Vodafone Paredes de Coura.

Já o álbum ‘My Light, My Massage Parlor’, editado no dia anterior à sua atuação, não foi abordado. Ela preferiu abordar o disco de 2021, ’A Overview on Phenomenal Nature’, com os temas “Michelangelo”, “Crosshairs”, “New Bikini” e “Hard Drive”.

Entrou em palco exatamente à hora prevista, ainda Dino d’Santiago atuava no palco principal. Trouxe três músicos para as guitarras elétricas e bateria. Além da sua voz, fez também uso da guitarra clássica.

Cassandra Jenkins na estreia em Portugal | mais fotos clicar aqui

Em “Only One”, um tema dançável, foi aproveitado por várias fãs para uns passitos de dança. Já “Delphinium Blue” marcou um daqueles momentos mais introspetivos e sérios. Estas faz parte do disco de 2024 e deste interpretou também “Devotion”, “Petco”, “Omakase” e “Clams Casino”.

A norte-americana, nativa de Nova Iorque, revelou-nos a sua belíssima voz e os seus temas etéreos, sensuais e introspetivos nesta que foi a sua estreia em Portugal.

Cassandra Jenkins numa belíssima tarde de Coura | mais fotos clicar aqui

“Um dos momentos mais importantes de sempre da história de falar sobre as pessoas oprimidas”, um dos trechos da mensagem final que Cassandra quis transmitir.

Cassandra e o trio que a acompanhou estavam a fruir da atuação que ficaram um bocadinho frustrados no final quando queriam trocar mais uma canção, estavam mesmo com vontade, contudo não foi possível por estarem no seu tempo limite. Efetivamente foi uma pena…

Uma atuação deliciosa ocorrida no Palco BacanaPlay em mais uma tarde de calor em que a fresquinha da plateia serviu de poiso relaxante.

A cumplicidade Cassandra Jenkins com o seu parceiro de palco | mais fotos clicar aqui

Geordie Greep foi o vocalista dos Black Midi entre 2017 e 2024. A formação dissolveu-se de forma inesperada e inusitada no ano passado. Com a banda tocou neste Vodafone Paredes de Coura em 2023.

Agora com o seu projeto a solo trouxe-nos ‘The New Soul’, o seu álbum de estreia editado em outubro de 2024. A expetativa era imensa depois do sucesso dos últimos anos com Black Midi e cumpriu com o esperado.

Na entrada tocou “Walk Up” e logo aí nas suas voltas pelo palco deu para ver a sua fatiota jeitosa.

Geordie Greep em nome próprio no festival minhoto | mais fotos clicar aqui
Mais à frente proporcionou-nos “The New Sound” e a atuação entrava definitivamente em modo cruzeiro. Um concerto que estava em modo “tic-tac” já que no ecrã de palco estava a hora em exibição

Geordie com a sua personalidade castiça contagio o pessoal e as pessoas reagiram de maneira bem viva à performance, ele que acompanhado por 5 músicos. Dos instrumentos utilizados destacam-se o violoncelo e o teclado.

Continua o caminho no rock progressivo experimental com passagens pelo jazz. O seu impar timbre a debitar as letras de forma rápida e compulsiva.

A atuação foi catártica, intensa e imersiva. Apreciada por muitos fãs e visualizada por milhares de curiosos encosta abaixo, já super preenchida.

Visão da plateia durante o concerto de Geordie Greep | mais fotos clicar aqui

No ano passado o concerto dos Bar Italia foi cancelado à última hora já com a banda em Portugal. Um dos seus elementos teve de ser internado num hospital portuense. Agora finalmente conseguiram atuar no Vodafone Paredes de Coura e entraram em palco ao som de “Mambo No. 5” do cantor Lou Bega.

Nina Cristante é a vocalista nascida em Itália. O trio completa-se com os guitarristas Jezmi Tarik Fehmi e Sam Fenton, eles que também fizeram uso dos seus recursos vocais. Tiveram apoio na bateria e no baixo.

Sam Fenton dos Bar Italia | mais fotos clicar aqui

“Fundraiser” (uma das mais recentes), “Glory Hunter”, “Rooster” e “Punkt” foram tocados para um público entusiasta. Os Bar Italia demonstraram-se muito felizes pela presença especialmente devido ao percalço no ano passado.

A combinação que este projeto faz de indie rock com post-punk e dream pop é sumarenta e resulta num som bastante sensual. Tal como a extrovertida e sedutora Cristante.

Uma performance pungente e bastante aprazível finalizada com “Cowbella”, um dos singles mais recentes.

Nina Cristante dos Bar Italia | mais fotos clicar aqui

Este coletivo Black Country, New Road, muitas vezes estilizado na sua forma abreviada BCNR, desde que surgiu tem criado muito buzz à sua volta. Apesar da saída do seu frontman Isaac Wood, em 2022 continuaram o seu percurso como sexteto.

A formação atual é composta por May Kershaw (voz e teclados), Georgia Ellery (violino e voz), Tyler Hyde (voz e baixo), Charlie Wayne (bateria e voz), Luke Mark (guitarra) e Lewis Evans (flauta, saxofone e voz). Recorreram a uma panóplia bem variada de instrumentos durante a performance além dos já citados.

Apresentaram-se três homens e três mulheres. A parte feminina da banda ficou alinhada à frente e os homens atrás com baterista um pouco mais atrás na linha secundária.

“Two Horses” a faixa que lançou a banda para uma cavalgada conquistadora. Já “Besties” mereceu a primeira grande ovação e foi degustada com delicadeza. Em “Mary” a 3 vozes femininas e apenas com acompanhamento por guitarra clássica. Vozes femininas incríveis demonstrando-se recursos essenciais para a beleza dos temas.

Georgia Ellery dos BCNR | mais fotos clicar aqui

Georgia Ellery afirmou “não vamos ter mais canções tristes” no arranque para “Happy Birthday”  e o concerto entrou numa nova fase. Já “Forever Howlong” foi brutal com cinco dos músicos a usar o mesmo instrumento de sopro, um clarinete.

Black Country, New Road é um prog rock experimental de imensas tonalidades sonoras o que faz que o seu som seja imensamente excitante. O toque de jazz é a matriz inicial e que está omnipresente.

Uma atuação que ficará na história do Vodafone Paredes de Coura como uma das melhores de 2025 e presenciada por um público que soube mostrar a devida reverência à ocasião.

Black Country, New Road em palco | mais fotos clicar aqui

Archy Ivan Marshall já não visitava Portugal desde a sua atuação no Primavera Sound Porto em 2022 no qual rubricou uma portentosa atuação.

King Krule já tinha atuado no Vodafone Paredes de Coura, ocorreu em 2017, e este regresso foi amplamente saudado. O artista fez questão de frisar que demorou demasiado tempo a regressar.

“Dum Surfer”, um dos seus temas mais relevantes surgiu logo na fase inicial. Já  “Easy Easy”, outro dos incríveis e incontornáveis também teve a sua aparição.

Archy Ivan Marshall conhecido artisticamente como King Krule em palco | mais fotos clicar aqui

A voz crua, meio rouca, de timbre indelével de King Krule é uma das suas imagens de marca e que cruza muito bem com o seu melting pot de estilos musicais criando uma personalidade sonora bem própria.

Em “Tortoise of Independency” as luzes ligaram-se para um momento bonito numa canção dedicada por Archy ao malogrado Diogo Jota. Este tema faz parte de ‘Space Heavy’, registo discográfico de 2023 e o seu mais recente. Deste disco tocou também, por exemplo, “Hamburgerphobia” e “Empty Stomach Space Cadet”.

A frontline esteve vivaça e a dar energia a King Krule e aos seus companheiros. A performance finalizou com “Out Getting Ribs”.

King Krule e a sua banda realizaram um concerto bem sólido e à boa maneira rockeira. Ele que esteve bem descontraído e comunicativo.

O saxofonista de serviço de King Krule | mais fotos clicar aqui

Lambrini Girls é um duo feminino composto por Phoebe Lunny (vocalista e guitarrista) e pela sua amiga e parceira Lilly Macieira-Boşgelmez (baixo). O que ainda pouca gente tem conhecimento é o facto de Lilly ter raízes familiares em Portugal nomeadamente na região de Braga. Elas tiveram o apoio de um baterista.

“Who’s ready to fuck?” logo a pergunta de Phoebe na abertura antes de tocarem “Big Dick Energy”. Ela que veio logo nesse primeiro tema à plateia e abriram-se alas a seu pedido. Estavam aí abertas as “hostilidades” e a partir daí foi a loucura total. Rodas-vivas, mosh, copos e cerveja a voarem foram constantes, a animação foi brutal durante toda a performance.

Lunny fez questão de frisar que são uma “banda política”, esse estatuto de projeto direto, cru e irrascível perante o machismo e outros males a sociedade serão sempre abordados por elas sem filtros.

Phoebe Lunny a incendiar os ânimos | mais fotos clicar aqui

O mês de janeiro de 2025 finalmente viu chegar a edição discográfica do LP de estreia das Lambrini Girls. Composto por 11 faixas foi apelidado de ‘Who Let The Dogs Out’ foi agora devidamente apresentado em Portugal Continental. Deste disco tocaram, por exemplo, “Love” e “Cuntology 101”.

“Bad Apple”, o mais recente single, foi mostrado com pompa e circunstância. Tanto nesta como em “Craig David” o pessoal colaborou com coros bem afinados.

Já tinha lido algumas coisas sobre o concerto delas no Tremor em 2024. Tal elevou a minha expetativa para vinda ao Alto Minho. Elas foram igualmente explosivas neste concerto realizado no Palco BacanaPlay num concerto à boa moda antiga punk verdadeiramente autêntico. Foi efetivamente uma experiência literalmente imersiva e intensa.

Lilly em pose bem concentrada | mais fotos clicar aqui

La Jungle é um duo composto por Rémy Venant “Roxie” na guitarra/voz e Mathieu Flasse “Jim” na bateria. Regressaram a Portugal depois de terem atuado no ano passado no Tremor e no Warm-Up do Basqueiral.

O pessoal mais frenético não perdeu o pedal depois de Lambrini Girls e a zona entre a cabine de som e o palco do Palco BacanaPlay continuou agitada.

Estes belgas têm uma sonoridade baseada em math e krautrock e que resulta numa comprovada “jarda” a mil à hora.

Michael Todd Gordon, conhecido artisticamente como MK.gee pronuncia-se (McGee, tudo junto), fez a sua estreia em Portugal e no Vodafone Paredes de Coura. Ele e os seus comparsas atuaram num palco colocado em cima do palco principal.

MK.gee na estreia em Coura | mais fotos clicar aqui

O cantor e guitarrista começou a sua atuação com “Dream police” e continuou com “How many miles” num início bastante promissor. Além destes temas, do álbum mais recente, ‘Two Star & The Dream Police’, tocou também“DNM”, “Rylee & I”, “Alesis” e “Are You Looking Up”. Este registo discográfico foi exposto de forma extensa.

Fica como curiosidade: este MK.gee começou a editar música em 2016 contudo só editou o disco de debute em 2024. A sua sonoridade é uma mescla de indie eletrónico com rhythm & blues e dream pop.

Palco sempre com bastante fumo a dar uma pincelada mística à performance. Criaram “túneis” de fumo, a determinada ocasião, proporcionando um efeito bem curioso.

Visão do palco de MK.gee | mais fotos clicar aqui

Notou-se uma menor mobilização de público neste concerto comparativamente aos outros artistas do mesmo slot horário das noites anteriores. Apesar disso a parte frontal ao palco esteve muito bem preenchida por quem já conhece a discografia.

Confesso que desconhecia, quase por completo, o projeto deste norte-americano e fiquei com bastante curiosidade. Uma prazerosa surpresa este Mk.gee. Nome a reter para audições futuras e mais um artista adicionado ao meu radar musical.

Efetivamente Suas Majestades Britânicas: Geordie Greep, Bar Italia, Black Country, New Road e King Krule conquistaram Coura com tremenda pujança. Uma armada musical de enorme qualidade com performances incríveis e portentosas.

Agora é respirar fundo e preparar a despedida da edição de 2025 do Vodafone Paredes de Coura aonde teremos nomes incríveis como DIIV, Sharon Van Etten & the Attachment Theory, Air e Franz Ferdinand.

Reportagem fotográfica concertos: Clicar Aqui

Visão do palco em BCNR | mais fotos clicar aqui

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.