Westway LAB: E tudo a Linda Levou… (Festival, dia 1) | (parte 2)

Linda Martini no palco principal do Westway LAB [mais fotos clicar aqui]

Após 2 noites a assistir às criações originais dos artistas que estiveram em residência artística chegou a primeira noite do festival propriamente dito. Pela primeira vez, passes gerais e bilhetes diários esgotaram antes do início da parcela paga do evento. Esta jornada inaugural presenteou-nos com 5 concertos e todos eles de géneros musicais bem distintos uns dos outros. Pode-se dizer que foi uma viagem agitada numa montanha russa.

Tal como gosto de fazer, quando é o início de um evento, foi altura para observar o recinto, a organização e as pessoas. Perceber diferenças para o ano transato. Faltavam ainda 45 minutos para o concerto de abertura por isso deu tempo.

A troca de passes e bilhetes diário durante alguns minutos foi demorada e esteve parada, estávamos apenas a 40 minutos de distância do primeiro concerto da noite. Alguns problemas técnicos estavam a impedir o andamento do processo. Enquanto presenciei não se formou uma longa fila, pelo que pelo menos durante o tempo que pude observar não causou demasiado transtorno. As pessoas iam afluindo ao Centro Cultural Vila Flor aos poucos e poucos.

Zona de acesso ao festival [mais fotos clicar aqui]

Vamos a diferenças para 2022. Deixou de existir o palco exterior no pátio, uma opção positiva em vários sentidos, sendo um deles, um maior conforto para as pessoas. O pórtico de boas vindas estava lá, o da entrada principal, a diferença é que o controlo de entradas passou a ser feito somente à porta das salas.

Esta noite de 14 de abril iniciou-se com o compositor, multi-instrumentista e produtor Bernardo Fachada no Auditório, com lugares sentados disponíveis. O público foi entrando aos poucos e o concerto de abertura da programação principal teve uma sala bem composta. O artista de Coimbra apresentou-se com uma visível boa disposição. A boa receção do público aos temas de B Fachada animou ainda mais o músico e tal como afirmou na parte final “Disseram que era para dar tudo em 45. Dei tudo em 45” referindo-se ao tempo previsto para a sua atuação. Efetivamente assim foi e marcou indelevelmente esta edição de 2023. Melhor início era difícil.

B Fachada com uma excelente atuação [mais fotos clicar aqui]

O álbum ‘Rapazes e Raposas’ foi bem focado durante a sua atuação sendo que as primeiras três que tocou foram “Namorada”, “O anti-fado” e “Canção de rejeição”. Munido da sua Viola Braguesa e de caixa de ritmos, Bernardo Fachada cantou o seu “cancioneiro” mais recente para uma audiência animada e a vivenciar a atuação. Ao ponto de ser irresistível para algumas pessoas: deixaram as suas cadeiras e deram uns passos de dança. Algo que aconteceu, por exemplo, de forma mais evidenciada ao 4º tema: “Padeirinha”. A sua performance evoluiu, a voz tem também algum reverb em certas ocasiões e as batidas conferem um som mais tradicional às suas canções.

“Adoro vir ao Minho… “Aqui está toda a gente e é uma maravilha” afirmou B Fachada e pela reação das pessoas e certamente ele há-de continuar a vir à nossa bela região. Ele que até voltou ao palco para um encore, já depois de ter tocado “Prognósticos”.

Redoma, a dupla vinda do Porto [mais fotos clicar aqui]


Carolina Viana (cantora e rapper) e Joana Rodrigues (produtora) são o duo feminino Redoma e quando já estavam em cima do palco do Café Concerto a plateia estava quase despida. O público estava ainda retido em B Fachada. A atuação destas artistas podia ter sido atrasada um pouco… Ambas vestidas de negro, com Joana sentada a fornecer os sons e Carolina de microfone na mão partiram para a sua performance. Entre rap e, por vezes, uma espécie de ritmo de spoken word foram apresentando os seus temas, o EP ‘Parte’, que contém 6 temas, foi apresentado na íntegra. Deu para desfrutar um pouco deste projeto que não conhecia. Estas meninas do Porto tiveram ainda duas dificuldades, o som não estava no seu melhor e quando o espaço ficou mais preenchido virou uma espécie de lounge… Na frontline ouvia-se muita conversa de fundo, algo que não foi nada agradável. “Poço”, a primeira faixa de ‘Parte’ , foi a última apresentada.

De seguida foi altura para estrear a Box, o palco em cima… do palco. Lá tocou Ana Lua Caiano em formato one-woman show. Este talento emergente era a minha grande curiosidade da noite. As indicações super positivas desta jovem artista confirmaram-se. Aos 23 anos demonstra, ao mesmo tempo, uma delicadeza e uma maturidade deveras impressionantes. Entre loops, bombos, sintetizadores, melodias de voz e de teclas parece que faz a festa toda: lança os foguetes e apanha as canas. Ela que une melodias e ritmos tradicionais portugueses com a modernidade dos elementos que a eletrónica permite.

Ana Lua Caiano, um concerto muito esperado [mais fotos clicar aqui]

“Olha a Maria” foi a primeira da sua setlist e o mote perfeito para a apresentação de ‘Cheguei Tarde A Ontem’ o seu Extended Play de debute. Ao som de “Ando em Círculos” houve algum público feminino que não se faz rogado e deu trabalho às pernas. Lá à frente as coisas estavam bem animadas.
“Nem mal nem queres” e “Sai da frente, vou passar”  temas que não podiam faltar tiveram o olhar e a audição atenta de Hélio Morais dos Linda Martini. “Mão na mão” foi mesmo a última interpretada pese embora os pedidos de encore do público e da própria Ana ao backstage para voltar… A performance foi coroada de êxito e adocicou-me a curiosidade.

Mais uma moedinha, mais uma voltinha, eis que regressei ao Café Concerto. Em palco já estavam os Azar Azar, este é o projeto de Sérgio Alves, produtor e teclista portuense. Ele que trouxe consigo banda completa. O jazz, o soul e funk são os géneros mais percetíveis do som deste seu projeto e maioritariamente instrumental. O single de avanço “Dreaming Ways” não faltou e teve em Helena Neto, convidada especial, e que fez uso da sua voz. Com o aproximar das 0:30h houve uma significativa debandada de pessoas: aproximava-se a hora da Linda Martini. Assim também o fiz, após ouvir atentamente alguns longos minutos de Azar Azar.

Azar Azar, em formato banda [mais fotos clicar aqui]

Após 20 anos na presença dos portugueses os Linda Martini já não necessitam apresentações. Eles que neste 2023 estão em digressão com a tournée “Merda & Ouro”, uma celebração do 20º aniversário.

Quando atuam dão tudo: por entre a exigência constante de Hélio Morais, o impecável compromisso de Rui Carvalho (o incrível substituto de Pedro Geraldes e novo membro da banda), a sensualidade rock de Cláudia Guerreiro e a determinação vibrante de André Henriques. Foi o único concerto que teve apoio visual de uma tela gigante atrás do palco da Box. O que assisti foi a uma total sintonia entre público e banda numa altura de pico de adesão. Já era expectável.

A sensualidade rock de Cláudia Guerreiro [mais fotos clicar aqui]

“Eu nem vi” foi o tema de abertura e logo aí “sem ti sou só eu” foi cantarolado com bastante vontade. Os temas passavam e o empenho dos fãs não esmorecia. Foi mesmo um concerto intenso e sentido de forma especial. “Putos Bons”, “Amor Combate”, “Belarmino Vs”, “Ratos” e “Rádio Comercial” não faltaram na setlist. O quarteto regressou ao palco respondendo à solicitação dos fãs e tocaram “Dá-me a tua melhor faca” num encore que não estava mesmo previsto. A noite terminou com altíssima nota e com público bastante satisfeito.

Vejam toda a foto-reportagem: clicar aqui

A exigência constante de Hélio Morais [mais fotos clicar aqui]

Texto:
Edgar Silva


Fotografia:

Jo
rge Nicolau

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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