A Jibóia mordeu-nos com o seu psicadelismo | Reportagem

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Em
2019 o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) volta a apresentar-nos um novo ciclo musical, novamente com um olhar
atento à música alternativa só que desta vez extravasando os limites da cidade
de Guimarães.

Musicadoria
é o apelido
deste ciclo de três capítulos (pelo menos para já) e cuja curadoria foi
atribuída a três conhecidas promotoras vimaranenses: Revolve (responsável
pelo Mucho Flow), Banhos Velhos (responsável pela actividade
cultural nas Caldas das Taipas) e Capivara Azul.

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O primeiro destes capítulos aconteceu na passada
noite de 2 de fevereiro no Café Concerto do CCVF. Um espaço nobre
e confortável daquela cidade minhota e que possui com todas as condições para
uma bela sessão musical. Pena não ter uma programação musical com outra
regularidade…

A Revolve foi a convidada a programar este
primeiro capítulo e as suas escolhas recaíram em Dada Garbeck e em Jibóia.

Dada Garbeck é Rui Sousa, um músico vimaranense pertencente ao colectivo
El Rupe e que agora surge com o seu projeto a solo. O convite
para esta performance acabou por ser natural pois acaba de lançar ‘The Ever
Coming’
, o seu primeiro álbum, com
edição pela Revolve.

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Surgiu em palco pouco depois das 23h para este que
foi o concerto de apresentação deste seu trabalho de debute. Após uma longa
introdução em que falou um pouco das premissas: explicou-nos que é um disco
sobre tempos marcantes nas vidas das pessoas, sobre estarmos sozinhos/sobre
solidão.

Munido pelas suas teclas (órgão Hammond) e pelo seu
sintetizador analógico levou-nos por uma viagem introspetiva entre loops e por
um universo musical muito próprio. Tem um estilo
musical tão peculiar quanto o seu nome artístico. Um som de diversas camadas e
de diferentes coloridos.

No último tema o sintetizador não quis colaborar
pelo que fez questão de repetir a canção depois de ultrapassados os problemas
técnicos, pese embora, algum constrangimento pelo sucedido.

Desta vez apreciamos bastante mais a sua performance
em comparação à actuação mais despida no evento “Agora Aqui 2018” no qual
estivemos presentes. Em 2019 Rui Souza surge-nos com outra maturidade e com um
caminho mais bem definido.

O prato forte da noite surgiu então já depois da
meia noite.

Jibóia é o projeto de Óscar Silva,
cuja apresentação ao vivo acontece em formato banda. Um trio no qual
contou com Ricardo Martins (bateria) e com o multi-instrumentista André
Pinto
. Apresentaram-nos o LP ‘OOOO’ lançado no final do ano passado
e editado pela Discrepant, uma editora londrina

O som de Jibóia é uma amálgama intensa e
propositada de vários estilos bebendo de diversas origens do planeta Terra. Em
determinados momentos somos remetidos para um universo que nos faz lembrar os
sons exóticos do norte de África como de repente somos igualmente inundados com
pitadas de sons do Médio Oriente. A viagem vai sempre em ritmo de “vai e vem”
num mix de batidas dançáveis do melhor da world music.

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A batida rockeira sempre frenética da bateria
contagia-nos e deixa-nos sempre “ligados” e a entrada do saxofone (por vezes
algo tímidas) dá-nos pitadas “jazzísticas”. Tudo sempre bem “embrulhado” em
universos electrónicos e com vozes cheias de reverb.

A nossa estreia com Jibóia aconteceu em boa
hora e ficamos deliciados com a performance da banda.

O Café Concerto do CCVF teve com uma moldura
humana apreciável e por um público entusiasta e, de certeza, deu por bem
empregue a presença neste evento.

O ciclo Musicadoria regressa a 8 de março (um
sábado) com os Keep Razors Sharp e cuja curadoria está a cargo dos Banhos
Velhos
. Uma banda que já tivemos a sorte de ver ao vivo e que por isso
aconselhamos vivamente a presença neste próximo capítulo deste ciclo.


A seguir podem visualizar uma galeria completa de fotos desta noite:
Link disponível: clicar aqui


https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265



Fotografia: Jorge Nicolau

Texto: Edgar Silva

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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