Vilar de Mouros: o festival caminha com passos sólidos para ser uma referência! (parte 1)

Foto da entrada do Festival EDP Vilar de Mouros

Este vosso repórter não colocava os pés naquela simpática aldeia do Alto Minho fez 18 anos no decurso de 2018. Na altura, nesse longínquo ano de 2000, pontificava Alanis Morissette nas lides rockeiras e a grandiosa razão para a deslocação ao festival. Nessa primeira noite a canadiana e uns rockeiros chamados Sonic Youth arrancaram com toda a garra essa 5ª edição.

Vilar de Mouros tem o significado especial pois foi a primeira vez que estive num festival e por isso foi com um especial contentamento que rumei de regresso aquele cantinho rústico bem perto de Caminha, a sede do concelho.

Dia 23 de agosto – Dia 1 do festival

Infelizmente não foi-me possível estar presente no dia de arranque porém os ecos que me chegaram sobre essa noite foram particularmente positivos. Especialmente pela presença
pela portentosa presença de Chrissie Hynde a vocalista e guitarrista dos The Pretenders, já considerado um ícone feminino. Este um regresso ao festival depois de uma performance na edição de 1999.

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Chrissie Hynde no Festival EDP Vilar de Mouros

Igualmente referência relevante para a atuação de Peter Murphy na companhia de David J na celebração de Bauhaus.

Os The Human League também estiveram presentes neste primeiro dia com o seu New Wave/Synthpop liderado por Philip Oakey teve o ponto alto na sua performance com o incrível “Together in Electric Dreams”, canção imortalizada pelo por “Electric Dreams”, um filme imperdível da década de 80 do século XX.

|| Fotos exclusivas destes 3 concertos no final do artigo ||

Dia 24 de agosto – Dia 2 do festival

Seguimospela A28 até ao festival e chegados à rotunda de acesso a Vilar de Mouros eis que a PSP nos obriga a virar na direção ao parque de estacionamento. Vemo-nos a percorrer um caminho entre campos de milho e por “uma estrada de cabras” em sentido
único. Estávamos a ter o primeiro gostinho da ruralidade só possível neste evento. Veiculo estacionado num dos descampados eis que percorremos pela primeira vez o poeirento caminho até ao centro dos acontecimentos. Pelo caminho, dois painéis fazem-nos perguntas de resposta óbvia, um com “Tás cá?” o outro com “Bieste?”. Um acentuar do regionalismo próprio de quem é nortenho e de quem quer bem receber.

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Entrada da ponte romana do lado da aldeia
|| Fotos exclusivas do ambiente na segunda parte desta reportagem ||
 

Para este segundo dia, já com a equipa presente na sua máxima força, as expectativas eram elevadas. Esta que era a noite de entre todas a que puxava menos pelo lado nostálgico e revivalista. Editors e Incubus, são duas bandas mais “frescas” na cronologia da história musical e a puxarem mais por um público trintão. Pela presença de pessoas com pulseira diária foi isso mesmo que verificamos. Ainda assim vimos pessoas de todas as gerações, literalmente, do 8 ao 80.

A maior nostalgia da noite esteve consagrada aos lusitanos Os GNR que tiveram o privilégio da presença do primeiro-ministro António Costa para assistir à sua performance. Rui Reininho no seu próprio jeito sempre corrosivo não deixou de dar um recadinho a Donald Trump por entre outras tiradas. O set da banda não deu largas para desfilar muitos êxitos pelo que apresentaram de forma competente algumas das duas canções míticas como “Sangue Oculto” , “Morte ao Sol” ou “Asas”. Fecharam a sua performance com “Mosquito” num concerto de abertura animado e bem recebido.

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Rui Reininho, vocalista d’ Os GNR

Seguiu-se o leiriense David Fonseca bem-disposto e apresentando-se como estando num dos seus festivais favoritos. Pela primeira vez vimos o artista nacional num concerto com canções suas em inglês e português. Das vezes que o vimos ao vivo nunca ficamos desiludido. A sua energia e entrega são notórias bem como a sua capacidade de trazer a audiência para si. Perante uma plateia já muito bem preenchida apresentou-nos novas
canções do seu recente disco ‘Radio Gemini’ das quais pontificaram “Get Up” e “Oh My Heart”, os singles de apresentação desse trabalho. Para “manter viva” a memória de António Variações tocou-nos “O Corpo é que paga” e fez um tributo a Amália Rodrigues cantando “Barco Negro”. Por entre um medley de “Just Can’t Get Enough” dos Depeche Mode terminou a atuação com “The 80s”. Nessa altura soltaram balões gigantes para o público e para uma despedida em grande voaram confettis.

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David Fonseca no Festival EDP Vilar de Mouros

De Birmingham, Inglaterra chegaram-nos os Editors, banda que regressou a Portugal para apresentar pela primeira vez o novo álbum ‘Violence’. Logo de inicio ouvimos duas novas canções “Cold” e “Hallelujah (So Low)”. A entrega de todos os cinco elementos foi devidamente notada e a entrega do vocalista Tom Smith é contagiante. Deambulando
sempre pelo palco não deixou os seus créditos por mãos alheias e contribuiu para um excelente concerto deliciando em particular os seus fãs presentes, alguns deles com t-shirts alusivas à banda. As canções “Papillon” e “Munich” foram os momentos fortes do concerto.

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Tom Smith dos Editors

Coube aos Incubus o papel de cabeça de cartaz deste 2º dia e com o devido mérito. São uma das bandas ícones da década de 90 do século passado/inícios dos 2000. Apesar da banda já ter passado umas quantas vezes pelo nosso país (a anterior data de 2012 no Super Bock Super Rock) não foi por isso que o entusiasmo dos muitos fãs presentes foi diminuto. ‘8’ é o último trabalho destes norte-americanos editado o ano passado e a razão para andarem em digressão. Não foi um álbum explorado neste concerto tendo preferido apresentar uma setlist com os meus maiores êxitos. A simbiose de público e banda foi sentida logo praticamente desde os primeiros acordes. Óbvio que teve picos de emoção com as canções mais conhecidas como “Pardon Me”, o single que os deu a conhecer ao mundo em 2000. Também “Wish You Were Here” (com um medley da música dos Pink Floyd com o mesmo nome na parte final) teve um acompanhamento especial. Para o final merecido e em apoteose “Drive” foi entoada em coro. Sem dúvida o grande triunfo da noite.

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Brandon Boyd dos Incubus

Para encerramento da noite tivemos outra banda britânica, desta vez, os Kitty, Daisy & Lewis. A formação londrina é formada na sua base por 3 irmãos. Esta passagem por Portugal foi a sua segunda vez, depois de terem estado no Festival de Paredes de Coura em 2012. Perante um público em muito menor número, a maioria abalou no final de Incubus. Ainda assim o ânimo da banda não foi menor e puseram os resistentes
desta noite a dançar. Os seus sons são inspirados em estilos tipicamente norte-americanos como a música country e os blues. Têm um som bastante particular e altamente dançável. Particular é a sua estadia em palco pois os irmãos alternam praticamente em todas as músicas entre todos os instrumentos e na voz principal também. Particular também o convidado especial, um trompetista jamaicano que animou as pessoas pelo seu jeito castiço.

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Kitty, Daisy & Lewis em palco

Esta segunda noite do Festival EDP Vilar de Mouros teve um carimbo triunfalista. Todos os atos musicais estiveram à altura da ocasião e o público aderiu com o seu espírito animado e festivaleiro bastante relaxado.

Álbum de fotos exclusivas do primeiro dia do festival : clicar aqui
The Human League | Pretenders | Peter Murphy

Álbum de fotos exclusivas do segundo dia do festival : Clicar aqui
David Fonseca | Os GNR | David Fonseca | Editors | Incubus | Kitty, Daisy & Lewis

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Luísa Rodrigues – https://ieyephoto.com

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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