Em Agosto o prato principal é L’Agosto(a)!

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Percursionista dos Diron Animal Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

De 9 a 11 de agosto os jardins do Paço dos Duques de Bragança receberam a 2ª edição do L’Agosto, um festival organizado pela tríplice: Câmara Municipal de Guimarães, Elephante MUSIK e Estúdio Lobo Mau.

Desde logo tivemos uma grande mudança relativamente à edição anterior, a mudança de
local. Não mudou-se para muito mais longe é certo, ainda assim, tratou-se passagem do coração da cidade (jardins do Museu Alberto Sampaio) para bem pertinho do Castelo de
Guimarães. Pelo que observamos esta modificação revelou-se interessante já que o espaço é mais fluido abrindo outras possibilidades. Ainda assim devemos dizer que gostamos bastante da localização anterior.

Outra tríplice é a orientação do festival, guiando-se por nos trazer World Music, Rock e Eletrónica. Com estas linhas mestras permite diversificar a oferta musical naquela cidade minhota abrindo espaço a mais uma alternativa cultural de qualidade insuspeita.

Nas três tardes de festival os DJs Sem Compromisso animaram a Praça da Oliveira bem no centro da Cidade-Berço em jeito de Warm-Up.


Quinta-feira dia 9 de agosto – Dia 1

A primeira noite de L’Agosto revelou-se algo acidentada com a organização ainda a meio
gás. A promessa de aberturas de portas às 21h não veio a concretizar-se tendo tal só acontecido às 22:30h, 30 minutos depois da hora aprazada para o início do primeiro concerto… Informações mais tarde chegaram que aconteceram “imponderáveis” que impediram o concretizar do planeado dentro dos horários estabelecidos.

Pedrinho músico, cantor e compositor com origens em Cabo Verde subiu ao palco com a sua banda de
mais 3 elementos com 1 hora de atraso. Traz-nos os seus ritmos “calientes” de
Funaná com um claro acentuado na sua voz e no som do seu teclado. Apesar dos
atrasos, o ambiente é bem descontraído com o público a ir entrando e prostrando-se nos verdejantes jardins do Paço dos Duques. Rapidamente as pessoas entram na “onda” e aproveitam muito bem a ocasião para abanarem os seus corpinhos bem lá na frente do palco.

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Pedrinho em palco Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

Finda a apresentação do cabo verdiano Pedrinho e da sua banda de forma bem positiva, foi a vez de se apresentarem os Fogo Fogo. Vindos de uma apresentação na edição deste ano do NOS Primavera Sound a curiosidade era portanto acrescida. O seu Funaná é num ritmo bem mais “speedado” do que de Pedrinho. Tem acolá uns ligeiros cruzamentos de Rock com Reggae o que faz o som ser ainda mais apelativo. Foi sem dúvida um bonito concerto com corpos bem dançantes seguindo as indicações de “tira o pé do chão” para intuir e deixar fluir um “Funaná para espantar os demónios”.

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Fogo Fogo em palco Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

Eram já duas da manhã e chegava a vez de Paus, banda escalada para tocar à
meia-noite… Problemas técnicos na montagem dos equipamentos provocaram um atraso considerável no arranque do concerto da banda de Fábio Jevelim,
Hélio Morais, Joaquim Albergaria
e Makoto Yagyu.

Ultrapassados esses problemas foi a altura para os Paus apresentarem as suas canções.
Certo é que só o conseguiram fazer durante 20 minutos… Novos problemas com a
mesa de som foram irremediáveis tendo Joaquim Albergaria anunciado de viva voz o cancelamento da atuação por não existirem as condições para prosseguirem…

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Paus em palco Créditos © Rafaela Silva
[mais fotos: clicar aqui]

 


Sexta-feira dia 10 de agosto – Dia 2

Partimos para o 2º dia muito curiosos para ver como iriam correr as coisas depois dos
percalços da noite anterior. Publicamente a organização assumiu que estava a
trabalhar para que as coisas corressem bem melhor. Assim foi o caso.

As portas abriram mais cedo e a promessa do começo de Imploding Stars para as 22:20h foi cumprida. A banda oriunda de Braga trouxe-nos o novo álbum ‘Riverine’ apresentando-nos o seu post-rock cintilante assente no poder essencial dos riffs das suas guitarras. Pela primeira vez assistimos a um concerto deles e a impressão final é muito positiva.

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Imploding Stars em palco Créditos © Jaime Silva

Outra estreia nossa veio a seguir com os conimbricenses The Parkinsons, banda já mítica (na continuação natural de outro projeto brutal: os Tédio Boys) e regressada à atividade em 2012 depois de um interregno. O punk rock completamente desgarrado é mote dado pela atitude e voz do vocalista em tronco nu e de calções de praia. Afonso Pinto realmente não se importa com a etiqueta e tanto irrompe por entre o público como “surfa” com a ajuda do mesmo. O grande momento da noite, sem margem para dúvidas, e provavelmente o concerto mais marcante da edição 2018 do L’Agosto.

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The Parkinsons em palco Créditos © Rafaela Silva[mais fotos: clicar aqui]

Como não há duas sem três vimos também em estreia Soviet Soviet. O seu som em determinados momentos fez-nos lembrar como uns Blood Red Shoes acrescentados
de um baixo. Se bem que o seu estilo cruze com o dos britânicos a verdade é que
navegam por outros tipos musicais mais aguerridos como do post punk. O trio
italiano revelou-se uma surpresa agradável.

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Vocalista dos Soviet Soviet em palco Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

A noite encerrou com DJ Set por Eduardo Morais.


Sábado dia 11 de agosto – Dia 3

Os Ghost Hunt tocavam já na última noite de festival e tínhamos um recinto extremamente tímido em termos de adesão de público. A dupla oriunda de Coimbra apresentou-se em Guimarães para apresentarem, a sua ainda, curta discografia. Os seus sons circundam por entre sintetizadores, teclados e baixo criando assim o seu próprio universo eletrónico. Não tocavam como Ghost Hunt desde abril. Já Pedro Chau repetia a
presença pois na noite anterior esteve junto com os seus colegas dos The Parkinsons. A sua atuação foi, para nós, mais uma estreia e devemos dizer que o concerto desta dupla melhorou bastante na parte final.

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Pedro Chau com Ghost Hunt em palcoCréditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

Diron Animal e a sua banda foram a presença seguinte em palco. O projeto do artista é, por assim dizer, uma continuação de Throes + The Shine do qual o cantor fez parte. ‘Alone’ é o álbum lançado no final do ano passado e que foi tocado nos bonitos jardins do Paço dos Duques de Bragança com vista privilegiada para a Montanha da Penha. O ritmo frenético esteve bem presente até mesmo na enérgica e muita boa vibe de Diron. Ele facilmente contagiou todo o público (já em muito melhor número) fazendo com que
tivéssemos em plena aula de Zumba. Desceu do palco e praticamente tornou-se num professor de fitness com as suas indicações…”Tira o pé do chão” animou e
definitivamente contagiou toda a gente.

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Público em cima do palco durante o concerto dos Diron Animal  Créditos © Rafaela Silva
[mais fotos: clicar aqui]

João Barbosa mais conhecido pelo seu nome de palco Branko encerrou a noite de concertos com o seu set. Apoiado por uma tela atrás de si que passava vídeos muito bem sincronizados com as suas canções animou a audiência. A relva continuou a ser uma pista de dança embora num ritmo mais pausado relativamente aos sons africanos que precederam.

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Branko em palco Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

A noite terminou com Alfredo DJ Set por Hugo Gomes músico dos Sensible Soccers.


Considerações finais

Vivenciamos esta 2ª edição do L’Agosto e agora aproveitamos para tecer algumas considerações. A maioria dos concertos foram praticamente todos bem conseguidos e foi mesmo pena a situação ocorrida com os Paus. Tal foi o momento negativo do festival e que acaba sempre por ser uma situação de “má imprensa” para um evento que quer
afirmar-se.

O som não foi definitivamente o melhor pelo que é algo a ter como prioridade a
melhorar para a próxima edição por parte da organização.

Notamos algumas pequenas falhas organizativas, ainda assim, nada que não possa ser corrigido de forma fácil para o futuro.

A adesão de público pareceu-nos muito aceitável tendo em conta a altura do ano em
que muitos vimaranenses em férias partem rumo a outros destinos e a situação de
cada vez mais existirem outras ofertas culturais quer na cidade e quer em
localizações vizinhas. A entrada este ano foi paga (6€ diário e 13€ passe
geral) ao contrário da edição do ano passado em que a entrada foi livre.

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Diron Animal em palco Créditos © Rafaela Silva [mais fotos: clicar aqui]

O local funcionou muito bem, era algo que tínhamos curiosidade para verificar
como iria ser. Aprazível, amplo e com as condições ideais para um evento de
verão. Durante o ano em Guimarães não existe outro evento de música com as
características deste L’Agosto pelo que esperamos que possa
consolidar-se no panorama da cidade nos próximos anos.

Agora podem visualizar mais algumas fotos exclusivas tiradas pela Rafaela Silva para o HeadLiner

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Agora podem visualizar o aftermovie feito em exclusivo pelo Alexandre Vale para o HeadLiner

 

Texto: Edgar Silva

Fotografia: Rafaela Silva

Vídeo: Alexandre Vale

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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