
São 7 anos sem interrupções, desde que sai pela primeira vez do conforto da minha casa em Viana do Castelo para percorrer apenas 50 km para o que muitos consideram como a 2ª casa, o Festival Vodafone Paredes de Coura. Não sou uma exceção. Há pessoas que tiram 1 semana de férias para vir dormir em tendas, respirar pó e comer massa com atum e atum com massa. Eu tiro uma semana do mundo lá fora para abraçar a natureza, os amigos e a música.
Cheguei a Paredes de Coura no dia 12 de Agosto, o termómetro batia nos 30 e tais graus, o autocarro de 20 lugares da Courense estava cheio e não via a hora de respirar os ares daquela pequena (que se torna gigante) vila Minhota. Eram perto das 5 da tarde quando finalmente digo: Lar Doce Lar, estou em Paredes de Coura.
Com as tarde de muito calor que se fizeram sentir este ano, (com a clássica chuva ter ficado fora do cartaz deste ano) os milhares de campistas fugiram para as margens do Rio Coura. Não é preciso andar muito para perceber que nos encontramos num mundo à parte, as árvores cobertas de livros prontas para serem lidos, o rio inundado de barcos, unicórnios, flamingos e de cavalos marinhos. No palco Jazz na Relva a poesia, a prosa, a musicalidade nas palavras entranham-se pelos ouvidos de quem por lá pára. As árvores tornam-se pranchas de saltos, tornam-se um autentico parque aquático.

Para lá do rio se estende uma imensidão de abrigos para estes nómadas que decidiram largar as suas vidas, nem que seja por uma semana, à procura de amor, amor com a música, amor com a natureza, amor com a amizade.
Os caminhos poeirentos que nos guiam pelo campismo adentro nunca estiveram melhor, acompanhados por percursos de madeira que nos levam colina acima, a calçada para tentar evitar o lamaçal das águas indesejadas ou o reforço dos carregamento dos telemóveis, foram claros melhoramentos com que fazem esta experiência ainda mais única.
Não é preciso a noite cair para os “Oh Elsaaa”, o suporte pelos vário clubes saírem das vozes dos campistas ou mesmo o psy trance ouvido do acampamento do lado se fazer ouvir. Não é preciso ser hora do almoço ou hora do jantar para se cheirar todos os aromas daquela massa com atum coberta de queijo e oregãos ou daquele molho de tomate tão bom que todos nos conhecemos.
Estamos no Couraíso, não há horários, não há regras, apenas um monte de pessoas prontas a viver a natureza.

O festival vive muito do ambiente vivido no campismo no rio, mas a verdade é que nada disto seria possível se não fosse o cartaz que o João Carvalho e toda a sua equipa da Ritmos nos tem deliciados todos os anos.
É no recinto que realmente sentimos o que é o festival que existe há 26 anos. Passar por aquele pórtico imponente e ver aquele manto verde à nossa frente a debruçar-se sobre o palco bem lá em baixo, digo-vos… não há melhor sensação que essa.
Quando estamos prontos para o caos, bem antes de King Gizzard & The Lizard Wizard, Shame ou Arcade Fire bem à beira do fosso, olhamos para cima e vemos aquela onda de pessoas quase a engolir-nos. Aí percebemos o quanto as bandas sentem, gostam, admiram o “nosso” festival.

Fiquem com todas as fotos do melhor ambiente vividos na 26ª edição do Vodafone Paredes de Coura pela lente da nossa Ângela Afonso:
Parte 1: https://www.flickr.com/photos/headlinerportugal/albums/72157698816880221
Parte 2: https://www.flickr.com/photos/headlinerportugal/albums/72157698816699301
Parte 3: https://www.flickr.com/photos/headlinerportugal/albums/72157672530796038
Texto:
Luís Silva
Fotografia:
Ângela Afonso
